Uma luz no fim do túnel em 2016

Economista do Sicredi prevê resultados negativos no próximo ano

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Alexandre Barbosa Sicredi

A economia brasileira vai entrar em 2016 com uma bagagem ainda mais pesada para carregar do que quando começou este ano. O superávit primário, a dívida pública e a inflação chegarão em dezembro com índices piores aos registrados no exercício anterior, o que, na opinião do economista-chefe do Banco Cooperativo Sicredi, Alexandre Barbosa, duplica o desafio da economia no próximo ano. 

Apesar de considerar que as medidas de controle fiscal tomadas pelo governo federal não tenham sido suficientes para equilibrar as contas públicas, Barbosa acredita que o caminho da austeridade deve ser mantido. “Não se pode deixar de lado o ajuste. Se não fizer isso, [o Brasil] vai seguir os passos de Argentina e Venezuela”, alertou o especialista em referência às confusas conjunturas dos dois países sul-americanos que afastam investidores e impelem constantes altas de preços aos consumidores. De acordo com Barbosa, o maior obstáculo para que a economia brasileira reencontre o equilíbrio em 2016 ainda estará na disputa política vista atualmente no Congresso.

Ainda assim, o economista defendeu durante o 5º Seminário de Tendências Econômicas, promovido pelo Sicredi União Metropolitana RS, e realizado nesta quinta-feira (26) em Porto Alegre, a continuidade dos projetos elaborados pelo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, principalmente aqueles que colaboram para um resultado primário positivo. Para o próximo ano, Barbosa espera uma queda de 0,5% do superávit primário, menor do que a projetada para este ano (-0,8%). “Hoje vemos quanto custou caro os benefícios para determinados setores da economia, os subsídios distribuídos aos programas federais e os estímulos dados ao consumo sem haver, ao mesmo tempo, um controle das despesas”, comentou o economista que comanda a equipe de projeções econômicas do Sicredi-RS, reconhecida anualmente pelo Banco Central como uma das instituições com as previsões mais consistentes.

O PIB brasileiro também deve sofrer um recuo de 1,7% no próximo ano. A menor atividade econômica em conjunto com o aumento do nível de desemprego (10%), porém, devem conter a demanda e, por consequência, a inflação. Neste ano, a estimativa é que o índice feche em 10,3% e, ao final de 2016, retroceda para 6,3%, segundo cálculos de Barbosa. Por conta desse arrefecimento, a Selic deve cair e ficar em torno de 13%. A recuperação da economia dos Estados Unidos, que reflete na queda do desemprego no país e no aumento da taxa de juros pelo Fed (Banco Central norte-americano), diminuirá a liquidez no mundo, sobretudo nas nações emergentes. Barbosa entende que o Brasil sentirá o impacto com a saída de dólares e uma maior desvalorização do real. No entanto, o setor de exportação será beneficiado pelo câmbio mais valorizado, o que ajudará no saldo da balança comercial brasileira.

Mesmo que os principais indicadores previstos para o próximo ano mostrem uma economia que permanecerá em recessão e pouco convidativa a investidores estrangeiros, Barbosa crê que será possível “enxergar uma luz no final do túnel” e construir as bases para o crescimento em 2017. Tudo, claro, se o governo federal mantiver e reforçar as medidas de ajuste fiscal. “Não se resolve todos os problemas dos últimos anos em um. [A política de controle de gastos] tem de continuar em 2016 e 2017”, resume.



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