Menos dinheiro no bolso e mais carbono no ar

Energia termelétrica inferniza o consumidor e compromete meta brasileira contra emissões

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

marisa.valerio@amanha.com.br

Poluição

O Brasil voltou a aumentar as emissões de carbono no ar, mesmo com a desaceleração do desmatamento. E um dos principais culpados é o setor de energia. Em 2014, a geração de eletricidade incrementou a produção de gases estufa na economia brasileira em 23%, devido principalmente ao acionamento de usinas termelétricas fósseis. O uso das térmicas fez frente à seca que esgotou os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste do país. E fez praticamente dobrar as faturas que chegam à casa dos consumidores de energia.

A informação sobre o dano ambiental vem do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. E aponta para a urgência de novos investimentos no setor. “É preciso diversificar nossa matriz energética, investindo em fontes limpas como a eólica e o etanol de segunda geração”, alerta André Ferretti, gerente de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário, uma das instituições que fazem parte do Observatório do Clima. 

O Rio Grande do Sul está à frente do Paraná e de Santa Catarina no ranking de emissores e aparece entre os cinco estados do Brasil que mais emitiu Gases de Efeito Estufa (GEE). Além da energia, a agropecuária foi a atividade que mais contribuiu.

Ferretti acompanha em Paris, agora em dezembro, os debates da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21. E os dados do SEEG acendem uma luz amarela sobre o plano climático anunciado pelo Brasil para a conferência, no qual o país se compromete a realizar reduções absolutas de emissão em toda a sua economia após 2020, quando o Acordo de Paris substituirá o Protocolo de Kyoto.


RODADA

Ônibus sob nova direção
Tem investimento gaúcho nas estradas do Paraná. Uma parceria estratégica entre as duas maiores empresas de ônibus do Rio Grande do Sul, a Ouro e Prata e a Planalto, assumiu neste mês o transporte de passageiros do estado em 43 linhas intermunicipais e interestaduais, antes atendidas pelas catarinenses Real e Reunidas. A maioria delas parte de Curitiba e cidades da região metropolitana. Os veículos também são de empresa gaúcha. Os parceiros compraram 50 unidades do Paradiso 1350 fabricado pela Marcopolo. O modelo é equipado com o chamado “pacote de entretenimento”, que oferece equipamento para exibição de filmes, carregador USB em todas as poltronas, sistema de som individual e internet a bordo. A operação incluiu a contratação de 140 motoristas, que vão percorrer mais de um milhão de quilômetros por mês. As duas empresas respondem por mais de 200 linhas que transportam 6,7 milhões de passageiros em 12 estados. A aliança – que será estendida para o Mato Grosso e o Pará – vai atender 90 cidades nos três estados do Sul e em São Paulo.

Go Inn
A rede Atlantica Hotels vai operar em Curitiba o primeiro Go Inn da Região Sul. De categoria budget, o hotel tem 215 apartamentos, cobertura com espaço fitness e terraço, camas queen size e wi-fi gratuito. Fica no bairro Batel, a 100 metros do Shopping Curitiba, e as diárias partem de R$ 165, com café da manhã de cortesia. Os projetos de arquitetura e interiores são assinados pelo escritório Dória Lopes Fiuza Arquitetos Associados e a construção é da EBR Engenharia Civil Ltda, com gerenciamento de obras e projetos da Cosmos Gerenciadora. O prédio tem selo Procel Edifica Nota A, chancela de eficiência energética emitida pelo Inmetro. Em Curitiba, a Atlantica Hotels gerencia outros três hotéis: Four Points by Sheraton, Quality e Radisson.

Hora de optar 
As empresas brasileiras que estavam obrigadas a recolher a contribuição previdenciária pela receita bruta desde 2011 têm, agora, a oportunidade de voltar a recolher sobre a folha de pagamento.  A opção por uma das duas bases de cálculo deve ser feita em novembro, como prevê a Lei Federal no. 13.161, de 31 de agosto. “Mas é importante fazer bem as contas, pois ela é irretratável”, alerta o advogado Cláudio Batista, especialista em Direito Tributário do escritório Domingues Sociedade de Advogados.

AGENDA

Leilão
Ativos de empresas tradicionais do Paraná – como Arautur, Irmãos Knopfholz S/A (Malas Ika), Duplo Ar, Consórcio Nacional Cidadela e Ecora S/A – vão a leilão nesta quarta (24).  São apartamentos, terrenos, barracões e lojas comerciais das massas falidas. Os processos de falência são antigos e se arrastam há mais de dez anos. A estimativa do leiloeiro Helcio Kronberg é que sejam movimentados, no mínimo, R$ 30 milhões, dinheiro que será usado para pagar credores. Informações em www.kronberg.com.br. 

Democracia
O Instituto Atuação promove até quinta (25), no Hotel Radisson, em Curitiba, debates em torno de ações práticas para o desenvolvimento democrático do país, reunindo formadores de opinião, jornalistas, políticos e pesquisadores. Um dos convidados é James Fishkin, professor de comunicação e ciência política da Universidade de Stanford. A iniciativa tem a participação do The Economist Intelligence Unit – braço de pesquisa da revista The Economist, que está trabalhando com o Atuação na criação do Índice de Democracia Local e sua aplicação em Curitiba. 


leia também

As empresas podem se beneficiar com redução de CO2 - A maneira de tornar as mudanças palatáveis é associá-las ao lucro

COP21 aprova acordo histórico sobre o clima - Um fundo será criado para limitar o aquecimento global

Mundo bate recorde de concentração de dióxido de carbono em 2015 - O gás causador do efeito estufa permanecerá acima desse índice durante 2016, alerta Organização Meteorológica Mundial

Novo pacto climático global desafia COP21 - O Acordo de Paris vigorará em 2020 substituindo o Protocolo de Quioto

Por que não há solução rápida para a crise da Volks - Episódio resultou na queda das ações da companhia

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: