Integridade nas empresas: um nervo exposto

Sete por cento das receitas das companhias ficam comprometidos por atos ilícitos

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

marisa.valerio@amanha.com.br

Justiça Federal do Paraná, onde está sendo investigada a Operação Lava Jato

Uma turma de 31 alunos, na maioria economistas, administradores e advogados do setor bancário, está matriculada para cursar em 2016 o primeiro MBA em Governança, Risco e Compliance, oferecido pelas Faculdades Opet, em Curitiba. Eles não estão sozinhos. Integram um movimento crescente pela busca de capacitação para gerenciar um nervo exposto nas corporações.

Desde que teve início, há dois anos, a Operação Lava Jato instaurou mais de 700 procedimentos legais e recuperou cerca de R$ 870 milhões desviados pelo esquema de corrupção que saqueou a Petrobras.

Diante do que apurou até agora a brigada de investigadores e procuradores federais, liderada pelo juiz federal maringaense Sergio Moro, soam até modestos os dados recolhidos pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE). A organização norte-americana de combate à fraude afirma que 7% da receita bruta das empresas acabam comprometidos por atos ilícitos de seus funcionários.

“A sociedade empresarial muda para um novo modelo ético de fazer negócios. É preciso mudar a forma de conduzir o seu negócio e agir rápido, antes que seja tarde”, diz o professor Carlos Alberto Schmidlin Filho, coordenador do MBA da Opet, insistindo numa circunstância que se consolida no mundo de negócios: não há mais brecha para empresas que não respeitam a lei e a sociedade.

Como regra, as empresas exigem dos parceiros em novos contratos que possuam áreas de Compliance e que permitam auditoria sempre que necessário. Além disso, previsto no artigo 7º da Lei Anticorrupção, e detalhado nos artigos 41 e 42 do Decreto 8.420/2015, o Programa de Integridade mostra claramente que não basta a empresa afirmar que é idônea, é preciso realizar medidas básicas que sustentem sua idoneidade. 

Nada mais moderno do que a velha máxima de que à mulher de César não basta ser honesta; tem que parecer honesta.

RODADA

Ouro Verde
Especialista em gestão e terceirização de frotas, a curitibana Ouro Verde conseguiu manter a crise à distância nos três primeiros trimestres de 2015. Balanço do período mostra que o faturamento de R$ 725,6 milhões foi 22% maior do que os R$ 594,9 milhões apurados nos nove primeiros meses de 2014.

“Apesar do cenário econômico de incertezas, a Ouro Verde atingiu resultados positivos em todas as suas linhas de negócios, apresentando crescimento com rentabilidade”, analisa Eduardo Takahara, diretor financeiro da Ouro Verde. O diretor explica que o forte investimento realizado pela companhia no ano passado, com a compra de ativos, tem colaborado diretamente para o aumento dos resultados positivos.

Grupo RIC

Empresas paranaenses de 36 categorias de produtos e serviços receberam o Prêmio Impar 2015. Para compor a lista da sétima edição do Índice das Marcas de Preferência e Afinidade Regional, o Ibope ouviu 1.225 pessoas em cinco cidades: Maringá, Londrina, Cascavel, Toledo e Curitiba. As entrevistas foram realizadas pessoalmente em domicílios previamente sorteados.

O índice leva a assinatura do Grupo RIC Paraná, um dos maiores no setor de comunicação do estado, e tem oferecido dados estratégicos para as empresas distinguidas e para o mercado, diz Leonardo Petrelli, seu presidente.

AGENDA

CR3+2015
A Conferência Internacional CR3+2015, um dos principais eventos do mundo voltado para as áreas de sustentabilidade e governança, promove debates em Curitiba nos dias 11 e 12. A CR3+, realizada anteriormente na Finlândia, França e Austrália, é um esforço colaborativo do brasileiro Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE) em parceria com La Trobe Business School (Austrália), Audencia Nantes School of Management (França) e Hanken School of Economics (Finlândia). Inscrições nos endereços http://www.isaebrasil.com.br/cr3/ e CR32015@isaebrasil.com.br.

Franquias
Cerca de 150 marcas franqueadoras apresentam portifólio no fim de semana em Curitiba, durante a 23ª edição da Franchising Fair, no centro de eventos da Federação das Indústrias. O setor registrou crescimento de 11,2% no primeiro semestre deste ano e totaliza um movimento de R$ 99,3 bilhões em 2015, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Investidores vão encontrar de microfranquias a marcas tradicionais, com valores de R$ 2 mil a R$ 2,5 milhões.

Amcham
O debate sobre o ambiente de negócios e o cenário econômico vai reunir no dia 18, em Curitiba, os executivos Altair Rossato, sócio-líder da Deloitte Brasil; José Assumpção, CEO da Fesa Fesap Holding; e Reinaldo Garcia, CEO da General Electric para a América Latina. O CEO Fórum é uma iniciativa da Amcham, que comemora 15 anos de atividade na capital paranaense. As inscrições estão abertas no site http://www.amcham.com.br/curitiba.


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