Um passeio pelo Latin America Competitive Intelligence Summit

Os melhores insights do maior e mais importante evento do gênero na América Latina

Por Eduardo Lapa e Amanda Cainelli*

Abertura do Latin America Competitive Intelligence Summit

Depois de três dias intensos de evento de primeiríssimo mundo, trazemos neste post um breve relato do que vimos de melhor. O evento, organizado pela SCIP – Strategic And Competitive Intelligence Professionals, trouxe para os profissionais e interessados na área o que há de melhor no Brasil e mundo sobre inteligência competitiva. O evento foi repleto de palestras, debates e workshops sobre inteligência competitiva. Tudo isso sempre muito acompanhado de rodadas de networking, interação entre painelistas e público, sessões temáticas específicas e até o almoço organizado em função dos assuntos abordados.

A abertura foi de Nannete Burguer, presidente da SCIP no mundo. Ele estava acompanhado de Alexandre Del Rey, que preside a instituição no Brasil. Os participantes puderam ter a sinalização da evolução global da inteligência competitiva e a relevância do tema, bem como saber das novidades sobre cursos no Brasil e as possibilidades de profissionalização nesse segmento que, por natureza, tem profissionais das mais diversas áreas de formação. 

Larry Fauconnet compartilhou sua experiência de mais de 25 anos como chefe de Inteligência do Exército dos Estados Unidos. Foi apresentado o modelo Decision Support, uma importante ferramenta usada pelas Forças Armadas norte-americanas e adaptada para uso em planejamento estratégico e de mercado como forma de integrar inteligência no ciclo de decisão através de early warnings.

Depois, foi a vez de debater Ciência de Dados. Essa nova área de estudos pode estar transformando a maneira de fazer negócios, pois as organizações e profissionais buscam ter insights a partir do uso de grandes volumes de informações. Muito se discutiu sobre a tendência do mercado data-driven e de como as decisões têm sido cada vez mais suportadas por dados.

Na sequência, foram apresentados dois interessantes casos O primeiro foi da integração entre estratégia e inteligência usada pela IFF (International Flavors and Fragrances) empregando ferramentas como Win & Loss Analysis e Redes de Colaboração para orientar o planejamento estratégico. Depois, a Vale descortinou seu desafio em inovar em um negócio em que o produto é o mesmo há 70 anos. 

Permeando os temas técnicos, a organização da conferência trouxe uma especialista em neurociência, Carla Tieppo. Ela apresentou a complexidade da química cerebral e as duas formas como acontece o processo de decisão de dentro do cérebro para fora. Um deles é o modo rápido, tomado pelo emoção, sensível às variações do humor e baseado nas experiências passadas. Outro é o modo lento, mais racional, e em que há tempo disponível para a construção de mapas mentais e testes de hipóteses antes da derradeira decisão.  

O Scip Summit também promoveu o Active Dialog, um espaço interativo, propício para troca de experiências e relacionamento. As sessões apresentaram temas específicos como inteligência voltada para o empreendedorismo, utilização do Big Data aplicado à inteligência competitiva, a transformação de dados em informação, etc. Foram excelentes momentos de interação entre público e os especialistas.

Nesta sétima edição do evento, aconteceu também o Learning Lab. Foram circuitos de aprendizagem e abordagem prática com exposição de ferramentas e modelos para aumentar a eficiência e eficácia das atividades de inteligência. Alguns pontos merecem destaque: 

– O modelo T, abordado pelos autores Mark Gottfredson e Steve Schaubert, no livro “The Breakthrough Imperative”, foi apresentado como uma proposta para aplicar o conceito de inteligência competitiva nas empresas em tempos de crise. 
– A análise de cenário combinada com análise de indicadores internos foi sugerida como uma forma de buscar dentro das próprias organizações novas respostas para velhos problemas.
– O estímulo à criatividade e o Design Thinking foram ferramentas apresentadas para inspirar os profissionais de inteligência competitiva nos processos de inovação. A gameficação foi uma sugestão de ferramenta para gerar engajamento entre os colaboradores no processo de coleta e disseminação do conhecimento.

Keith Matsumoto, do Google, fez sua apresentação convidando os participantes a enxergarem os motores de busca como fontes confiáveis de informação. Ele aponta que as buscas no Google, feitas por pessoas comuns de forma honesta e sem julgamento de valor, podem emitir sinais de comportamentos ou acontecimentos que estão por vir. Ferramentas abertas como o “autocomplete” ou Google Trends podem revelar insights significativos de tendências e combinações de interesses dos consumidores.

Eu mesmo mediei um interessante debate sobre Inteligência comercial. Na ocasião, debatemos sobre como a inteligência competitiva pode apoiar as organizações a  investir tempo das forças comerciais em atividades que realmente vão apoiar na expansão de vendas e, principalmente, entender timing de ciclos comerciais e decisão de compra. 

Queridinho da vez, o Big Data foi abordado em outra mesa. A relevância do uso de redes de inteligência como fator competitivo nas empresas, por proporcionarem informações de forma fácil e ágil, foi bastante abordada – principalmente na atenção sobre a necessidade de foco para analisar a avalanche de informações produzidas atualmente. Para encerrar o evento, Mariá Giuliese, consultora de carreiras, convidou os participantes a refletir sobre a satisfação com suas vidas profissionais. Ela sugeriu que as ferramentas voltadas para inteligência competitiva podem e devem ser aplicadas não somente nas empresas, mas também na gestão de carreira.

Legitimando esse tema, foi lançado o livro “A atuação do profissional de inteligência competitiva no Brasil”, obra que traz um vasto panorama sobre o que as empresas têm buscado para preencher suas vagas, além de pesquisas importantes sobre o assunto. O livro é de minha autoria juntamente com Elisabeth Gomes, Fábio Rios e Janete Ribeiro.

*Amanda Cainelli é consultora da Plugar Informações Estratégicas.


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