Para domar a crise “made in Brazil”

O consultor Gino Oyamada sugere que empresários revisem seus negócios

Por Gino Oyamada*

Gino Oyamada, consultor de RH e Conselheiro do Grupo Fesap

Estamos diante de um cenário bastante distinto de todos os outros pelos quais já passamos. Embora queiram qualificar a atual crise como decorrente de outras, tenho afirmado que essa é uma crise “made in Brazil”.

Ela foi concebida localmente e é sem precedentes. Tem suas raízes na ética, ou melhor, na falta dela. Movidos por um projeto de poder, vieram os desmandos, a apropriação da coisa pública, os gastos explosivos, os programas sociais sem critérios de concessão, a corrupção como rotina e, por fim, o sentimento de impunidade. Ignorou-se qualquer métrica de gestão, conceitos básicos de economia como o fomento à produção para alavancar riqueza, leis de mercado e o bom senso. As consequências são déficit, inflação, desconfiança do setor produtivo, desemprego, queda na renda, retração na oferta de crédito, baixa expressiva nos níveis de investimentos (públicos e privados), depreciação do valor da moeda, crise institucional nos três poderes da República. A dor será forte e os ajustes serão necessários. Não há como ser diferente.

Duas questões, no entanto, povoam as mentes de executivos: por quanto tempo sentiremos essa dor e se os médicos de plantão que aí estão (leia-se nossos ditos homens públicos) saberão qual remédio será melhor. Digo que será necessário um verdadeiro coquetel. Os males são de tal ordem que não será outro remédio a curar a economia. Aliás, outros médicos, melhor capacitados e que se entendam entre si, serão requeridos para esse tratamento. E como gerir os negócios até lá? 

Essa rápida análise pode parecer pessimista, mas prefiro dizer que é verdadeira. Recomendo algumas ações para a melhoria da gestão dos negócios. Temos de, antes de tudo, ser verdadeiros e francos sobre tudo que ocorre ao redor: acionistas, funcionários, sindicatos, fornecedores, governo, clientes e comunidade em geral. É assim que apoiaremos o desenvolvimento coletivo. Não fujamos desse importante papel. Demora, mas ainda que lá na frente, os resultados virão.

Um segundo e primordial ponto é o engajamento das equipes. Pode parecer jargão, mas confesso que não vejo isso como uma máxima na gestão de muitas empresas com as quais tenho contato no exercício como consultor e conselheiro. Em várias estruturas ainda presencio arrogância e egos se sobrepondo. Está errado! É hora de humildade, de união, de ouvir, de compartilhar ideias e ideais, de jogar junto. 

Uma terceira recomendação diz respeito à revisão dos negócios. E aí me refiro ao todo: produtos, canais de venda e de distribuição, tecnologia, gestão, processos, sistemas, estruturas, governança etc. Para tanto, temos de aprender a fazer isso tudo sem apegos. Escrevo isso, pois testemunho o fracasso de diversas organizações por causa do apego. Já participei de diversas reuniões com acionistas, proprietários e até mesmo altos executivos que simplesmente não querem mudar por razões de apego, que ignoram as mudanças ao seu redor, que mantêm laços afetivos a coisas sem mais valia. 

Outra consideração se refere a uma crença que há muito carrego comigo: o Brasil é muito maior do que qualquer crise! Em nosso país, felizmente, ainda temos muito a ser feito. Há oportunidades. Isso é realidade! Basta um fato novo, uma perspectiva diferente, um resgate na credibilidade dos poderes e rapidamente teremos um novo cenário. E temos de estar preparados para novamente surfar a onda. 

Para consolidar meus pensamentos, me valho do que vejo em nossa economia local. O Sul do Brasil é privilegiado. Sofremos como qualquer outra região, é verdade, mas temos capital intelectual diferenciado, terreno fértil para um pujante agronegócio, um mercado interno com poder de compra superior à média nacional e bons exemplos de empresas vitoriosas, mesmo diante de tudo que aí está. Posso assegurar: do Paraná para baixo se fala menos em crise do que em outras paradas. Bom para nós! 

*Gino Oyamada é Consultor de RH e Conselheiro do Grupo Fesap.


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