Lair Hazen: Brasil ainda é campo fértil para Yara

Mesmo com queda nas vendas neste ano, empresa mantém investimentos

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Lair Hanzen Yara

O cenário de 2015 tem se mostrado difícil para a fabricante de fertilizantes Yara Brasil, que ocupa a 15ª colocação no ranking 500 MAIORES DO SUL, elaborado pela AMANHÃ e PwC. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) prevê para este ano uma queda de 5% nas vendas de fertilizantes no Brasil – mesmo recuo estimado pela Yara para a sua produção em 2015. Entre as causas estão a disparada do dólar, que reduziu os gastos dos agricultores com fertilizantes, responsáveis por 30% dos custos de uma produção, e a troca da cultura do milho pela da soja, mais valorizada e que demanda menos adubo. 

Mesmo assim, a Yara, detentora de 25% do mercado nacional, não alterou nenhum dos seus planos de investimento no país. “Existem percalços no curto prazo, mas continuamos apostando forte no Brasil”, destaca Lair Hazen (foto), presidente da Yara Brasil e palestrante do Tá na Mesa desta quarta-feira (28), evento promovido pela Federação Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). A confiança de Hanzen é baseada principalmente no potencial da produção agrícola brasileira em atender a crescente demanda mundial por alimentos. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), em 2050 o mundo terá 9 bilhões de pessoas, o que exigirá um incremento de 60% na produção agrícola.  “O mundo vai continuar puxando a produção brasileira. O Brasil tem uma posição singular, com condições ideais de terra, clima e solo para produzir ainda mais.”, comenta Hanzen.   

Com os investimentos, a Yara pretende aumentar o nível de nacionalização da sua produção no Brasil – atualmente, o país importa 70% dos insumos utilizados para a fabricação de fertilizantes. O primeiro passo para substituir as importações foi dado no ano passado com a compra de 60% da Galvani, mineradora de fosfato, um dos componentes básicos para a produção de fertilizante. Cerca de U$S 1 bilhão está sendo destinado para as unidades de Minas Gerais e Ceará, onde a Galvani possui plantas de mineração de fosfato. Mais R$ 1 bilhão está reservado para modernização e expansão da unidade de Rio Grande (RS) com o objetivo de aumentar a produção e o atendimento no Brasil. 

Apesar de ter sido anunciado para este ano, o projeto gaúcho ainda aguarda estudos de viabilidade financeira. “A ideia é que nós utilizemos mais a força instalada aqui no sul e exporte para outros estados. Mas fertilizante é uma commoditie com margem muito baixa e tem muito custo tributário na comercialização. Precisamos de maior viabilidade para cruzar fronteira”, afirma Hanzen sobre o investimento que deve ser concretizado somente em 2016 quando, conforme avaliação da Yara, o mercado brasileiro de fertilizantes deve se recuperar e voltar a crescer a média de 6% que registrou nos últimos 20 anos. 



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