Artecola: o impulso que vem de fora

Presente em sete países, empresa colhe os frutos da internacionalização

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Eduardo Kunst, presidente da Artecola

Assim como para tantas outras companhias brasileiras, o mercado doméstico não anda nada animador para as Empresas Artecola. Quase todos os setores atendidos pela fabricante química reduziram seus volumes de pedidos em 2015. Além disso, a MVC, uma das três empresas do grupo, sofre com a inconstância de pagamento do governo federal, seu cliente em um projeto de infraestrutura. Isso deverá afetar diretamente o resultado consolidado da empresa gaúcha cujo faturamento ficará um pouco abaixo do R$ 1,07 bilhão atingido ano passado.

O impacto só não é maior nas contas graças a uma estratégia de diversificação de mercado e de negócios adotada há 15 anos. Até os anos 1990, praticamente todo o portfólio da empresa de Campo Bom (RS) atendia às necessidades do setor calçadista. Desde então, a Artecola se desdobrou em três empresas, passando a produzir, além de adesivos e laminados (Artecola Química), plásticos de engenharia (MVC) e equipamento de proteção individual (Arteflex). Neste período, a fabricante gaúcha também fincou raízes em outros países e tornou-se uma multinacional.

Em 2014, as vendas nos países onde possui unidades próprias (México, Colômbia, Chile, Peru, Argentina e China) superaram pela primeira vez aquelas obtidas em território nacional e, no exercício atual, devem representar 60% do faturamento da Artecola Química, único braço do grupo presente no exterior. E são esses países que deverão sustentar os 15% previsto de crescimento na receita da Artecola Química. Afinal, enquanto o mercado brasileiro patina, a receita em países como Argentina e México deve crescer cerca de 30% este ano.

A resposta internacional tem sido tão positiva que, no ano que vem, o grupo pretende operar pela primeira vez com outra empresa do grupo em solo fora do Brasil. A MVC terá uma unidade na Argentina, numa joint-venture com uma companhia local e outra norte-americana. Ainda sem ter o valor do investimento revelado, a fábrica deve começar a operar no primeiro semestre. Outro grande investimento do próximo ano ocorrerá também fora do Brasil: a construção de uma nova fábrica da Artecola Química na Colômbia, que, juntamente com o México, forma um dos mercados mais fortes da empresa gaúcha no exterior. 

A Artecola Química tornou-se um exemplo de sucesso em internacionalização, o que a coloca, volta e meia, como destaque em rankings que avaliam o nível de internacionalização das multinacionais brasileiras. Neste ano, por exemplo, o Ranking das Multinacionais Brasileiras elaborado pela Fundação Dom Cabral classificou a gaúcha como a sétima empresa brasileira mais internacionalizada do país. No entanto, para as empresas que o procuram com a intenção de seguir o mesmo caminho da Artecola, Eduardo Kunst (foto), presidente executivo do grupo, costuma deixar a dica: “Este é o momento errado. A internacionalização tem que ser uma decisão estratégica de longo prazo e não motivado por um momento ruim da economia brasileira”. Kunst ressalta que a expansão além-fronteiras é um projeto que demora a proporcionar resultados e que demanda muito investimento – o que, no cenário atual, pode deixar as empresas que se precipitarem ainda mais fragilizadas.

Planos nacionais
Para o Brasil, as Empresas Artecola reservou planos mais modestos e que se adaptem à realidade do mercado atual. O grupo quer intensificar as vendas em segmentos que se mostrem mais resistentes à crise.E um deles, segundo Kunst, é o varejo. “A fabricação de veículos novos, por exemplo, vai continuar pequena. Porém, a revenda, o after market, vai continuar mais ativo. Isso é um exemplo para quase todo o segmento de indústria. Então, vamos reforçar nossa atuação no consumo”, explica. 

No Brasil, o segmento industrial ainda é responsável pela maior parte das vendas da Artecola, enquanto em países como Chile e Colômbia a representatividade no faturamento é quase a mesma das vendas para o consumidor final.  Kunst vê nesse desequilíbrio uma oportunidade de avanço para a empresa no cenário doméstico. “A velocidade de crescimento [do consumidor final] é significativa aqui. Estamos trazendo a tecnologia, o conhecimento e o portfólio de produtos de lá de fora para implementar aqui e acelerar esse crescimento”, salienta. A Artecola pretende também desenvolver uma linha de produtos “premium”, que tenham maior valor agregado. Por exigirem mais tecnologia e serem mais inovadores, serão mais caros. Em compensação, devem reduzir o custo final dos clientes pela sua eficiência.

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