Souza Cruz vai deixar saudades na BM&FBovespa

Companhia sempre foi conhecida como uma ação defensiva

Por Infomoney

Unidade da Souza Cruz

Para muitos investidores o sentimento é de velório na BM&FBovespa. Com um leilão de OPA (Oferta Pública de Aquisição) ocorrido na quinta-feira (15), a Souza Cruz (foto) teve cerca de 90% de suas ações adquiridas pela British American Tobacco (BAT), o que praticamente sepulta a participação da companhia na Bolsa. Conhecida como uma companhia com perfil defensivo, a fabricante de cigarros com unidade no Sul se tornou uma das ações preferidas do mercado – principalmente de investidores pessoa física – por ser uma das maiores distribuidoras de dividendos da Bolsa, distribuindo cerca de 97% do seu lucro. 

Para James Gulbrandsen, sócio gestor da NCH Capital, a Souza Cruz "já faz falta". Líder do mercado, com cerca de 78% das vendas no Brasil, a companhia era única, segundo ele. "É uma pena que não conseguimos proteger os minoritários", lamenta Gulbrandsen, que aponta a Souza Cruz como a melhor empresa da história da BM&FBovespa. "O preço que ela foi vendida é absurdo. Foi muito barato", ressalta o gestor ao lembrar que como grande parte de seus acionistas são estrangeiros, o preço precisa ser analisado em dólar ou em libras britânicas (a oferta saiu em torno de 5,04 libras esterlinas).

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A Souza Cruz sempre foi conhecida como uma ação defensiva dado sua receita recorrente, com custos baixos e sem grande exposição às variações econômicas e políticas do país. Alguns analistas acreditam que esse já não era um papel tão bom para se investir já que o domínio de mercado também limita o crescimento da companhia. Mas Gulbrandsen afirma que isso deixa de ser importante dado que a Souza Cruz já possui um negócio robusto e muito bem estruturado, o que acaba gerando sempre resultados sólidos.

O gestor explica que os minoritários "perderam" a briga com a BAT no momento em que foram alterados os preços da oferta para que a Aberdeen Asset Managers Limited e a Aberdeen Asset Investments Limited aceitassem o negócio. No leilão foram movimentados R$ 9,3 bilhões, com 342.956.819 ações das 377.954.783 sendo adquiridas pela BAT, ao preço de R$ 27,20 cada. Inicialmente a oferta era comprar as ações por R$ 26,75.

No fim, o negócio se mostrou muito positivo para a BAT, que pagou barato pelos papéis em um momento de dólar alto em relação ao real. Já os investidores perderam o melhor investimento da Bolsa. A questão agora é para onde vai o dinheiro que estava na Souza Cruz?


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