Maior shopping de Curitiba mira em consumidor desatendido

Jockey Plaza está em construção na Linha Verde, novo eixo urbanístico da capital paranaense. Investimento é de R$ 650 mi

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

Projeto do Jockey Plaza Shopping Center, o primeiro no bairro Tarumã, no norte de Curitiba

Três grupos paranaenses apresentaram nesta quinta-feira (15) o projeto do Jockey Plaza Shopping Center (foto), o primeiro no bairro Tarumã, no norte de Curitiba, área de baixa oferta comercial e alta densidade populacional, bem próxima à divisa com outros municípios da Grande Curitiba. A região vive uma intensa transformação urbanística com a implantação de um corredor viário de grande capacidade, a chamada Linha Verde. 

O investimento de R$ 650 milhões é feito com recursos próprios, segundo Aníbal Tacla, presidente do Grupo Tacla Shopping, que lidera o empreendimento, com 45% de participação. As empresas Casteval e Paysage, incorporadores imobiliários, detêm 22,5% cada uma. Os 10% restantes pertencem ao Jockey Club do Paraná, que vendeu 95 mil metros quadrados de sua área para a construção do shopping.

As obras das fundações começaram em abril e a inauguração está marcada para outubro de 2017. O primeiro esforço de vendas, ainda sem campanha publicitária, resultou em compromisso de locação de metade da área disponível, ou cerca de 30% das 420 operações. O resultado atende ao cronograma inicial e ainda não foi afetado pelo agravamento da crise econômica.

“Quando inauguramos o Shopping Palladium, em 2008, estávamos no meio da crise mundial. No caso do Crystal, construído entre 1992 e 1996, enfrentamos o impeachment do Collor e quatro mudanças de moedas enquanto fechávamos os contratos de locação: a URV, o Real e outras de que nem lembro o nome”, disse Tacla. Os investidores confiam que o país deve superar as dificuldades mais agudas nos próximos dois anos.

Nem os dados de queda na performance do varejo e cortes em operações como a das Casas Bahia, anunciados na véspera, assustam. “O segmento de eletroeletrônicos cresceu muito no ano passado com os recursos que o governo pôs no Minha Casa Melhor. Esse ano, esse dinheiro não existe, o que contribuiu para a queda nas vendas. E é esperado que uma rede com centenas de lojas feche aquelas que têm resultado mais fraco.”

A aposta dos sócios no empreendimento está baseada em sólidos estudos de demanda. “O shopping está sendo construído porque existe demanda forte na região. Ela hoje está isolada comercialmente do resto da cidade. Calculamos um potencial de 1,3 milhão de visitantes por mês”, acrescenta Tacla. O empresário viveu a mesma experiência ao construir o Shopping Palladium, no bairro Portão, zona sul da cidade. A estratégia foi semelhante: instalar-se numa região desatendida e exercer influência sobre os consumidores dos municípios vizinhos.

O perfil do consumidor também deve ser parecido, voltado para as faixas médias de renda. A área primária de influência, num raio de cinco minutos de deslocamento, tem 50% dos moradores de perfil econômico A e B, e 37% na faixa C.  “A definição do perfil leva em conta a área de influência e o mix de lojas. Se ambos estiverem de acordo, temos o melhor resultado”, reforçou Aníbal Tacla, cujo grupo responde por oito empreendimentos no Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo. Além do Jockey Plaza, investe em um shopping em Foz do Iguaçu, e em dois outlets. O de Porto Belo, no litoral catarinense, é da bandeira Premium e deve ser inaugurado no ano que vem. O City Center Outlet será em Campo Largo, na Grande Curitiba, ainda sem previsão.

O maior
A construção de 217 mil metros quadrados, com 60 mil de área bruta locável, garante ao Jockey Plaza a primeira posição entre os maiores malls de Curitiba. Serão 420 lojas em dois pisos, incluindo 18 âncoras – entre as quais, Renner, C&A, Kalunga, Livrarias Curitiba e Cinépolis -, 21 megalojas, 28 fast foods e oito restaurantes, mais sete salas de cinema Multiplex Stadium, com 1.480 lugares. Dois pisos de estacionamento coberto e uma área aberta somarão 4,2 mil vagas.

O projeto arquitetônico do Jockey Plaza estreou ganhando prêmio. Em agosto, venceu o XII Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa, na categoria shopping center, escolhido entre 32 candidatos. O arquiteto Manoel Dória, do escritório Dória Lopes Fiuza, explica que o desenho respeita as características da região – de ocupação horizontal, sem edifícios altos – e do vizinho tombado pelo patrimônio histórico, que lhe empresta o nome, o Jockey Club do Paraná. Uma das duas faces principais se volta para a pista de corridas do hipódromo, e o caminho do usuário tem formato de 8, com corredores amplos e iluminação natural. “A arquitetura é uma das grandes âncoras para reter o consumidor. Ele também consome lazer e cultura.”

Além de exigir a construção de uma trincheira na Linha Verde, asfaltamento e outras obras de mitigação do impacto do shopping, a prefeitura determinou que os investidores comprassem certificados de potencial construtivo em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, que somaram R$ 22 milhões.


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Gabriel Flizikowski

Comentários afirmam que teremos uma pista de 2.400 metros para clientes assistirem de dentro do shopping boas corridas de cavalos e sentirem as emoções de apostas. Vai incrementar atividades de criadores.

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