Grau de investimento ou não: a questão para o Brasil

Segundo a Moody´s, o país é mais forte que a Rússia e a Croácia

Por Infomoney

Em conferência realizada nesta terça-feira (6) em São Paulo, o vice-presidente e diretor de crédito sênior da Moody’s, Mauro Leos (foto), afirmou que a grande questão agora é o grau de investimento para o Brasil. "Grau de investimento ou não, essa é a questão para o Brasil". A Moody's tem classificação Baa3 para o rating do Brasil, a um degrau acima do grau especulativo. De acordo com Leos, essa classificação mostra como a agência vê o Brasil, destacando que o país é mais forte que a Rússia e a Croácia, por exemplo.

De acordo com Leos, a falta de consenso político e o aumento dos déficits fiscais podem levar ao corte do rating para "junk", assim como baixo crescimento. O analista lembrou ainda que a Croácia perdeu o grau de investimento por uma relação entre alta dívida e baixo crescimento. Enquanto o Brasil corre riscos, por outro lado, as grandes reservas internacionais são o ponto forte, assim como a pouca dívida local com estrangeiros, da mesma forma como a baixa exposição do governo ao câmbio. Já a tendência da dívida no Brasil, cujo peso é um dos elos fracos do país, é de alta. Para Leos, a dívida do governo deve ficar em 68,5% do PIB entre 2015 e 2018, enquanto a expectativa é de um superávit primário médio de 0,6% no mesmo período. 

Leos espera um PIB médio de queda de 0,3% entre 2015 e 2018 para o Brasil. Hoje, a Moody's divulgou relatório destacando que a deterioração da situação fiscal, turbulência política e a investigação da Lava Jato em curso continuarão a afetar negativamente a qualidade de crédito de emissores em ambos os setores público e privado até o próximo ano. "Não vemos como a posição fiscal do Brasil pode melhorar no curto prazo, dada a falta de consenso político, que tem impedido a administração atual de entregar superávits primários grandes o suficientes para conter o aumento da proporção da dívida do governo”, argumenta Leos.


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