As estratégias da Sepac para enrolar a crise

Fabricante de papel sanitário quer conquistar novos mercados

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Oswaldo Ramos Junior, gerente regional de vendas para a região sul da fabricante de papel sanitário Sepac

Oswaldo Ramos Junior (foto), gerente regional de vendas para a região sul da fabricante de papel sanitário Sepac, se recorda até hoje da reunião presidida por João Dias Ferreira, proprietário da companhia, há cerca de um ano. Na ocasião, o fundador alertou que 2015 seria um período de muita turbulência na economia. Ferreira tinha participado de uma palestra com banqueiros em São Paulo onde o cenário ruim havia sido descortinado. “Como será um ano ruim, vamos crescer com a crise – e não ser reféns dela”, anunciou. Hoje, ainda com todos os percalços da conjuntura econômica, a empresa deve superar a receita de R$ 500 milhões, valor 7,5% maior do que o alcançado em 2014. Além disso, o mantra de Ferreira ganhou corpo nos últimos três anos, período que a companhia investiu R$ 240 milhões em sua linha de produção, entre outras frentes.

 Em parte, o bom resultado da empresa é fruto do segmento onde trabalha. “Costumamos dizer que se o brasileiro estiver consumindo muito, acabará comprando nossos produtos. Caso esteja triste por não poder adquirir o que queria, também precisará do que fabricamos. Ou seja, em um cenário de crise ou de bonança, o destino final está garantido”, brinca Ramos Junior ao recordar que, além de papel higiênico, a companhia também produz guardanapos e papel toalha. Com sede em Mallet, a 210 quilômetros de Curitiba, a empresa é líder de mercado nos três estados do Sul e a quarta maior do Brasil. A indústria é detentora das marcas de papéis higiênicos Duetto, Paloma, Maxim e Stylus. 

Mais recentemente, a Sepac também tem conquistado novos mercados como o interior paulista, Goiás, Maranhão, Tocantins e Acre. Como forma de ganhar competitividade, principalmente em São Paulo, onde passou a atuar com mais afinco em 2012, a companhia tem procurado não repassar aos clientes o custo de alguns itens. No Paraná, por exemplo, a energia elétrica sofreu um aumento de 85% entre dezembro de 2014 e julho deste ano. A celulose, matéria-prima básica principal para a Sepac, teve um reajuste de 40% no ano – sem contar que a commoditie, precificada em dólar, sofre as agruras da recente desvalorização do real frente à divisa norte-americana. “Do ano passado para cá, houve um pequeno repasse de preços. Porém, ele já foi todo consumido pela variação cambial, alta no custo da energia elétrica e outros derivados necessários para a produção de papel. Desta forma, a companhia vem arcando com a redução de margem para subsidiar a manutenção da política comercial”, admite Ramos Junior.

Para o próximo ano, a perspectiva é que os investimentos continuem a todo vapor. Um dos projetos é aumentar a capacidade fabril da empresa. O valor do aporte, no entanto, ainda está em estudo. A planta de Mallet produz 3,5 milhões de rolos de papel higiênico por dia, o equivalente ao consumo de toda população de Porto Alegre por uma semana. No que depender dos hábitos dos brasileiros, e dos moradores do Sul em especial, a Sepac tende a aumentar seus ganhos. De 2009 para cá, por exemplo, houve migração para o papel higiênico de folha dupla, de melhor qualidade – e, claro, margens maiores. O brasileiro também está se acostumando a utilizar toalhas de papel no lugar dos panos de prato – um hábito muito comum entre os norte-americanos. Porém, 90% do faturamento da companhia é fruto do papel sanitário. Pelo menos metade das vendas está concentrada na região Sul. No total, a empresa paranaense tem uma carteira de 1800 clientes ativos no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, entre eles grandes redes de supermercado e até mesmo cooperativas.



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Anderson Gustavo Grenteski

É com coragem e inteligência que grandes empresas se destacam no setor, "mesmo em momento de crises".

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