Recessão compensará impacto da alta do dólar nos preços

Para o BC, o consumo também tende a crescer em ritmo menos intenso

Por Agência Brasil

Dólar alcança a cotação de R$ 4,21

"As reservas são um seguro que pode e deve ser utilizado". A declaração do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, durante a apresentação do Relatório de Inflação nesta quinta-feira (24), foi suficiente para acalmar os ânimos do mercado financeiro e colocar o dólar, pela primeira vez em cinco dias, em trajetória descendente. A moeda, que chegou a bater R$ 4,24, fechou o dia a R$ 3,99, uma queda de 3,73%.  O BC anunciou ainda um programa de intervenção no mercado de títulos públicos, com o objetivo de conter a forte volatilidade dos juros observada nos últimos dias. O anúncio colaborou para que o Ibovespa equilibrasse os quatro últimos pregões consecutivos em baixa e apresentasse uma leve alta nesta quinta, 0,02%. Tombini também reforçou que o Tesouro tem uma série de instrumentos à disposição para controlar a disparada do dólar, que apesar do desempenho desta quinta, ainda está bastante valorizado frente ao real, provocando preocupações em relação ao aumento dos preços.

A recessão econômica deve compensar o impacto da alta do dólar nos preços, de acordo com a avaliação do BC divulgada no Relatório de Inflação. Segundo a autoridade monetária, "o cenário recessivo da atividade econômica deve contribuir para a redução da trajetória da inflação de preços livres no restante deste ano, mais que compensando o impacto dos choques cambiais". 

O BC também cita como fatores de compensação as perspectivas mais fracas para a economia em 2016, o atual nível de estoques de produtos e o melhoras nos preços de commodities (produtos primários com cotação internacional) e a taxa básica de juros, a Selic, elevada por sete vezes seguidas.

O dólar esteve em alta nos últimos dias. A moeda mais cara afeta a inflação porque torna produtos importados mais caros. Mas o BC avalia que – com a economia em queda – esse repasse do câmbio para a inflação deve ser menor. No relatório, o BC também avalia que, “depois de um período necessário de ajustes, que pode ser mais intenso e mais longo que o antecipado, o ritmo de atividade tende a se intensificar”. Para que isso aconteça, o BC destaca que é preciso melhorar a confiança das empresas e famílias.

O BC também considera que, no médio prazo, o consumo tende a crescer em ritmo menos intenso e os investimentos devem ganhar impulso. No cenário externo, o BC avalia que o crescimento da economia global, mesmo moderado, combinado com a alta do dólar, deve levar ao reequilíbrio das contas externas e ao crescimento sustentável da economia brasileira. O BC também destaca que, “em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária”. O setor de serviços, por sua vez, "tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes”, avalia o BC.


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