Dólar pode chegar a R$ 5, aposta Société

Isso acontecerá se crise política se intensificar

Da Redação, com Infomoney

Dólar chega a valer R$ 4,14

Nem mesmo a vitória parcial do governo, que conseguiu em votação no Congresso a manutenção da maioria dos vetos da presidente Dilma Rousseff em pautas consideradas fundamentais para o sucesso do ajuste fiscal, foi suficiente para controlar os nervos do mercado financeiro nesta quarta-feira (23). O Banco Central chegou a realizar dois leilões - um de linha de dólar com compromisso de recompra e outro de swap cambial - para reduzir a volatilidade do câmbio, mas a moeda-norte americana teve mais um dia de alta e chegou a R$ 4,146, alta de 2,28%. Com o mercado ainda mais avesso ao risco, a Ibovespa teve queda de 2%.

Com isso, há quem aposte que o dólar ainda tenha fôlego para subir ainda mais. Uma das instituições que prevê esse cenário é o banco francês Société Générale que já era um dos mais pessimistas sobre as projeções do real. Para os analistas do banco, o dólar pode chegar a impensáveis R$ 5 caso a crise política se intensifique.

Foi dessa maneira que avaliou o diretor de equipe de mercados emergentes do banco, Bernd Berg, em entrevista ao jornal O Globo. Vale ressaltar que, um dia após o rebaixamento do Brasil para "junk" pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, em 9 de setembro, o Société afirmou esperar que o dólar chegasse a R$ 4,40 nas oito semanas seguintes.

De acordo com Berg, a disparada do real será desencadeada pelo iminente rebaixamento da nota soberana por uma das outras grandes agências de classificação de risco: a Fitch Ratings e/ou a Moody's. Na semana passada, rumores de que elas iriam rebaixar a nota do Brasil já repercutiram na nota.

“Dá para ver que o governo está em pânico, tentando evitar um segundo downgrade, pois sabe que isso resultará em uma grande saída de capitais do país. Mas sou cético quanto à aprovação dessas novas medidas no Congresso, sobretudo da CPMF. Então, vejo pouco efeito prático nesse pacote", comentou Berg sobre o novo pacote fiscal.

Ao ser perguntado sobre se o dólar poderá bater os R$ 5, ele afirmou que o momento é negativo para o mercado de moedas emergentes e que essa situação piorará nas próximas semanas. Berg ressalta que o Fed adiou mais uma vez a alta de juros e que isso pode gerar um certo alívio, mas permanece a incerteza quanto à elevação, enquanto os dados da China continuam se deteriorando.

Ele destaca ainda que as próximas semanas serão de muita turbulência e o real é a moeda mais vulnerável hoje. "Então, repito que é possível vermos o câmbio em R$ 4,40 a curto prazo. Já o dólar a R$ 5 é, sim, uma possibilidade para o fim do ano, se virmos uma intensificação da crise política", aposta. Ele ressalta que hoje a situação política é muito turbulenta e que os investidores internacionais não confiam no governo.


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