Acionista da Ambev deve comemorar ajuste fiscal

Uma medida específica pode trazer valorização das ações da cervejaria

Por Infomoney

Fábrica da Ambev

O aumento de impostos contido no "pacotão" de ajuste fiscal gerou grande revolta das pessoas que ficaram descontentes principalmente com a possibilidade de volta da CPMF. Mas os acionistas da Ambev (foto), no entanto, terão motivos para comemorar por causa de quatro palavras mágicas: juros sobre capital próprio.

Muito se especulou nos últimos meses sobre uma possível extinção do benefício fiscal conhecido como JCP, uma espécie de distribuição de dividendos que é tratada como despesa e, por isso, reduz a base tributável do lucro da companhia. No "pacotão”, o governo divulgou que aumentará o imposto sobre esse provento para os acionistas de 15% para 18%. Em um primeiro momento parece ser algo ruim, mas não é nada comparado ao impacto que ocorreria se Levy simplesmente tomasse o microfone e dissesse que a partir de então não existiria mais JCP.

No relatório assinado pelos analistas Fábio Levy e Bernardo Teixeira, o BTG Pactual imagina que, ao contrário do que se poderia pensar, as ações de grandes distribuidores de JCP serão beneficiadas, uma vez que elas já caíram muito nos últimos meses com investidores precificando o fim do provento. O cenário não ideal, mas melhor do que o esperado, deve trazer uma correção para esses papéis. "Em um cenário de extinção total, os grandes pagadores de JCP veriam seus lucros caírem 8%, em média. Sob as novas regras, o impacto será de apenas 3%", afirmam os analistas. Eles citam Porto Seguro (PSSA3), Duratex (DTEX3), Ambev, BRF (BRFS3), bancos e Telefônica (VIVT4) como os fortes distribuidores dos proventos que verão correção a partir de agora.

Na mesma linha vai o Deutsche Bank, que em relatório assinado por Jose Yordan e Katina Metzidakis, descreve que o impacto na taxa de imposto paga pela cervejaria caso houvesse o fim dos JCP seria de um aumento de 18% para 28%. Já as novas medidas anunciadas – mesmo a que reduz o teto de dedutibilidade pelos juros sobre capital próprio de 6,5% da multiplicação do lucro retido pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para 5% da mesma expressão – não devem ter impacto no caso da Ambev, já que a companhia possui lucros retidos estáveis. Ou seja, o horizonte para a cervejaria depois das medidas, se não ficou totalmente claro e tranquilo, pelo menos teve retiradas algumas pesadas nuvens.

Vale lembrar, apesar disso, que mesmo com o ambiente positivo em um primeiro momento, é difícil saber se as regras propostas terão apoio político o bastante para serem aprovadas no Congresso. Além disso, nada impede que no longo prazo a forte necessidade de mais receitas pelo governo não traga de volta à mesa a proposta do fim dos JCP. O Deutsche Bank, sob estas mesmas justificativas, manteve sua recomendação para Ambev como neutra.

 

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