Quatro cenários para o dólar após o rebaixamento do Brasil

Analistas projetam cotação da moeda norte-americana para este ano

Por Infomoney

dólar

Já era comum ver analistas indicando que o dólar chegaria - e até ultrapassaria - os R$ 4,00 ainda neste ano. Com o corte do rating do Brasil na quarta-feira (9) pela Standard & Poor's, algumas casas de análise atualizaram suas projeções e mostram que esta trajetória ascendente da moeda norte-americana frente ao real é praticamente inevitável. Confira abaixo as novas projeções:

Société Générele

Em relatório, o Société Générale afirma esperar que o dólar chegue a R$ 4,40 nas próximas oito semanas. "Nós esperamos que o rebaixamento para abaixo do grau de investimento será um gatilho para saída de capital com os investidores estrangeiros ajustando os seus portfólios", avalia a equipe do banco. "Nós esperamos turbulências significativas e volatilidade excessiva no câmbio nos mercados locais hoje e na semana", afirma.

Além disso, os analistas do banco ressaltam que o risco de rebaixamento por outras agências como Moody's e Fitch aumentou significativamente.

JP Morgan

O banco de investimento JP Morgan prevê que o real chegará a R$ 4,10 até o final de 2015 e a R$ 4,35 até o final de 2016. Ambos os valores previstos pela JP Morgan ficam bem acima do boletim Focus do Banco Central, que reúne a previsão de economistas e instituições financeiras. A expectativa divulgada na terça-feira, antes do rebaixamento, era de que o real fecharia em R$ 3,60 em 2015 e R$ 3,70 em 2016.

"O crescimento potencial do PIB brasileiro deve diminuir, dada a volatilidade macro, fazendo com que seja mais difícil para os agentes econômicos planejar investimentos", diz o relatório. A falta de capacidade para atingir o equilíbrio fiscal pode deteriorar o controle da inflação, pondo em risco a política monetária esperada para 2016.

Itaú Unibanco

Em relatório intitulado "Brasil: Enfrentando o furacão", o Itaú afirma que "a piora do cenário econômico tem impactos importantes sobre a disponibilidade de financiamento externo nos próximos anos, elevando o risco-país e exigindo um ajuste ainda mais rápido nas contas externas".

Com isso, Ilan Goldfajn, economista-chefe do banco, elevou sua projeção para a taxa de câmbio para R$ 4,00 por dólar no fim de 2015, e para R$ 4,25 para o fim do próximo ano.

Nomura

A corretora japonesa Nomura, que na semana passada já havia revisado sua previsão para o dólar para R$ 4,00 no final de 2015, ressaltou que sua expectativa se mostra otimista com o rebaixamento do Brasil. Segundo o analista João Pedro Ribeiro, porém, há espaço para mais intervenções no câmbio via linhas de recompra de dólar, que podem ser ampliadas para conter o esperado enfraquecimento do real.

"A probabilidade de aumento de juros agora aumentam, embora ainda vemos como baixa essa possibilidade", afirmou a Nomura.  O timing e a perspectiva negativa da S&P surpreenderam, afirmou o analista, que destaca que, no front político, o downgrade pode ter impacto positivo de curto prazo, mas isso seria limitado.


leia também

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A punição virá das gôndolas? - A tentativa de boicote às marcas do Grupo J&F

Ação da Braskem segue quebrando recordes - Alta do dólar e queda dos preços do petróleo beneficiam empresa

Agência Fitch rebaixa rating do Brasil - País tem grau de investimento, mas com perspectiva negativa

Agosto, o pior mês do ano para o Ibovespa - Bolsa acumula queda de 24,6% e dólar comercial totaliza alta de 33%

Ano novo, vida nova? Nem tanto - O cenário econômico brasileiro deve permanecer instável em 2016

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: