Governo discute redução de despesas com o Congresso

Joaquim Levy declarou que não há espaço para muitos cortes

Da Redação

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Joaquim Levy, ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy (foto), concedeu coletiva na tarde desta quinta-feira (10) após se reunir pela manhã com a presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer e outros ministros. Levy declarou que o governo tem uma estratégia que permitirá criar uma "ponte fiscal" até que se chegue ao momento mais favorável da economia. A partir desse momento, sublinhou ele, começará a aparecer o resultado das reformas estruturais que estão sendo colocadas em prática.

“A estratégia prevê visitar de forma sistemática os gastos previstos do Orçamento de 2016, buscando melhora de eficiência e corte de despesas obrigatórias, como o seguro defeso, pago aos pescadores. E como o espaço para corte de despesas discricionárias não é tão grande também devemos olhar algumas outras possibilidades”, afirmou. Porém, até agora, Levy não apresentou nenhuma nova redução de despesa ou citou possíveis fontes de receitas. “Essa é uma equação que ainda está sendo construída e debatida com o Congresso”, declarou. 

Levy também disse que o Orçamento de 2016 mostra que já há esforço de corte de despesas. “O governo tem muita economia e tem mostrado disciplina fiscal. O governo já está cortando na carne este ano, ao economizar R$ 80 bilhões em relação ao autorizado pelo Congresso”, contou. 

Levy tem convicção que a perda do grau de investimento possa gerar um “estímulo adicional” para que o país conclua o processo de reequilíbrio da economia, que, segundo ele, já está em andamento. Levy anunciou ainda que até o fim do mês deve ter estruturado os passos necessários para se entregar um superávit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. “Devemos ter esse conjunto de ações divulgados e prontos para votação até o fim do mês de setembro”, disse, mas não forneceu números.

Diferentemente do esperado, Levy não divulgou nenhuma ação prática para corte de gastos públicos. Levy mencionou que o projeto de regularização de capitais brasileiros no exterior é “medida importante”, pois vai destravar os investimentos nos Estados e permitir a reforma do ICMS. 


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