Sua vida após a perda do grau de investimento do Brasil

O "junk" não traz bons ventos para o cenário nacional

Da Redação, com Infomoney

O que muda na sua vida com a perda do grau de investimento do Brasil?

Em uma decisão que surpreendeu muita gente, a agência de classificação de risco Standard & Poor's retirou o selo de bom pagador do Brasil ao cortar o rating do país para "BB+" ante "BBB-", um nível conhecido como “junk”. Além disso, a S&P sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva negativa para a nota de crédito brasileira. O fato já teve repercussão imediata na BM&FBovespa. Passado do meio-dia, o Ibovespa somava uma queda de 1,4% aos 46.022 pontos. O dólar comercial, no mesmo horário, era cotado a R$ 3,8820, alta de 2,2%. Com a alta da moeda norte-americana, o Banco Central (BC) decidiu fazer mais um leilão de venda, com compromisso de comprar novamente a divisa no futuro. No chamado leilão de linha, o BC venderá até US$ 1,5 bilhão. Pela manhã, foi convocada pela presidenta Dilma Rousseff uma reunião para discutir o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. O encontro terminou por volta de 11h30. Não houve declarações após a reunião, mas o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dará uma entrevista coletiva no começo da tarde para comentar as medidas que o governo estuda tomar após a avaliação. Depois dessa notícia, a Bolsa voltou a subir enquanto o dólar era cotado a R$ 3,84.

Standard & Poor's corta rating de longo prazo do Brasil para grau especulativo 

A notícia do corte de rating é ruim e isso é bem claro para todos. Afinal, o mercado brasileiro, com o Ibovespa e o dólar, já vinha precificando esse cenário negativo. A recessão econômica e as dificuldades para conseguir o superávit primário no ano que vem também já apontavam que isso poderia acontecer. Mas afinal, o que isso muda no dia a dia das pessoas?

Vale ressaltar que muitos investidores estrangeiros têm como premissa aplicar em países que têm o grau de investimento atestado pelas principais agências de classificação de risco. Além de S&P, fazem parte da lista a Fitch e a Moody's. Assim, sem o grau de investimento, o Brasil pode perder o capital de muitos investidores que deixariam de aplicar no país. Além disso, uma saída de capital pode levar a uma alta ainda maior do dólar, que já havia registrado o maior ganho em 12 meses desde 1999.

Os produtos importados podem ficar mais caros, elevando os preços em muitos setores que importam muito e gerando alta da inflação. Mesmo que não signifique que empresas deixem o Brasil, muitas delas podem ver o risco aumentar em relação às perspectivas de retorno, corroborado ainda pelo cenário de baixo crescimento econômico, com o mercado apontando para uma queda do PIB neste ano de 2,5%. O que isso pode levar é um ambiente de deterioração ainda mais rápido no mercado de trabalho, que já vem apresentando baixas. O desemprego ficou em 8,3% no primeiro semestre, segundo dados do IBGE.

Sem o selo de bom pagador, o Brasil terá de oferecer um prêmio maior ao mercado para fazer captações, agora de maior risco. O valor captado terá um custo mais alto, o que deve fazer com que o governo tenha de conter despesas para mostrar que pode ajustar as contas. Os juros dos títulos públicos devem subir e deve acontecer o mesmo para os consumidores. Assim, em um cenário que vem minando o apetite de investidores, a perda do selo de bom pagador eleva os custos de financiamento para o governo e as empresas locais, assim como pode reduzir o fluxo de entrada de dólares no país. Infelizmente, o cenário de deterioração parece estar apenas começando.


leia também

Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida - Ex-presidente afirmou que recorrerá contra o que chamou de “fraude”

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A estabilidade do funcionalismo público é mesmo necessária? - O tema é particularmente importante no contexto de ajuste fiscal, avalia Zeina Latif

A punição virá das gôndolas? - A tentativa de boicote às marcas do Grupo J&F

A responsabilidade do Congresso - O cuidado com os recursos públicos e o respeito à restrição orçamentária deveriam ser valores da casa, opina Zeina Latif

A superfície e as profundezas da economia - Retomada poderá ser difícil dada a situação financeira empresarial

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: