Nelson Silveira: o fim da mídia tradicional está próximo

Redução do investimento em fotografia é um sinal, diz diretor da GM

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

Nelson Silveira, diretor de Comunicação da GM no Brasil

O diretor de Comunicação da GM no Brasil, Nelson Silveira (foto) revelou que a estratégia de comunicação da montadora está alicerçada no engajamento, audiência e compartilhamento de ideias por meio das mídias digitais. Silveira participou na terça-feira (1º) do “Bom Dia Associado”, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA). Em um cenário que gera mensagens fragmentadas, Silveira destacou que a pretensão da multinacional é produzir conteúdo em formatos inovadores e customizados para audiências específicas.

“Hoje, além de tráfego de informação, a internet gera renda”, apontou o executivo ao observar que o número de assinantes digitais dos jornais norte-americanos supera a de jornais físicos. “O grande desafio ainda está em precificar os anúncios”, declarou. Silveira acredita no fim da mídia tradicional nos próximos anos. “Estudiosos dos Estados Unidos projetam que em 2050 não haverá mais jornais por lá. Aqui no Brasil as pesquisas apontam para 2027”, observou, ao dizer que os primeiros sinais aparecem com a redução de investimento no serviço de fotografia. Com o smartphone, lembrou ele, as pessoas capturam imagens instantâneas e produzem vídeos em tempo real.

Ao recordar que o brasileiro navega cerca de 30 horas por mês na Internet e está no quinto lugar no ranking mundial de audiência, o diretor de comunicação da GM alerta que as grandes companhias de mídia precisam de novos formatos editoriais. Para o futuro, ele projeta que serão produzidas publicações em tempo real incorporadas aos anúncios.  Antes da palestra, Nelson Silveira concedeu uma entrevista exclusiva ao portal AMANHÃ onde opinou sobre a importância da comunicação corporativa em tempos de recalls frequentes e crise no setor automobilístico.


Diante das dificuldades que a recessão atual do mercado interno impõe às montadoras, como a comunicação corporativa da GM lida com o fato de comunicar medidas amargas como o lay-off em suas unidades, por exemplo? 

A comunicação corporativa precisa encarar a realidade do mercado. Também é função dela agir sempre com ética e transparência. Nesse sentido, os fatos precisam ser divulgados tais como eles são – independente do tamanho do impacto que possam provocar.


Os recalls da indústria automobilística têm sido cada vez mais frequentes. Pode ser um indício de queda no controle de qualidade? 

Os recalls, antes de qualquer coisa, são uma questão de respeito ao consumidor. E em absoluto indicam tendência de queda do controle de qualidade. Hoje, a indústria automobilística está cada vez mais complexa. Os equipamentos de alta tecnologia têm aumentado sua presença tanto no processo de montagem quanto nos componentes dos modernos automóveis que saem das fábricas. A TI embarcada está cada vez mais sofisticada. Veja-se, por exemplo, o MyLink [computador de bordo que integra as funções do smartphone e do sistema multimídia do carro, disponível em algumas linhas da GM].


Como a montadora tem se aproveitado da comunicação com seus clientes via redes sociais? 

Na GM, vemos as redes sociais como um meio de aproximação com o consumidor. Cada uma delas é importante para interagir com os clientes. Procuramos acolher eventuais reclamações e tirar delas as melhores lições. Fazemos isso, claro, sempre com ética e transparência.

  


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