Agosto, o pior mês do ano para o Ibovespa

Bolsa acumula queda de 24,6% e dólar comercial totaliza alta de 33%

Por Infomoney

Ibovespa acumula queda de 24,6% em 2015

O Ibovespa fechou em queda, mas ficou longe da mínima após reduzir perdas com a força de Petrobras e Vale, que ganharam força do bom desempenho das commodities. Contudo, agosto acabou ficando mesmo o pior mês do ano, em uma queda de 8,3% por conta do pânico pela China e das preocupações com as contas públicas. O dado do Orçamento ficou em R$ 30,5 bilhões de déficit para o ano que vem. Com isso, o benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,1%, a 46.625 pontos. No ano, o Ibovespa acumula queda de 24,6%. Já o dólar comercial subiu 1,1% a R$ 3,6271 na venda, ao passo que o futuro para setembro tem alta de 1,7% a R$ 3,646. O dólar comercial, até agosto, acumula alta de 33,6%.

 A proposta do Orçamento da União de 2016, encaminhada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), prevê um déficit primário de R$ 30,5 bilhões no próximo ano, disse o relator-geral do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Além disso, o governo estima que a economia vá crescer 0,2% em 2016 em relação a este ano, enquanto a inflação deva avançar 5,4% no próximo ano. O salário mínimo deve subir para R$ 865,50 de acordo com o projeto. "Esse é o início de um novo ciclo orçamentário", afirmou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, após entregar o projeto ao presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Mesmo após um esforço de contensão de crescimento de gastos, tanto obrigatórios como discricionários, ainda assim não será possível cumprir a nossa meta anterior de resultado primário, que era de [superávit de] R$ 34 bilhões", anunciou, ao justificar a mudança da previsão para um déficit primário de R$ 30,5 bilhões.

Petróleo
Os preços do petróleo viraram para forte alta, apagando as perdas de agosto, depois dos dados de produção de petróleo nos EUA, mostrando uma queda na produção para 9,2 milhões de barris por dia (bpd) em junho, ante 9,4 milhões de bpd em maio e um pico de 9,6 milhões de bpd em abril. O petróleo disparava 7,4%, atingindo os US$ 48,62. Além disso, a OPEP sinalizou sua preocupação com a queda dos preços. Em documento publicado nesta segunda, o grupo disse que está preocupado com a queda nos preços do petróleo e pronto para conversar com outros produtores. "Como a Organização tem sublinhado em diversas ocasiões, ela está pronta para conversar com todos os outros produtores. Mas isso tem de ser em um campo de jogo nivelado. A Opep protegerá os seus próprios interesses", relata o boletim mais recente da OPEP.

Tensão no mercado
No radar do mercado ainda estão rumores da possibilidade da perda do grau de investimento e da saída do ministro Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. Do lado internacional, as bolsas caem antes de dados dos PMIs (Índices Gerentes de Compras) de serviços e da indústria da China que sairão à noite, além das expectativas conflitantes sobre aumento dos juros pelo Federal Reserve. Além das notícias negativas no lado fiscal, uma nova instabilidade surge dos rumores de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estaria com planos de deixar o cargo.

Destaques de ações
Os bancos recuaram em meio à piora do cenário macroeconômico brasileiro. Caíram os papéis de Bradesco (BBDC3, R$ 25,17, -4,7%; BBDC4, R$ 23,05, -4%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,55, -3,5%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,83, -5%). Juntas, as três ações respondem por mais de 20% da participação da carteira teórica do Ibovespa. As empresas altamente endividadas e as varejistas também sofreram com rumores de que o BC terá de dar continuidade na alta da Selic em meio à escalada do dólar. No setor de consumo sofreram os papéis das Lojas Renner (LREN3, R$ 98,52, -2,4%), Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 63,50, -1,1%) e Hypermarcas (HYPE3, R$ 16,47, -3,2%) – todas com queda superior a 2%. A atividade sente na pele qualquer aumento de taxa de juros, que, aliado a uma inflação elevada, tem roubado o poder de compra da população e provocado queda nas vendas. No caso das concessionárias e empresas do setor de shoppings center, que operam altamente alavancadas, elas sentem pois o custo de suas dívidas fica praticamente em linha com a taxa de retorno de seus investimentos.

O mercado temeu nesta seggunda que o BC precise elevar ainda mais a Selic. Segundo o economista-chefe da Kinea, Luis Fernando Horta, o ciclo de alta de juros tende a continuar, dado que o dólar deve ultrapassar os R$ 3,80. Ele, no entanto, não projeta uma elevação da Selic já na próxima reunião do Copom. 



leia também

Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida - Ex-presidente afirmou que recorrerá contra o que chamou de “fraude”

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A estabilidade do funcionalismo público é mesmo necessária? - O tema é particularmente importante no contexto de ajuste fiscal, avalia Zeina Latif

A responsabilidade do Congresso - O cuidado com os recursos públicos e o respeito à restrição orçamentária deveriam ser valores da casa, opina Zeina Latif

A superfície e as profundezas da economia - Retomada poderá ser difícil dada a situação financeira empresarial

Ação da Braskem segue quebrando recordes - Alta do dólar e queda dos preços do petróleo beneficiam empresa

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: