Aposentadoria preocupa o maior gestor do mundo

Robert Kapito sugere que se comece a investir o quanto antes

Por Infomoney

Robert Kapito, presidente da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo

A falta de planejamento para a aposentadoria "tira o sono" de Robert Kapito (foto), presidente da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, com US$ 4,7 trilhões de ativos sob gestão. “Essa é uma das maiores preocupações que tenho no mundo hoje”, afirmou durante o Congresso Internacional do Mercado Financeiro e de Capitais da BM&FBovespa, em Campos do Jordão (SP).

Kapito declarou que o número de pessoas que juntou mais de US$ 25 mil para a aposentadoria é muito baixo e que elas devem ter grandes problemas no futuro. “Essas pessoas viverão mais tempo. E sem dinheiro para se aposentar, elas terão de continuar trabalhando, o que causa um problema para os jovens, pois tira o emprego deles”, reiterou. O executivo lembrou que isso já começa a acontecer em alguns países europeus. “Lá há muitos jovens desempregados”, destacou.

Outras preocupações
Questionado sobre quais eram os principais riscos sistêmicos que o preocupavam, Kapito afirmou que um deles era a questão da regulamentação dos mercados. “Risco de regulamentação é algo que não podemos prever. Mas temos que nos envolver pois somos fiduciários dos clientes [disse se referindo à indústria de asset management]. No final das contas, todos teremos de aceitar as regulamentações que forem impostas”, destacou. Outra grande apreensão de Kapito diz respeito ao preço das commodities, que afetam praticamente todos os setores da economia. “A volatilidade das commodities abre oportunidades para os compradores, que podem adquiri-las por preços mais baixos. No entanto, as empresas que vendem são muito afetadas, inclusive na América Latina”, afirmou.

Rating
Em relação ao possível rebaixamento do rating [classificação de risco] do Brasil, Kapito lembrou que muitos investidores internacionais teriam de deixar de aplicar seus recursos aqui por conta das diretrizes dos fundos [muitos fundos só aceitam aplicações em países que possuem o grau de investimento]. “As diretrizes não permitem investir se o rating abaixar até certo ponto. Essas diretrizes podem afetar muito o fluxo de investimentos para o país”, afirmou. Ele disse, no entanto, estar otimista, mas afirmou que é preciso que o país faça um grande esforço para que o grau de investimento seja mantido. 

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