“Julgamentos do Carf carecem de profundidade jurídica”, diz Jorge Gerdau

Empresário garante que processos da Gerdau no conselho possuem fundamentação

Por Fernando Soares, de Bento Gonçalves (RS)

O presidente do conselho consultivo da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter

O presidente do conselho consultivo da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter (foto), questiona os procedimentos adotados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda. Para ele, “os julgamentos do Carf, muitas vezes, carecem de profundidade jurídica.” A posição do executivo vem em um momento no qual processos bilionários de dívidas da empresa são investigados pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação Zelotes, que apura o possível pagamento de propina de companhias visando à obtenção de sentenças favoráveis dentro do órgão.

O empresário se mostra tranquilo em relação à lisura dos processos da siderúrgica que tramitaram no Carf, contestando débitos de R$ 1,2 bilhão. “Nós achamos que nossos processos têm fundamentação jurídica absolutamente tranquila. Isso faz com que nós estejamos analisando dentro de uma visão absolutamente técnica e jurídica. Os profissionais que trataram desse tema estão convictos de que nossa posição é muito tranquila”, garante. Em abril, logo após a operação ser deflagrada, a Gerdau enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmando “que possui rigorosos padrões éticos nas conduções de seus pleitos junto aos órgãos públicos.” 

Dias antes de publicar a nota, a companhia havia anunciado a readequação em seu organograma. Com isso, Johannpeter deixou a presidência do conselho administrativo e passou a comandar o conselho consultivo. Em paralelo à nova função, o empresário segue com sua rotina de palestras. Na sexta-feira (28) esteve em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, para participar da 15ª Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Durante sua apresentação, criticou o complexo emaranhado tributário existente no país e destacou que existe uma série de distorções técnicas no Brasil. “Falta fazer uma limpeza tributária para que o Brasil se torne competitivo”, defendeu, recomendando uma simplificação dos impostos.

O presidente do conselho consultivo da Gerdau também não deixou de opinar sobre a conjuntura atual. Johannpeter se mostra pouco otimista com a melhora da economia no curto prazo. A situação de crise, conforme o dirigente, é decorrente de problemas de gestão. Nesse sentido, ele apoia a realização de um ajuste fiscal. “Estamos pagando um pouco por processos de não ortodoxia contábil na gestão. O ajuste representa uma transição. Sem o ajuste fiscal, não vamos ter condições de crescer”, avalia. 




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