Apesar do alivio no dólar, mercado continua pessimista

Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido. Dólar fechou cotado a R$ 3,10

Por Infomoney

Apesar do alivio no dólar, mercado continua pessimista

O Ibovespa fechou em baixa nesta terça-feira (10) pela quinta vez seguida, na pior sequência desde setembro de 2014. Em nove pregões, essa é a oitava queda, fazendo com que a Bolsa volte ao patamar de 11 de fevereiro. No radar do investidor, o cenário político cada vez mais complicado aumenta o risco e traz uma queda que se sustentou depois da semana passada. O benchmark caiu 1,8%, a 48.293 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar seguiu na mesma direção do índice acionário e caía 0,82%, a R$ 3,1040. Já no mercado de juros futuros, o contrato do DI para janeiro de 2017 caía 0,18 ponto percentual, a 13,59%, enquanto os contratos de janeiro de 2021 recuavam 0,19 p.p., a 13,03%.

Uma possibilidade aventada para o movimento incomum de Bolsa e dólar caindo era a de que o investidor estrangeiro estivesse saindo de suas posições em renda variável e migrando para a renda fixa, com uma Selic a 13% ao ano. Contudo, para o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, esta hipótese não se sustenta. "A reunião do Copom [Comitê de Política Monetária] já saiu faz tempo", recorda. Para ele, o que acontece com a moeda norte-americana é um movimento técnico de correção após seguidas altas. Com o dólar em queda, a pressão na Bolsa fica ainda maior, porque o Ibovespa na divisa dos EUA se torna mais caro. "O dólar cai 1,5% e a Bolsa cai 1,5%; para o investidor estrangeiro é como se fosse uma queda de 3%", explica.

Para o analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, o mercado deve continuar volátil por conta do ambiente político. "O cenário é arriscado tendo em vista que qualquer novidade na Operação Lava Jato pode fazer empresas envolvidas sofrerem em Bolsa", argumenta. Na segunda-feira (9), a Cetip, por exemplo, desabou devido às especulações de envolvimento da GRV Solutions – uma empresa incorporada pela companhia – em esquema de propina. A GRV foi comprada em dezembro de 2010 por R$ 2 bilhões e, segundo uma reportagem da Folha de São Paulo, há menções de pagamentos milionários a políticos provenientes de contratos de órgãos como o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A Cetip, no entanto, enviou comunicado após o fechamento do mercado apontando que a GRV foi incorporada em 2010, enquanto os fatos relatados teriam sido supostamente ocorrido anteriormente à aquisição. Devido às fortes movimentações recentes, a XP Investimentos alerta que é preferível aguardar para entender melhor o andamento do processo.

Racha político
Desde a devolução da Medida Provisória 669, das desonerações, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, o cenário de tensão entre o governo e o Congresso passou a se tornar um risco para o sucesso do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O protesto ocorrido em diversas cidades do Brasil durante pronunciamento da presidente Dilma Rousseff (PT), no qual ela defendeu as medidas, foi mais um indício do quão deteriorada está a governabilidade no momento. No entanto, em entrevista ao jornal O Globo, Levy afirmou que "as pessoas entendem que sem equilíbrio fiscal não há crescimento". Para o titular da Fazenda, se o Congresso aprovar as medidas que o governo vem enviando em nome da melhoria da situação fiscal, a confiança retornará. "As pessoas vão olhar o novo ambiente e avaliar se ele é estável, ainda que alguns benefícios setoriais tenham se tornado mais parcimoniosos", prognosticou Levy. O governo também trabalha numa proposta alternativa para a correção da tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física, numa tentativa de evitar a derrubada de um veto presidencial a um reajuste de 6,5% nas alíquotas do IR na sessão desta quarta-feira (11) do Congresso Nacional.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,32, -5,3%; PETR4, R$ 8,55, -4%) caíram novamente com força. No noticiário corporativo, apesar das especulações que ganham força no mercado financeiro, o Tesouro Nacional não pretende oferecer garantias à captações da Petrobrás nos mercados interno ou externo. As informações são do jornal O Estado de São Paulo. De acordo com a publicação, não há hoje nenhuma operação da estatal sendo estruturada com o aval do Tesouro. Na semana passada, a companhia anunciou ter obtido do conselho de administração autorização para captar este ano até US$ 19 bilhões. Contudo, segundo Luis Pereira, analista da Guide, o mercado não acreditou muito nessa captação – a não ser que a estatal pague uma taxa muito elevada. 

Assim como na segunda-feira, os papéis de grandes bancos como o Bradesco (BBDC3, R$ 34,35, -2,1%; BBDC4, R$ 33,69, -3,3%) e o Itaú (ITUB4, R$ 32,75, -3,9%), que juntos somam 21,5% do peso da carteira teórica de ações que compõem o Ibovespa, viram nova desvalorização. No caso das instituições financeiras, além das perspectivas negativas para a economia, a exposição desses bancos a setores ligados ao escândalo de corrupção da Lava Jato, como óleo e gás e infraestrutura, está fazendo com que os investidores tenham cautela. As ações do setor de educação também fecharam no vermelho. Nesta terça a Justiça Federal em Alagoas determinou que o Ministério da Educação suspenda a regra criada no final do ano passado que exigia nota mínima no Enem para estudantes que quisessem obter o Fies, o programa de financiamento estudantil. A decisão ainda suspende a redação de portaria que diminui para 8, de 12, os pagamentos do governo feito à instituições de ensino superior privadas. Operaram em queda as ações da Kroton (KROT3, R$ 9,30, -4,8%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,05, -1,3%).

Cenário externo
As bolsas mundiais também registraram queda na sessão desta terça-feira. O mercado estava de olho nos preços do petróleo e na Grécia, enquanto as ações asiáticas seguiam em baixa. Os mercados na China e no Japão registraram baixas pressionados por quedas nos papéis de bancos. O índice japonês Nikkei recuou 0,6%, para a mínima em quase duas semanas, numa sessão volátil em que anulou ganhos depois que bancos foram duramente afetados por um relatório dizendo que o Comitê de Basileia pode pedir a eles que fortaleçam o capital como uma reserva suficiente em caso de fortes altas nas taxas de juros. Na China, as ações fecharam em baixa com papéis de bancos recuando após um salto na segunda-feira, depois que dados mostraram que a deflação ao produtor afeta o poder de precificação de empresas chinesas. Enquanto isso, o dólar tem dia de alta em meio a especulações de que o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, antecipou em sua última fala no posto de que o juro deveria começar a subir gradualmente à medida em que o emprego melhora.

Com Reuters



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