|
Por um investidor que tolere o risco No Brasil, a maioria dos projetos de inovação depende de dinheiro público ou do sacrifício pessoal dos empreendedores. Mas, afinal, onde estão os investidores privados Quando conta a história da sua empresa, Márcio Pinheiro, CEO da Engeltec Soluções Digitais, resume sem rodeios como o negócio saiu do papel: “Se eu dependesse de investidores, estava ferrado”, diz. A empresa nasceu e operou até hoje com capital próprio – dele e de outros três sócios. A observação do engenheiro de software resume uma das dificuldades críticas de quem se propõe a inovar: encontrar quem financie uma nova ideia. O crédito para pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil ainda depende de dinheiro público, devido à aversão dos investidores ao risco. “Empresas inovadoras ainda dependem muito de financiamento público, especialmente do BNDES e da Finep”, confirma o empresário Ricardo Felizzola, presidente do PGQP e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da Fiergs. E não há nada de errado nisso, sustenta o professor do Instituto de Informática da UFRGS, Sérgio Bampi. Ele explica que inovação é um processo que depende de variáveis exógenas à empresa, como indicadores sociais, políticas de governo e impostos. “A parte negra é que inovar é assumir riscos. O Estado tem de apoiar a empresa inovadora. Dividir o risco é necessário”, apregoa Bampi. Criada em 2004, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) é a principal vertente de subvenção direta a projetos de pesquisa e desenvolvimento no país, afirma o professor. É a ela que a Parks, de Cachoeirinha, recorreu para financiar um investimento de R$ 2,5 milhões em inovação. Especializada em produtos para “transporte eletrônico de informações”, como roteadores e modems, a companhia gaúcha ficou com o segundo lugar na edição 2009 do Prêmio Finep de Inovação – categoria Média Empresa. Vai aplicar o dinheiro no aprimoramento de um novo equipamento de WiMax – tecnologia que vem sendo vista como a evolução das redes sem fio. O produto foi desenvolvido ao longo de um ano e meio e lançado no mercado com recursos próprios. “Acho que o mais decisivo para ganhar o prêmio foi nossa entrada nesse segmento” analisa o diretor-presidente da Parks, Edgar Bortolini. Ele explica que a Parks “gira com capital próprio”, mas já usufruiu de financiamento público em outras ocasiões. O vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Clovis Meurer, sustenta que os gestores de capital de risco costumam incluir empresas inovadoras no portfólio de fundos. Mas, nesse caso, entenda-se “inovadoras” como empresas que têm tradição em investidas anteriores. Quando a análise recai sobre empresas jovens, o risco é considerado grande demais. “Gostamos de trabalhar com retorno em três, cinco anos. Uma empresa que está desenvolvendo um produto inovador pode levar dez, até 20 anos para dar resultado. Não compensa”, resume. Para buscar recursos no setor privado, aconselha Meurer, o primeiro passo da empresa inovadora é “comprovar sua capacidade de dar certo”. Depois, dominar completamente o negócio. “O empreendedor tem de saber todas as respostas e mostrar muita vontade de crescer, disposição e um belo planejamento.” |





