| sexta-feira, 20 de agosto de 2010 |
| Começa a era da inovação verde |
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Artigo exclusivo do consultor Hitendra Patel mostra a nova geração de inovações – que dão lucro e ainda geram benefícios socioambientais Por Hitendra Patel* A cada dia, surgem novas ideias e tecnologias cujo objetivo é um só: criar produtos e serviços ambientalmente sustentáveis, capazes de melhorar a saúde do planeta. Mas, afinal, por que ainda não nos deparamos com uma verdadeira onda de produtos e serviços inovadores que consigam de fato cumprir essa promessa? Por que não temos uma grande quantidade de companhias ambientalmente corretas buscando o sucesso no longo prazo? E por que ainda estamos tão distantes das condições ideais para estabelecer o paradigma de uma economia verde?A resposta começa por uma lição simples: boas ideias e tecnologias não são suficientes. A chave para fazer com que as inovações verdes sejam duráveis e relevantes é torná-las lucrativas e atraentes para o mercado. Para serem bem-sucedidas, as “greenovations”, como nós as chamamos, têm de ser financeira e economicamente viáveis e mensuráveis. Do contrário, as boas ideias não conseguem ir além do fato de serem, tão-somente, boas intenções. No livro Greenovate! (publicado recentemente nos Estados Unidos e ainda sem previsão de lançamento no Brasil), nós, do Centro para Inovação, Excelência e Liderança da Hult International Business School (IXL Center), selecionamos as ideias que realmente cumprem a promessa de gerar resultados financeiros e ambientais ao mesmo tempo – ou que pelo menos parecem ter potencial para isso. Compilamos histórias e aprendemos as lições da sustentabilidade a partir do esforço de líderes, empresas, ONGs e governos de todas as partes do mundo. Os casos nos mostram que existem maneiras inovadoras de se fazer dinheiro ao mesmo tempo em que se faz a diferença. Maneiras de manter o ideal de um planeta mais limpo por meios que atendem às nossas necessidades de pagar as contas do dia a dia. Imagine... E se pudéssemos difundir as inovações verdes para países em desenvolvimento, onde há oportunidades de melhoria na saúde, na distribuição de riquezas e no ambiente para as pessoas na base da pirâmide? Algumas empresas estão trilhando esse caminho por meio de inovações que atendem às necessidades do mundo emergente, protegem o meio ambiente e, ao mesmo tempo, dão lucro. Uma delas é a norte-americana Empower Playgrounds, que está ajudando a iluminar vilarejos do interior da África por meio de uma tecnologia que converte playgrounds infantis em fontes de energia suficientes para abastecer lanternas e luminárias. Outra é a Grameen Danone, que vem enfrentando o problema da fome em Bangladesh por meio de pequenas fábricas de iogurte ecológico – que não só geram muitos empregos como também dão um bom lucro. Já a Bloom Energy fornece pequenos geradores movidos a célula de combustível que são capazes de abastecer famílias inteiras em locais que ficam distantes dos grandes centros urbanos. Enquanto isso, a Olam, de Cingapura, procura atrair os interesses do capital privado, de instituições públicas e de pequenos agricultores. O resultado desse modelo de negócios é um novo e revolucionário sistema de mercado que eleva a quantidade e a qualidade da produção de um insumo básico, o arroz, ao mesmo tempo em que multiplica a renda dos produtores agrícolas. E se encontrássemos novas maneiras de criar energia alternativa, reduzindo dramaticamente a nossa dependência em relação aos combustíveis fósseis, que são poluentes e caros? Alguns avanços tecnológicos vêm tornando a energia solar cada vez mais acessível em termos de custo e flexibilidade de uso. A Energy Innovations, da Califórnia, criou uma tecnologia que reduz dramaticamente o custo da captação solar. Já a Nanosolar e a Konarka estão desenvolvendo novas maneiras de produzir células fotovoltaicas. São soluções simples e com grande potencial para mudar os atuais paradigmas do mercado energético. É claro que muitas dessas inovações estão restritas a um grupo de empresas que dominam tecnologias de ponta. Mas isso não significa que a nova energia será um privilégio dessa pequena elite. Há várias companhias desenvolvendo soluções promissoras, mas com baixa intensidade tecnológica. Na África, por exemplo, temos a Empower Playgrounds (citada na página anterior) e também a Nov Mono, uma companhia australiana que utiliza a energia solar e cinética para abastecer um sistema que leva água potável a vilas carentes no interior do continente.E se reciclássemos os resíduos dos nossos processos industriais, transformando em matérias-primas ou em combustíveis eficientes todo aquele lixo que hoje é jogado nos milhares de aterros sanitários que cobrem o nosso planeta? Nesse quesito, poucas companhias são tão bem-sucedidas quanto a Patagonia e a Terracycle. Ambas atingiram um patamar invejável: quase todas as suas matérias-primas vêm de insumos reciclados e de baixíssimo custo. O curioso é que, enquanto a Patagônia se tornou uma referência no mercado de vestuário esportivo, a Terracycle se destacou no setor de embalagens. Outro caso interessante é o da Greenbox, que oferece caixas rígidas, produzidas a partir de plástico reciclado, para quem deseja fazer mudanças de forma mais organizada e prática – e sem recorrer às velhas e frágeis caixas de papelão descartável. Na Indonésia, a Don Bosco transforma óleo de cozinha usado em um inusitado combustível para ônibus. Já a Big Belly desenvolveu uma lata de lixo inteligente, movida a energia solar, que compacta os dejetos e ajuda a reduzir os custos dos sistemas de recolhimento de lixo urbano. Isso sem contar a PFNC, cujo modelo de negócio se baseia na reciclagem de contêineres. E se parássemos para refletir sobre a maneira como usamos a energia e buscássemos novas formas de reduzir os enormes desperdícios causados por sistemas ineficientes e desleixados? E se encontrássemos novas maneiras de racionar o uso da energia, tornando-o mais eficiente e menos custoso? Recentemente, a canadense Bombardier deu início a um ambicioso projeto para desenvolver meios de reduzir o consumo de combustível em aeronaves. A gigante da logística UPS vem trilhando um caminho semelhante: com uma simples mudança na forma de aterrissar seus aviões, a empresa conseguiu economizar combustível e diminuir a poluição sonora. A Toyota desenvolveu o Prius, o primeiro automóvel movido tanto a energia elétrica quanto a gasolina comum – o que deu origem ao mercado global de veículos híbridos. Enquanto isso, a Tesla obtém avanços importantes na criação de um mercado para automóveis totalmente elétricos e é seguida de perto pela Bosch e pela Better Place, que desenvolvem meios complementares de maximizar o rendimento desse tipo de automóvel. Correndo por fora, a BAE Systems gerou grande repercussão ao estender a tecnologia de motores híbridos para veículos grandes – tais como ônibus urbanos. A ação “Um Laptop por Criança” e a Tesco, ainda que envolvidas em áreas diferentes, vêm realizando esforços para redução de custos e utilização de energia na cadeia de produção de suas redes. E se melhorássemos os processos relacionados à agricultura e à produção de alimentos, tornando a comida acessível e o cultivo, sustentável? E se reduzíssemos a geração de resíduos a níveis nunca vistos? Criar e consolidar altos padrões de produção agrícola, capazes de aumentar a produtividade nas lavouras existentes e preservar florestas tropicais, é a contribuição da Rainforest Alliance. No Paquistão e na Índia, as fazendas-escola da Ikea educam os produtores de algodão para que eles adotem métodos de cultivo mais baratos e menos tóxicos, preservando a base de sua cadeia de produção – a terra. Os sistemas de gotejamento da Netafim proporcionam incríveis economias de água ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade da irrigação em grandes lavouras. A norte-americana Dairyland Power foi a primeira a converter lixo em energia para a produção agrícola, enquanto a BP Energy India adotou um modelo de negócios inovador que permite distribuir sistemas de cozimento sustentável nos mais longíquos cantos da zona rural da Índia.E se criássemos materiais de construção mais eficientes e ambientalmente corretos, atacando, assim, uma das principais fontes de emissões de gases estufa e resíduos sólidos que existem atualmente? Do planejamento à execução, algumas iniciativas vêm gerando grandes avanços nos índices de consumo e desperdício da construção civil. O grupo LEED, por exemplo, detém um processo de certificação que premia as construtoras por empreendimentos e estruturas ambientalmente corretos. Ainda que atuem em mercados diferentes, a Axion e a Walltech conseguiram reduzir seu volume de resíduos ao mesmo tempo em que elevaram o desempenho de materiais e processos empregados nas obras. Já a torre do Bank of America, construída recentemente, reflete uma decisão do banco de estabelecer padrões verdes para a construção de arranha-céus. As tecnologias utilizadas não só minimizam a pegada carbônica da empresa como aprimoram a operação do prédio em si. E se adotássemos sistemas mais inteligentes para conservar a energia, obtendo reduções no custo de geração e nos volumes de emissão de carbono? Hoje, com o poder de análise permitido pela informática, temos condições de encontrar oportunidades inéditas de melhoria no uso de energia – e em áreas até então inimagináveis. As possibilidades são quase infinitas e, além de gerar ganhos ambientais, rendem excelentes fontes de receita e lucro. As norte-americanas Cisco Energywise, Oberlin College e Progressive Insurance são bons exemplos: embora atuem em áreas bastante distintas, elas adotaram meios de informar o montante de energia que cada cliente utiliza – o que gera um estímulo contundente para o uso racional. Em uma escala muito maior, há o programa E-Street, lançado pela cúpula da União Europeia. Beneficiado pela visão de líderes de governo que financiam um grande número de agentes privados, o E-Street vem difundindo iniciativas verdes com potencial para conter e até mesmo solucionar os grandes problemas causados pelas mudanças climáticas. *Hitendra Patel é autor de "Greenovate! – Companies Innovating to Create a More Sustainable World" e diretor do IXL – Center da Hult International Business School
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A cada dia, surgem novas ideias e tecnologias cujo objetivo é um só: criar produtos e serviços ambientalmente sustentáveis, capazes de melhorar a saúde do planeta. Mas, afinal, por que ainda não nos deparamos com uma verdadeira onda de produtos e serviços inovadores que consigam de fato cumprir essa promessa? Por que não temos uma grande quantidade de companhias ambientalmente corretas buscando o sucesso no longo prazo? E por que ainda estamos tão distantes das condições ideais para estabelecer o paradigma de uma economia verde?
uma tecnologia que reduz dramaticamente o custo da captação solar. Já a Nanosolar e a Konarka estão desenvolvendo novas maneiras de produzir células fotovoltaicas. São soluções simples e com grande potencial para mudar os atuais paradigmas do mercado energético. É claro que muitas dessas inovações estão restritas a um grupo de empresas que dominam tecnologias de ponta. Mas isso não significa que a nova energia será um privilégio dessa pequena elite. Há várias companhias desenvolvendo soluções promissoras, mas com baixa intensidade tecnológica. Na África, por exemplo, temos a Empower Playgrounds (citada na página anterior) e também a Nov Mono, uma companhia australiana que utiliza a energia solar e cinética para abastecer um sistema que leva água potável a vilas carentes no interior do continente.
Criar e consolidar altos padrões de produção agrícola, capazes de aumentar a produtividade nas lavouras existentes e preservar florestas tropicais, é a contribuição da Rainforest Alliance. No Paquistão e na Índia, as fazendas-escola da Ikea educam os produtores de algodão para que eles adotem métodos de cultivo mais baratos e menos tóxicos, preservando a base de sua cadeia de produção – a terra. Os sistemas de gotejamento da Netafim proporcionam incríveis economias de água ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade da irrigação em grandes lavouras. A norte-americana Dairyland Power foi a primeira a converter lixo em energia para a produção agrícola, enquanto a BP Energy India adotou um modelo de negócios inovador que permite distribuir sistemas de cozimento sustentável nos mais longíquos cantos da zona rural da Índia.
inimagináveis. As possibilidades são quase infinitas e, além de gerar ganhos ambientais, rendem excelentes fontes de receita e lucro. As norte-americanas Cisco Energywise, Oberlin College e Progressive Insurance são bons exemplos: embora atuem em áreas bastante distintas, elas adotaram meios de informar o montante de energia que cada cliente utiliza – o que gera um estímulo contundente para o uso racional. Em uma escala muito maior, há o programa E-Street, lançado pela cúpula da União Europeia. Beneficiado pela visão de líderes de governo que financiam um grande número de agentes privados, o E-Street vem difundindo iniciativas verdes com potencial para conter e até mesmo solucionar os grandes problemas causados pelas mudanças climáticas.
*Hitendra Patel é autor de "Greenovate! – Companies Innovating to Create a More Sustainable World" e diretor do IXL – Center da Hult International Business School






