| sexta-feira, 08 de março de 2013 |
| Os negócios do Sul com o país de Hugo Chávez |
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Como deve ficar a relação comercial da região com a Venezuela, país que figura entre os principais importadores e exportadores dos três Estados Por Pedro Pereira Em 2012, a Venezuela foi destino de 1,55% das exportações da Região Sul, o equivalente a US$ 682 milhões. No mesmo período, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná importaram, juntos, US$ 443,5 milhões daquele país, o que corresponde a 0,9% de tudo o que foi comprado do exterior. Os índices eram mais favoráveis em 2011: as exportações caíram 25% no ano passado, e as importações, 17,7%. A manutenção do superávit apresentado em 2012 passa pela eleição que definirá o sucessor de Hugo Chávez, morto no último dia 5, vitima de câncer. Apesar de todo um contexto conturbado na política daquele país, analistas ouvidos pela Agência Brasil acreditam que a morte do presidente venezuelano terá um impacto mais ideológico do que financeiro. Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, explica que caso se confirme a expectativa de eleição de Nicolás Maduro – atual presidente interino – a política de Chávez, de franca oposição ao neoliberalismo, deve ser mantida. Já em caso de um resultado favorável à oposição nas urnas, a tendência é de uma abertura maior nas parcerias bilaterais e multilaterais, mas em ritmo lento e gradual. Vale lembrar que a passagem de Hugo Chávez pelo poder, desde 1999, foi marcada pela nacionalização de diversas companhias, de gigantes petrolíferas, siderúrgicas, telefônicas e bancos a pequenas fábricas de tubulação, embalagens ou sanitários. No entanto, Dana salienta que ainda é cedo para traçar um cenário futuro sobre os efeitos da morte de Hugo Chávez. Mas o fato abre espaço para reflexão sobre a vulnerabilidade da econômica venezuelana em função da forte dependência do petróleo, responsável por 96% das exportações do país. O economista lembra que o produto está sujeito às oscilações do mercado internacional. As importações são outro ponto nevrálgico para a economia da Venezuela, já que o país depende de produção externa de itens importantes, como os alimentos. No ano passado, apenas o Brasil exportou US$ 5 bilhões para o mercado venezuelano, dos quais US$ 1,1 bilhão em bois vivos para corte ou reprodução, carnes desossadas de bovino e carne de frango. Açúcar, bebidas e outros produtos alimentícios engordam a lista de vendas para a economia venezuelana. “Em momentos como este, é normal que se crie certa inércia nos negócios”, avalia Cesar Bilibio, presidente da Medabil, que há mais de oito anos exporta para a Venezuela. “Independentemente do resultado das próximas eleições, acreditamos que a relação entre Brasil e Venezuela avançou muito nos últimos anos e deverá manter-se”, projeta. Mercosul Em julho do ano passado, o Paraguai foi suspenso do Mercosul em função do impeachment sofrido por seu presidente, Fernando Lugo. Como o país era o único membro que ainda não havia aprovado a entrada dos venezuelanos no bloco econômico, a Venezuela foi automaticamente incorporada ao grupo. Em janeiro de 2013, o país de Hugo Chávez passou a integrar oficialmente o Mercosul. Mas o fato acabou se tornando mais uma questão nebulosa após a morte do chefe de Estado venezuelano. Segundo o governo do Uruguai, a permanência do país no grupo depende apenas da vontade de seu povo. Atualmente os uruguaios presidem o Mercosul, cuja liderança é rotativa em ordem alfabética – o que significa que a próxima nação a assumir o comando é justamente a Venezuela, a partir de 1º de julho. Com a entrada dos venezuelanos, o Mercosul passou a contar com uma população de 270 milhões de habitantes, cerca de 70% de toda a América do Sul. O PIB do bloco saltou para US$ 3,3 trilhões, algo próximo de 83% do PIB sul-americano. |
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A manutenção do superávit apresentado em 2012 passa pela eleição que definirá o sucessor de Hugo Chávez, morto no último dia 5, vitima de câncer. Apesar de todo um contexto conturbado na política daquele país, analistas ouvidos pela Agência Brasil acreditam que a morte do presidente venezuelano terá um impacto mais ideológico do que financeiro. 





