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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Mutirão para atrair capital
Associação dos principais agentes do mercado financeiro do país, a recém-lançada BRAiN quer consolidar o Brasil como polo internacional de investimentos e negócios

Por Marcos Graciani
Atrair investimento externo, promover o Brasil a polo internacional de negócios e soltar algumas das amarras burocráticas que atravancam o crescimento da economia. Pode-se dizer que esses são os pilares de sustentação da BRAiN (Brasil Investimentos & Negócios), associação criada há três meses por alguns dos principais agentes do mercado financeiro do país – a BM&FBovespa, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nesta entrevista, Paulo de Sousa Oliveira Jr, CEO da BRAiN, explica por que o mercado financeiro e as empresas privadas precisam andar lado-a-lado com o governo no esforço para transformar o país em um polo de investimentos.


O Brasil se encontra, hoje, em uma condição econômica animadora. Por que ainda existem dificuldades para atrair investimentos?

Eu diria que já conseguimos ultrapassar barreiras difíceis como o desconhecimento sobre o mercado brasileiro ou mesmo as dúvidas dos investidores de fora. Hoje, todo mundo conhece o Brasil e o país se tornou uma alternativa válida para realocação de portfólio dos empresários estrangeiros. Os riscos, agora, residem na zona do Euro. Ou seja, vir ao Brasil se tornou algo imperativo. Tudo isso é bom, mas o que ainda temos de fazer com que os investimentos sejam para o longo prazo.

Nosso risco de alavancagem da economia é muito baixo, temos oferta de crédito no país, a possibilidade de um calote é baixa...


No longo prazo o Brasil ainda é um investimento de risco?
Qualquer atividade tem seu grau de risco. Há aquele exemplo clássico que diz que ninguém consegue construir uma válvula que nunca falha. Por isso, o investidor tem de medir o risco vendo até que ponto pode multiplicá-lo. Nesse sentido, o risco do Brasil é de primeiro nível. Nosso risco de alavancagem da economia é muito baixo, temos oferta de crédito no país, a possibilidade de um calote é baixa, etc., sem contar o fato de que as empresas multinacionais que possuem negócios no Brasil estão surfando numa boa onda. Basta ver o setor automobilístico, por exemplo. Enquanto as vendas lá fora tiveram queda, por aqui elas engrenaram.  


O que a BRAiN pretende fazer de diferente das demais entidades que, há bastante tempo, reivindicam mudanças estruturais no Brasil justamente para atrair novos investimentos?
Quando começamos a conceber a associação, procuramos ver o que aconteceu de bom em outros países para poder reproduzir aqui. O que ficou claro é que nenhum lugar se torna polo de desenvolvimento e negócios sem o apoio total do governo, do mercado financeiro e da iniciativa privada. Não seremos apenas uma voz a mais a trabalhar por isso. Pretendemos ser uma bandeira que una todos os setores da economia. Um dos objetivos é ter em nosso Conselho de Administração membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social [do governo federal]. Também já contatamos o Banco Central, o Ministério da Fazenda, o BNDES e a CVM. Sem contar algumas empresas que estão participando, como Votorantim, Bradesco e Itaú-Unibanco. Além disso, há também muitas empresas de telecomunicações e de infraestrutura interessadas em fazer parte deste diálogo.


É preciso fazer a lição de casa: reduzir a burocracia e trabalhar por uma reforma fiscal.


Quais são as principais metas da BRAiN?
Entre os eixos com os quais trabalhamos está a busca pela competitividade. Para isso, é preciso fazer a lição de casa: reduzir a burocracia e trabalhar por uma reforma fiscal, por exemplo. Outro foco é a busca de talentos e a formação de novos profissionais. Não sei se teremos técnicos suficientes para atender a demanda do ciclo virtuoso de crescimento que está por vir. Também queremos estruturar um banco de dados com um acompanhamento dos indicadores que devemos conquistar. A partir dessa leitura, será possível saber em quais áreas precisaremos de mais profissionais, nos antecipando ao problema da falta de recursos humanos.


Como a região sul entra nesse contexto de busca de novos investimentos para o país?
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul terão papel fundamental nesse processo. E isso acontecerá naturalmente, visto que são Estados posicionados estrategicamente em relação aos países do Mercosul. Como queremos fazer do Brasil uma referência de investimentos na América Latina, a região sul será nossa porta de entrada para várias nações. Temos de levar em conta que está se abrindo no Brasil uma janela de oportunidades que pode ser comparada a uma chuva torrencial. Enquanto estiver chovendo, teremos que colocar muitos baldes para colher toda a água que cai.
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