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O retorno do “tão bonitinho” |
Comprada em leilão em 2007 pela Paquetá, a Ortopé volta a produzir em larga escala, retoma as exportações e aposta no legado emocional da marca para reconquistar clientes Por Ricardo Lacerda
Luciana Nunes, gerente de marketing da Ortopé: aposta no vínculo emocional
A Ortopé está de volta. Depois de quase quebrar, no final dos anos 90, a empresa foi adquirida em leilão pela Paquetá, em 2007, por R$ 19 milhões. Agora, a tradicionalíssima marca de calçados infantis está prestes a alçar voo novamente.
Desta vez, com fôlego renovado e uma estrutura operacional mais eficiente – todos os seus produtos estão sendo fabricados em Ipirá, na Bahia, onde a Paquetá também confecciona itens licenciados da Asics e da Adidas. “Primeiro, tentamos produzir no Ceará, mas por uma questão de logística tivemos de transferir para a Bahia”, explica Luciana Nunes, gerente de marketing da marca Ortopé. Atualmente, a planta de Ipirá fabrica aproximadamente 10 mil pares de calçados Ortopé por dia – ou 3,6 milhões por ano. “Para este tipo de produto, é uma média bastante alta”, destaca Luciana.
Atendendo todo o mercado brasileiro desde o começo do ano passado, a Ortopé também está retomando as exportações. “Primeiro, tratamos de consolidar a volta da marca no Brasil”, salienta a executiva. Para mostrar que está mais viva do que nunca, a Ortopé reatou laços com o músico Renato Teixeira, criador do famoso jingle “Ortopé, Ortopé, tão bonitinho” na década de 70, que se tornou um dos maiores sucessos da publicidade brasileira. “Reencontramos o Renato, que atualizou o jingle”, conta Luciana. Agora, a Ortopé está com uma campanha de mídia nacional em que a famosa musiquinha é cantada em diferentes ritmos, como forró, samba e rap – além, é claro, da versão original que marcou os anos 80.
Concorrência desleal
Luciana Nunes diz que o consumidor brasileiro está bem servido de opções de calçados infantis. “Não adiantaria voltarmos para ser apenas mais uma marca”, relata. Por isso, a Ortopé tem explorado dois atributos para se recolocar entre os principais players. Um deles é o apelo emocional. “Nossa força junto ao consumidor final, que são os pais, que usaram Ortopé, é impressionante”, garante ela. Outro fator está relacionado à saúde. “No esforço de oferecer o menor preço, muita gente faz produtos que prejudicam para a crianças”, critica a executiva. Certificada pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (Ibtec), a Ortopé é a única indústria brasileira de calçados infantis com formas 100% anatômicas.
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