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quinta-feira, 07 de março de 2013
O Brasil tem muita margem para avançar

Para o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, os mesmos fatores adversos que frearam a economia no ano passado não se repetirão em 2013

Por Octavio de Barros*
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É difícil ser categórico quando nos perguntam se realmente dá para garantir 4% de crescimento no PIB brasileiro em 2013. Com as informações de que dispomos hoje, achamos esse cenário bastante possível. Mas não dá para garantir que chegará a 4% – assim como não dá para descartar que chegue a 4,5%. Talvez pudéssemos apostar nesse índice se o cenário internacional desse sinais mais alvissareiros e tivéssemos a convicção de que os investimentos iriam, mesmo, deslanchar no Brasil.

dolar-real-350De fato, temos alguns sinais de que a coisa vai andar – na medida em que o ambiente global não comporta o mesmo tipo de tensão que se observava um ano atrás. O cenário na China parece menos preocupante, apesar de acreditarmos que a tendência seja de desaceleração a médio prazo. Nos Estados Unidos pós-eleição, as chances de um acordo fiscal menos nocivo ao crescimento avança bem. Há indícios de um renascimento industrial e de uma recuperação tanto na geração de empregos quanto no preço dos imóveis. Ao mesmo tempo, o processo de educação do endividamento das famílias americanas avança bastante. Quanto à Europa do euro, estamos agora falando de recessão – e não mais de uma ruptura sistêmica. Ou seja, é cada vez menos provável que algum país saia da zona do euro. O problema bancário vem sendo bem administrado graças ao fato de um banco central europeu atuar com maior coesão com a Comissão Europeia de Bruxelas e com o FMI. Mesmo o posicionamento da Alemanha tem se mostrado mais flexível.

No plano doméstico, o Brasil ainda se adapta a uma forte mudança no regime de política econômica. As placas tectônicas ainda estão em movimento em busca de uma nova conformação do terreno. O resultado dependerá da adaptação da economia empresarial ao novo desenho macroeconômico inaugurado no governo Dilma. Basta lembrar que, em pouco mais de um ano, os juros básicos caíram 5,2% e a taxa de câmbio se depreciou cerca de 30%. Seria ingenuidade imaginar que as implicações dessa guinada de política econômica não teriam efeitos colaterais para o bem e para o mal.

A médio e a longo prazo, os efeitos de juros mais baixos e de uma moeda mais desvalorizada parecem bastante positivos – mas, no curto prazo, tiveram impactos também negativos. Por exemplo, muitas empresas não apenas têm dívidas altas em dólar, mas também dependem de muitos fornecedores externos. Nos últimos cinco anos de real valorizado, as empresas modificaram seu leque de fornecedores a favor dos estrangeiros. Com a forte depreciação do real, suas margens se contraíram consideravelmente. A isso se juntaram os custos salariais mais altos decorrentes de um mercado de trabalho apertado. Por outro lado, com a queda dos juros, os rendimentos não operacionais decorrentes das aplicações líquidas de empresas também se reduziram bastante.

Claro que é uma questão de tempo de adaptação. Já há indicadores de que os lucros das empresas se recuperaram um pouco no terceiro e no quarto trimestre. Essa é a principal fonte de financiamento dos negócios no Brasil. A economia já anda melhor. Mas algumas incertezas permanecem. São frequentes as perguntas relativas às razões para o crescimento ainda relativamente modesto da economia brasileira. É o crédito que está andando mais devagar? É o investimento público que não decola? É a falta de mão de obra? É a Europa contaminando as decisões empresariais? É o excesso de intervenção do Estado na economia? É a Argentina atrapalhando? Em economia, é difícil ter uma única explicação para os fenômenos. Mas talvez pudéssemos afirmar que, em 2012, tudo que podia dar errado deu errado. Não acreditamos que os mesmos fatores adversos se repetirão em 2013. A única certeza é que há uma imensa jazida de produtividade inexplorada no Brasil.

*Economista-chefe do banco Bradesco
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