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Qualificação contra o êxodo rural |
Programa desenvolvido em parceria entre cooperativas, Senar e Sebrae vem contendo a migração da população do oeste de Santa Catarina para as grandes cidades
Por Pedro Pereira Criado em 1998, a partir de uma parceria da Coopercentral Aurora e o Sebrae-SC, o projeto “Desenvolvimento dos Empreendedores Rurais Cooperativistas” já atendeu mais de 30 mil produtores – e vem se tornando um poderoso aliado contra o êxodo rural. “Desde que iniciamos o projeto, apenas 0,2% dos participantes deixou suas propriedades e migrou para a cidade”, afirma Joel Pinto, coordenador do programa. “O problema é histórico aqui na região – assim como em todos os lugares”, entende. Segundo ele, há entre os cooperativados a sensação de que, se o projeto tivesse sido iniciado 30 anos antes, o cenário do agronegócio no oeste catarinense hoje seria outro. “Mas estamos há 15 anos, então poderia ser pior. A região já deu um grande salto”, salienta.
O projeto contempla três etapas. A primeira é a organização da propriedade rural. A segunda é entender a propriedade como uma empresa – com receita, produtividade e controle de caixa. Por último, são criados os “Times de Excelência”, que desenvolvem soluções para os problemas comuns dos produtores. Cada etapa é trabalhada em um ano diferente, para permitir que os produtores coloquem em prática a organização dos negócios e, assim, possam avançar.
Em 2012, o “Desenvolvimento dos Empreendedores Rurais Cooperativistas” receberá um investimento de R$ 1,17 milhão – bancado por Sebrae, Senar, Sescoop e cooperativas filiadas. “As cooperativas investem para disponibilizar o aprendizado de forma gratuita aos produtores. Do contrário, seria impossível que eles tivessem acesso a essas técnicas”, explica Joel Pinto. O problema, diz ele, é que muitos agricultores ainda resistem a aderir ao programa. “Precisamos convencer as pessoas de que [participar do programa] vai ajudar a crescer, permanecer no campo. Com o passar do tempo, eles entendem, mas primeiro esperam para ver o que acontece com quem já aderiu”, analisa.
A organização do projeto comemora os números alcançados nas 15 edições do projeto, mas já olha para frente. O número de produtores atendidos é considerável, mas, segundo Pinto, cai pela metade quando se considera as famílias beneficiadas. “Temos mais de 70 mil famílias cooperativadas, então ainda temos muito trabalho a fazer”, acredita. Além disso, deve ser firmado ainda neste ano um contrato com o Sebrae gaúcho para estender as ações até a região noroeste do Rio Grande do Sul. “Iniciamos as tratativas no ano passado, só falta assinar com o Sebrae. Algumas cooperativas já estão aderindo. Vamos atender Erechim, Frederico Westphalen e as inúmeras cidades ao redor”, antecipa.
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