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quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Procuram-se presidentes

Ameaça de estagnação da economia passa despercebida no mercado de recrutamento de altos executivos – principalmente entre as empresas nacionais

Por Pedro Pereira
As nuvens negras que se insinuam sobre a economia brasileira ainda não afetaram o ímpeto de um setor-chave da economia – o de contratação de altos executivos. Pelo menos é o que diz Christiano Oliveira, diretor regional sul da Fesa, empresa especializada nesse tipo de serviço. “Ao longo do tempo, nossos números refletem setores que estão aquecidos. Servem como um termômetro”, compara. Ultimamente, garante ele, o termômetro da Fesa tem registrado altas temperaturas principalmente na construção civil, consumo e energia – e deve continuar assim ao longo deste ano. “No ano passado, cerca de 30% dos nossos negócios foram realizados no setor de consumo. Para 2012, estimamos o mesmo volume”, projeta.

executivos-350Em outros tempos, a procura por profissionais para cargos estratégicos partia, principalmente, de empresas multinacionais. Hoje, o quadro está se invertendo. Empresas nacionais – principalmente aquelas que pretendem abrir capital – têm procurado cada vez mais por profissionais que agreguem conhecimentos (e ações) de governança corporativa. “As empresas buscam alguém que possa olhar as deficiências da organização para, em seguida, otimizar processos de acordo com as metas. Querem profissionais que estejam acostumados com ferramentas atuais”, detalha.

Esse processo leva a um fenômeno novo: a migração de altos executivos de grandes empresas para as de menor porte. Na maioria dos casos, diz Oliveira, os gestores que fazem essa transição estão em busca de novos desafios. Mas nem sempre é esse o cenário encontrado ao final da migração. “É preciso ter ousadia para se aventurar em uma área de risco”, adverte Oliveira. No entanto, é justamente em áreas menos estruturadas que o executivo pode encontrar o sentido da mudança. “Ele percebe que está menos engessado. Passa a ser head de um processo, contribui mais. Depois que nota o quanto está satisfeito, não volta [para grandes companhias]”, analisa.

No sul do país, destaca Oliveira, é crescente a procura das empresas por profissionais da própria região. “Quando abrimos a regional sul, há dez anos, 80% dos profissionais recrutados eram trazidos de São Paulo. Hoje, pelo menos a metade deles é do sul”, relata. Ele acrescenta que os profissionais também podem optar pelo caminho inverso. “Empresas como WEG, Tigre e Embraco estão avançando na internacionalização. Executivos que querem mais trânsito e experiência podem buscar alternativas como estas”, destaca.
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