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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
A nova fronteira do consumo

Pesquisa da Ernst&Young aponta que a ascensão dos países emergentes está deve dar origem a uma “classe média global” com 4,9 bilhões de pessoas até 2030

A ascensão dos países emergentes deu origem à uma nova “classe média global” – uma camada social que, até 2030, deverá crescer de 1,8 bilhão para 4,9 bilhões de pessoas. O processo abre oportunidades inéditas de negócios para as empresas que estão dispostas a explorar esse novo filão, como aponta o estudo “Innovating for the Next Three Billion: The Rise of the Global Middle Class”, realizado pela consultoria Ernst&Young.

ernst-young-350Baseada em entrevistas com 547 executivos de todo o mundo, sendo 13% deles brasileiros, o estudo aponta que a economia dos países emergentes tende a se concentrar cada vez mais no consumo interno. De acordo com André Viola Ferreira, sócio-líder para mercados estratégicos da Ernst&Young, esses países terão cada vez mais pessoas em idade produtiva, determinadas a satisfazer necessidades de consumo. “Ainda que tenham uma renda per capita menor do que a dos países desenvolvidos, essas economias detêm grande potencial”, explica ele. A despesa diária de um consumidor da nova classe média fica entre US$ 10 e US$ 100, dependendo da região.

O aumento do número de consumidores de renda média resultará em um aumento de demanda global de US$ 21 trilhões para US$ 56 trilhões, previsto para até 2030. Para conseguir aproveitar esse filão, é necessário ser rápido e entender as características sociais e culturais em que se está inserido. “Muitas vezes, em uma economia globalizada, você acha que todo o consumidor é igual. O desafio está em se adaptar localmente”, avalia Ferreira.

As características desses mercados são as mais variadas. No Brasil, por exemplo, a cultura não é completamente uniforme e há um claro déficit social nas questões de habitação, saúde e educação. Logo, esses são os setores que estão se beneficiando do fortalecimento da classe média brasileira. “Os próprios IPO’s estão muito relacionados a esses três setores”, comenta André Ferreira.

Uma das ferramentas para atingir esse mercado está na chamada “Inovação Frugal” – que consiste em desenvolver produtos sofisticados, mas acessíveis ao público de renda intermediária. Para isso, é necessário desenvolver quatro capacidades: entender a visão do consumidor; entender a cultura e as pessoas que nela se inserem; inovar através da P&D; e pensar o modelo de negócios combinando relevância local com escala global.
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