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segunda-feira, 05 de dezembro de 2011
Sobre marcas e famílias

As empresas familiares têm melhores condições de fornecer referência e propósito para suas marcas corporativas

Por Levi Carneiro*
A ideia de marca tem muito a ver com família. A marca, assim como o nome de família, tem a função primária de identificar, indicar a origem. Não é por outro motivo que, para vários autores, o lastro da família está presente no próprio surgimento do conceito de marca. O professor de design Joan Costa localiza sinais de marca na remota heráldica medieval que, com suas cores e brasões, assinalava a propriedade e a genealogia das linhagens feudais.  

empresa-familiar-350Mais perto de nós, o estudioso Mauro Calixta Tavares mostra como as primeiras marcas da era industrial nada mais eram do que “sobrenomes”. Karsten, Swift, Hering, Lever, Matarazzo, Klabin e Ramezoni são importantes referências dessa época, sendo que algumas permanecem até hoje como marcas fortes e respeitadas. Nos dias atuais, vale a pena estimular uma reflexão sobre a importância de se restabelecer a relação entre a marca e a empresa familiar. Ao que tudo indica, tanto o branding contemporâneo como as organizações familiares têm a ganhar com o intercâmbio e com a conexão positiva entre os seus universos de valores e objetivos.

As marcas estão em busca de sentido e estratégia. Diante da commoditização crescente dos produtos e de uma concomitante proliferação das mídias, as organizações sentem a necessidade de fortalecimento de suas marcas corporativas, que precisam funcionar como provedores de significado e valor para “famílias” inteiras de produtos e serviços.  

Ora, as empresas familiares têm ainda melhores condições de investir nessa direção e fornecer referência e propósito para suas marcas corporativas. Primeiro, porque já nascem inspiradas por um estatuto de valores e atitudes que está fundamentado na própria história familiar e pretende perdurar no tempo. Segundo, porque esse estatuto tem um poder de motivação e comprometimento que, naturalmente, vai além do ambiente de negócios.

É verdade que está em curso um processo de aprimoramento das empresas familiares, que dedicam cada vez mais atenção e esforço para profissionalizar a relação entre a organização e os laços de parentesco que ligam seus proprietários ou acionistas. Um capítulo especial dessa profissionalização da gestão familiar deve dirigir a sua energia para a revitalização das marcas corporativas dessas empresas.

As empresas familiares devem imprimir, com nitidez e determinação, no coração de suas marcas, os propósitos e posicionamentos que explicam e sustentam as suas organizações. A marca corporativa é uma promessa fundamental que a organização faz e que se expande para todos os seus símbolos, mensagens e posturas. Numa organização familiar, essa promessa precisa exprimir as crenças e os valores que deram origem ao negócio. É claro que isso não pode significar ficar paralisado no tempo. Significa apenas revitalizar ou revigorar o núcleo central da marca.  

Segundo uma especialista em empresas familiares, já está provado comparativamente que essas organizações têm mais capacidade de duração que as empresas comuns. A revitalização da marca corporativa pode significar a chance de agregar ainda mais consistência e solidez, uma vez que fará da marca uma ferramenta eficaz na inspiração, gestão, expansão e até mesmo sucessão da empresa familiar. Por tudo isso, faz todo o sentido buscar a convergência entre esses campos.

* Diretor associado do Grupo Troiano de Branding e diretor da Idéia Comunicação Empresarial
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Comentários 

 
0 #2 Gilberto Strapazon 2011-12-06 20:06
Complementando a mensagem, outra coisa importante é o (auto) questionamento do "quem somos". Empresas que tenham líderes focados numa direção clara tendem a uma melhor compreensão de si e assim, chegar a expandir sua percepção e contato com o mercado. Meditação. Veja por exemplo, é diferente o dono de uma concessionária de veículos pesados que se considera "empresário" daquele que se considera em essência, um caminhoneiro. Ambos podem ser bem sucedidos empresarialment e. Mas qual deles terá intimidade com seu público alvo? E não se trata de mera propaganda. Daí a exploração interior, buscar a evolução de consciência, encontrar o que está dentro para descobrir o que há lá fora.
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0 #1 Gilberto Strapazon 2011-12-06 16:50
Antes de falar em "linhagem" vem percepção de proximidade. É comum a preferência peloo "Armazém do Seu Zé". As pessoas sabem quem é o Seu Zé. Em grandes empresas, existe um distanciamento, mas as pessoas sabem quem é o dono. Já nas corporações impessoais a expressão negativa"coisa de empresa que não tem dono" é comum. Percebem-se os veios da raiz familiar extendendo-se por toda empresa. Se eu fizer a numerologia de uma empresa familiar, ou melhor dos donos, vamos ver os aspectos emocionais e familiares permeando a empresa. Até o software é reflexo disto, por isto falo de "informática esotérica" desde os 90. A família tem seus problemas, metas, ideais, virtudes e defeitos. Empresas são organismos sociais, é natural a possibilidade de uma maior identificação.
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