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Uma ode à participação popular |
Na 10ª edição do Congresso Mundial Metropolis, realizado pela primeira vez nas Américas, especialistas destacam a importância do debate democrático na busca da sustentabilidade do espaço urbano
Por Pedro Pereira As dificuldades encontradas pelas metrópoles mundiais são comuns: habitação, mobilidade, limpeza urbana, etc. O problema é conseguir enfrentá-las de forma sustentável, evitando que novos problemas surjam no futuro. Para isso, os especialistas asseguram que a melhor forma de buscar soluções é por meio do diálogo entre governo e sociedade. Pelo menos é o que defendem os expoentes da 10ª edição do Congresso Mundial Metropolis, que ocorre nesta semana, em Porto Alegre – primeira cidade da América a receber o evento.
Sob o tema “Cidades em Transição”, o encontro tratará dos atuais desafios urbanos, cada vez mais preocupantes diante de processos como o êxodo rural e a concentração da população nas médias e grandes cidades. “Toda população que vem do campo não volta mais. Isso faz com que as cidades mudem, então precisamos de governança, regulação. A vontade política é fundamental nesse processo, e está toda aqui, reunida”, comemora Jean-Paul Huchon, presidente do Metropolis. Para salientar a importância do diálogo nesse processo, Huchon traz o exemplo de Paris, onde vivem cerca de 12 milhões de pessoas. “Podemos deixar que as pessoas se instalem em qualquer lugar, ou dialogar para que morem perto do metrô ou do trabalho”, conta.
As palavras de Huchon encontram ressonância nas do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati. Segundo ele, a duplicação da Avenida Tronco só foi possível depois de uma série de diálogos. “Primeiro, convencemos as 1,3 mil pessoas que precisavam ser transferidas dali. Mas aí criou-se um problema com as famílias de classe média da região para onde essas pessoas seriam levadas. Então, mais uma vez, dialogamos e conseguimos resolver o problema”, relata.
Joan Clos, diretor executivo do programa ONU Habitat, acredita que as soluções devem ser coletivas, jamais formadas por interesses particulares. “Às vezes, estes interesses entram em conflito, por isso é fundamental a participação popular. Devo parabenizar Porto Alegre por ter dado passos importantes na democracia”, comenta, lembrando da importância de programas como o Orçamento Participativo, praticado desde 1989 na capital gaúcha.
Mas não é só a densidade demográfica das metrópoles que tende a crescer. Até 2050, Huchon acredita que 80% dos recursos serão gerenciados pelas cidades e estados, aumentando consideravelmente sua responsabilidade pelo desenvolvimento. “O Orçamento Participativo é um diferencial importante”, avalia, considerando que vem ao encontro do diálogo entre governo e sociedade.
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