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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A hora do intercâmbio

Enxurrada de profissionais aproveita o dólar barato e o incentivo de empresas para realizar cursos no exterior, de olho em mais oportunidades no mercado de trabalho. Mas planejar bem a viagem é fundamental

Com reportagem de Laís Flores
Quem duvida da importância de um curso no exterior para aumentar as chances de crescimento na carreira precisa conhecer a história do presidente da Stihl do Brasil, Cláudio Guenther.

claudio-guenther-350No início dos anos 1990, quando realizar um intercâmbio ainda era uma oportunidade para poucos profissionais brasileiros – sobretudo pelo dólar caro à epoca –, Guenther correu atrás de seu objetivo de qualificar-se na Alemanha, mesmo que não tivesse recursos para isso. Formado em Ciências Contábeis, trabalhava como auditor interno na Electro Aço Altona, em Blumenau (SC). Para concorrer a uma vaga de estágio na Fundação Alfried Krupp, conseguiu apoio da empresa, que custeou as passagens para São Paulo e a tradução do projeto que deveria apresentar para pleitear a vaga. Acabou aceito e foi para Berlim, onde realizou um curso de dois meses para aperfeiçoar o alemão. Em seguida, fez um estágio de um ano em uma empresa de fundição, na qual passou por todos os setores da organização – do chão de fábrica à área financeira e contábil. “Se não tivesse ido para a Alemanha naquele momento, não seria hoje presidente da Stihl do Brasil. Pude conhecer bem a realidade alemã, o que evitou que eu sofresse um choque cultural anos mais tarde”, conta Guenther. Anos depois, ele passou nove meses no Canadá, dessa vez especializando-se em negócios e aprimorando o inglês.

Assim como Guenther, cada vez mais profissionais buscam cursos de especialização no exterior. Eles aproveitam o incentivo de empresas, a estabilidade da economia brasileira e o real valorizado. De acordo com a gerente de cursos da agência de intercâmbio Student Travel Bureau (STB), Márcia Mattos, o aumento chegou a 70% no ano passado em relação a 2009. Segundo Márcia, a maioria dos profissionais que busca qualificação fora do país está no mercado de trabalho há cerca de sete anos, ou seja, busca vitaminar o currículo para subir mais um degrau na carreira, sobretudo em direção a cargos de liderança.

Os cursos mais requisitados aliam a formação teórica com a prática por meio de estágios. A UC Berkeley (EUA) – uma das universidades mais requisitadas nas agências de intercâmbio – oferece os International Diploma Programs (IDP), cursos de extensão (que duram de três meses a um ano) em Administração, Marketing, Finanças e Global Business Management, entre outros, além do internship, programa de estágio em uma empresa estrangeira com duração de oito meses. Os preços variam de acordo com as pretensões do profissional. Um curso de inglês para negócios nos EUA gira em torno de R$ 2 mil (sem hospedagem e passagens), enquanto um MBA pode custar até R$ 60 mil, incluindo custos com a estadia em outro país.

Além de aprimorar o domínio de um segundo idioma, quem realiza um intercâmbio acrescenta um diferencial no currículo, sobretudo em processos seletivos. É o que sustenta Carlos Contar, diretor da regional sul da Business Partness Consulting. O headhunter diz que hoje as empresas enxergam uma especialização no exterior como critério decisivo de contratação, principalmente em programas de trainee. Contar entende que, para um profissional com pouca experiência, uma qualificação desse tipo acelera a carreira. “Se houver três candidatos concorrendo a uma vaga e um deles tiver realizado um MBA fora do Brasil, esse candidato com certeza terá uma vantagem diante dos outros dois”, argumenta Contar.
Além de aprimorar o domínio de um segundo idioma, quem realiza um intercâmbio acrescenta um diferencial no currículo, sobretudo em processos seletivos
Profissionais que não têm recursos para financiar um curso no exterior podem recorrer a programas específicos oferecidos por suas empresas. A Tigre, por exemplo, tem 30% de seus funcionários com MBA ou mestrado. Boa parte deles se qualificou em outros países – como Estados Unidos, Suíça, França e Espanha – por meio de um projeto existente há mais de dez anos na empresa. Esse processo avalia os profissionais a partir das necessidades que a organização tem em determinada área. Só neste ano, são 75 bolsas de MBA financiadas pela Tigre, que subsidia a metade do curso ao funcionário ou mesmo integralmente, em caso de cursos de curta duração. A verba destinada em 2011 para a educação foi de R$ 800 mil. “Se a companhia entender que os conhecimentos de que o profissional precisa estão fora do país, certamente patrocinará o curso no exterior”, explica Henriete Fleig, gerente de Recursos Humanos da Tigre. Vale a pena conferir se sua empresa tem algum programa do tipo. O próximo a embarcar pode ser você.


Confira algumas dicas para quem quer fazer um curso no exterior

•  Procure uma agência especializada. Ela poderá ajudar a definir a melhor modalidade de curso que você deve fazer (MBA, curso de extensão, de línguas etc.)

•  Planeje a viagem com antecedência de, no mínimo, três meses, até mesmo para garantir lugar nos cursos mais procurados. Isso inclui medir quanto vai gastar com curso, passagens aéreas, estadia e outros custos. É fundamental verificar a validade de passaporte e, dependendo do país, obter o visto necessário

•  Corra atrás de um financiamento para a viagem na empresa na qual você trabalha. Se não for possível, confira possibilidades de pagamento com as agências especializadas e faça um bom planejamento financeiro


Quanto custa em média estudar no exterior (com estadia inclusa):

Curso de extensão: entre R$ 10 mil e 26 mil (três meses a um ano)
MBA e especializações: entre R$ 39 mil e R$ 60 mil (um a três anos)
Inglês para negócios: R$ 4 mil (duas a quatro semanas)






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