| quinta-feira, 14 de julho de 2011 |
| Os cinco pilares de Heitor Müller |
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Como o novo presidente da Fiergs pretende acelerar a indústria gaúcha A partir desta quinta-feira, a Federação de Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) passa a ter um novo comandante. O empresário Heitor Müller, fundador de companhias como Frangosul (hoje controlada pela Doux), Agrogen e Novagro, assume a presidência da entidade no lugar de Paulo Tigre – que já ocupava o cargo havia seis anos. Antes de tomar posse, em uma badalada cerimônia que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, Müller recebeu a imprensa e destacou parte de seus planos. A tônica dos projetos? Apostar em medidas que ampliem a competitividade das indústrias do Rio Grande do Sul – e fortaleçam o diálogo do setor com os líderes políticos do Estado. “Somos uma casa de política industrial e empresarial e entendemos que a livre iniciativa e o empreendedorismo são as melhores formas de desenvolver uma sociedade mais justa”, disse Müller. “Meu maior desafio será manter o diálogo – e ainda melhorá-lo – com autoridades e entidades competentes para realmente termos menos burocracia, mais chances e melhores possibilidades para nossas indústrias”, informou ele.Uma das preocupações de Müller diz respeito à oferta de mão-de-obra qualificada. Segundo ele, o Rio Grande do Sul se tornou um “exportador” de pessoas – justamente por contar com um sistema de educação e treinamento de boa qualidade quando comparado com o do restante do país. Hoje, pelos cálculos da Fiergs, mais de um milhão de gaúchos trabalha em outros Estados. O resultado é que as indústrias locais sofrem mais para atrair e reter bons profissionais. “Uma das maiores queixas vem da construção civil. Temos um baixíssimo índice de desempregados e estamos chegando no limite da oferta. [Os empresários] pedem para que o Senai interfira e treine mais pessoas, mas nós encontramos problemas até mesmo para achar alunos que queiram ser treinados nessa área”, revela, lembrando que o Senai conta com 139 escolas no Rio Grande do Sul. Heitor Müller entende, ainda, que o Estado enfrenta um desafio à parte na busca de um desenvolvimento mais acelerado. Segundo ele, a matriz econômica gaúcha é bastante diversificada – “a segunda mais diversificada do país, depois de São Paulo”. Por um lado, essa característica ajuda a blindar o Rio Grande do Sul contra crises em determinados setores. Por outro, diz ele, a diversidade demanda investimentos maiores para que a economia como um todo avance nos mesmos percentuais observados no restante do país. “Quando um estado produz pouco em um único produto, é muito fácil crescer 10%, 20%. Agora, quando você já produz muito de um produto, crescer 10% é uma fábula”. Para facilitar essa transição, Müller aposta na modernização da cadeia produtiva do agronegócio. Ele entende que o setor deve servir de lastro para o surgimento de companhias industrializadas e com alto valor agregado – ele próprio é criador da Agrogen, que atua no mercado de multiplicação genética de matrizes de aves e perus. Müller, porém, destaca que esse processo modernizador ainda é incipiente no Rio Grande do Sul. “Se formos olhar o que está acontecendo no campo, nós vamos ver que não existe nenhuma agroindústria lá. Não gera posto de gasolina, nem borracheiro, nem restaurante, nada. A gente colhe a soja, coloca num caminhão e leva para o porto de Rio Grande: não gira, não gera nada”, critica ele. O grande desafio, garante Müller, é buscar atividades que agreguem valor a essas matérias-primas. “Nós temos que nos aproximar daquele modelo que os americanos chamam de “farm to form” – ou seja, produzir na fazenda, mas vender pronto no garfo, sem depender de outros para industrializar”, explicou o novo presidente da Fiergs, pouco antes de seguir para cerimônia de posso, na zona norte de Porto Alegre. Müller também divulgou sua “plataforma de gestão”, com cinco pontos estratégicos e cinco pilares de atuação. Confira: Os cinco pontos estratégicos da nova gestão 1. Atuação pragmática nos fóruns das decisões de políticas governamentais de ordem geral, em todos os níveis, e na formulação de projetos e programas específicos direcionados diretamente ou que de alguma forma impactem as empresas privadas, buscando um ambiente institucional que fomente a competitividade do setor industrial como protagonista das transformações econômicas e sociais. 2. Inserção internacional, tanto para a prospecção de oportunidades e atração de empreendimentos, quanto pelo cotejo permanente e correções dos nossos níveis de competição. 3. Redução da burocracia nacional, simplificação tributária, e combate ao Custo Brasil e todas as formas de concorrência desleal dentro e fora do País. 4. Promoção da iniciativa privada, fortalecimento da indústria e da industrialização do Rio Grande do Sul como fatores imprescindíveis para o desenvolvimento sustentado. 5. Reafirmação do trinômio educação/inovação/produtividade implementando ações continuadas para os necessários avanços, tendo nas propostas da Agenda 2020 as visões de longo prazo. Os cinco pilares para a atuação 1. Interlocução positiva e permanente com os Poderes Constituídos em âmbito Federal, Estadual e com os Municípios, buscando um ambiente institucional que estimule a competitividade. 2. Diálogo sistemático com os dirigentes Sindicais da indústria, com a CNI e demais lideranças setoriais, com foco na interação entre as diversas representações do empresariado nacional, estadual e das regiões do Rio Grande do Sul. 3. Geração permanente de conteúdos, em todas as formas viáveis e eficazes, na amplitude do ambiente institucional e sócio-econômico, em sintonia com as Diretorias e o Conselho de Representantes, a partir do trabalho das assessorias técnicas e dos Conselhos Temáticos, e/ou de especialistas, para o devido suporte aos posicionamentos da FIERGS e do CIERGS. 4. Articulação das cadeias produtivas do Rio Grande do Sul, com atenção aos portes empresariais, características regionais e particularidades dos segmentos do setor industrial. 5. Fortalecimento da atuação institucional da FIERGS na coordenação e administração das operações do Sesi, Senai e do IEL. |
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“Somos uma casa de política industrial e empresarial e entendemos que a livre iniciativa e o empreendedorismo são as melhores formas de desenvolver uma sociedade mais justa”, disse Müller. “Meu maior desafio será manter o diálogo – e ainda melhorá-lo – com autoridades e entidades competentes para realmente termos menos burocracia, mais chances e melhores possibilidades para nossas indústrias”, informou ele.






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