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terça-feira, 17 de maio de 2011
Quem falou em voo de galinha?

Crescimento da classe C e estabilidade monetária levam o mercado a acreditar na manutenção do crescimento da economia brasileira nos próximos anos

Por Pedro Pereira
O momento é de otimismo com o desempenho econômico da região sul do país. A estabilidade da moeda brasileira e o crescimento da classe C estão elevando o poder de consumo da população da região. Ao mesmo tempo, fomenta a demanda por produção – e pelas importações. "Em 1994, para pagar a prestação de uma casa, o brasileiro precisava receber cerca de 23 salários. Em 2010, necessitava de cinco", compara Maurício Molan, economista-chefe do Banco Santander, que esteve em Porto Alegre na semana passada para anunciar aos acionistas do banco os resultados do primeiro trimestre de 2010. "Até podemos ter uma conjuntura um pouco incerta no curto prazo por causa da inflação, mas nada assustador. No médio prazo, o país já crescerá de forma forte e sustentável", confia.

economia-brasil-350Segundo Molan, as grandes economias devem consolidar uma recuperação da crise de 2008 – o que abre boas perspectivas de demanda no exterior. Enquanto isso, ocorre também um forte aquecimento do mercado interno. "A demanda crescerá de 5% a 6%, mas a produção apenas 4,5%, o que levará a um maior número de importações", projeta.

Para os líderes que participaram do seminário "O Despertar do Gigante", promovido pela SAP Labs Latin America, em São Leopoldo, o Brasil apresenta um grande potencial para os negócios. "Os brasileiros têm vontade e entusiasmo para fazerem as coisas", reconhece Erwin Rezelman, presidente do SAP Labs Latin America. No entanto, segundo ele, o alto custo tributário ainda é um impeditivo para o desenvolvimento de oportunidades melhores.

Outro fator negativo mencionado pelos participantes do seminário é a (precária) infraestrutura do país. "É muito caro produzir em Manaus e levar para vender em São Paulo, por exemplo", explica Marcelo Mejlachowicz, diretor de finanças da P&G Brasil. Para Osvaldo Burgos Schirmer, vice-presidente executivo de finanças, controladoria e relações com investidores da Gerdau, a solução está na parceria com a iniciativa privada. "O governo deu um salto importante anunciando essa possibilidade, mas a máquina estatal poderia ser mais eficiente na fiscalização e acompanhamento", acredita.

Apesar dos empecilhos levantados durante o debate, há consenso quanto ao caminho a ser tomado: investir em educação, tecnologia e infra-estrutura. "Se o Brasil quer ter sucesso, todos os setores devem colaborar", sentenciou Rezelman, durante o seminário promovido pela SAP – cujo objetivo foi apresentar aspectos econômicos e culturais do Brasil a estudantes americanos de MBA.
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