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Deitado em berço esplêndido |
Na visão dos palestrantes do seminário Brasil de AMANHÃ, o Brasil está “acomodado” diante de um cenário altamente promissor
Por Andreas Müller O mundo está cada vez mais inclinado à multipolarização. As velhas potências do hemisfério norte – Estados Unidos, União Europeia e Japão – atravessam uma fase difícil e, embora estejam longe de perder o protagonismo, já não têm mais condições de puxar o crescimento da economia global. Enquanto isso, a China ensaia uma guinada estratégica: planeja elevar o padrão de renda da sua população, incentivar o consumo no mercado interno – e deixar de ser um mero exportador de mão-de-obra barata. Esses e outros fatores colocam o Brasil diante de um cenário promissor, com oportunidades muito mais numerosas do que as ameaças, conforme o olhar dos três palestrantes do seminário Brasil de AMANHÃ, realizado na manhã desta sexta-feira, em Porto Alegre.
Jório Dauster, ex-diplomata e atual presidente do Conselho de Administração da Ferrous Resources do Brasil; Milton Pomar, jornalista e geógrafo especialista no mercado chinês; e Antônio Sartori, sócio e diretor da Brasoja participaram do seminário e mostraram, cada um a sua maneira, que a atual conjuntura global pode ser altamente favorável para o Brasil – desde que o país faça o dever de casa e comece a pensar estrategicamente. A China, por exemplo, vem atuando como o principal dínamo da economia mundial justamente por sua capacidade de pensar a longo prazo. ”Nós não sabemos pensar estrategicamente. Os chineses é que sabem. Perto deles, as nossas estratégias são um fracasso absoluto”, comparou Dauster.
Milton Pomar vai além: ressalta que, entre 2000 e 2010, o comércio Brasil-China saltou de parcos US$ 2,3 bilhões para US$ 56,6 bilhões. Mantido esse ritmo, diz, a corrente de comércio entre os dois países poderá chegar a US$ 300 bilhões por ano até 2015. Pomar ressalta, porém, que esse potencial dificilmente será cumprido se o Brasil mantiver a passividade nas relações comerciais com o país asiático. “Hoje, as empresas brasileiras não vendem nada para a China. Eles é que vêm aqui comprar da gente”, percebe Pomar. Um exemplo está nas feiras de negócios. Segundo ele, a China é palco de mais de 800 feiras por ano. Mas as empresas brasileiras participam de menos de 1% delas. “E, quando participam, vão na condição de visitantes, e não de expositoras”.
O que as nossas entidades agrícolas fazem não é pressão, é barulho.
Antônio Sartori sócio e diretor da Brasoja
Já Antônio Sartori vê o cenário com um pouco mais de reservas. Para ele, o Brasil tem um imenso potencial a explorar no agronegócio – especialmente no comércio com a China. Durante a palestra, Sartori mostrou que o Brasil ainda tem condições de elevar sua produção agrícola em até 40% – muito mais do que os Estados Unidos, por exemplo, cujo potencial é de modestos 4%. Para isso, porém, seria necessário um investimento anual de cerca US$ 200 bilhões. “É ingenuidade achar que o governo vai tomar a iniciativa de buscar esses investimentos. Governos funcionam na base da pressão. O que as nossas entidades agrícolas fazem não é pressão, é barulho. Precisamos ter mais lobby e mais articulação política para atender as demandas desse setor”, defende ele.
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