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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Seu funcionário está mentindo?

Policial civil desenvolve um curso com técnicas de entrevista para a detecção de mentiras

Verdade seja dita: mentir faz parte da rotina corporativa. Um estudo feito pela Universidade do Sul da Califórnia dá conta de que, a cada dia, as pessoas se deparam com cerca de 200 mentiras – isso sem contar épocas de eleições. Nas entrevistas de emprego não é diferente: a mentira rola solta em ambos os lados do balcão. Existem, inclusive, fóruns de discussão na internet em que os participantes compartilham as lorotas que contaram durante os processos seletivos.

Mas há quem esteja disposto a atacar esse problema. De verdade. Depois de passar por treinamentos na SWAT e no FBI, o policial civil Thompson Cardoso, 32 anos de profissão, desenvolveu um curso que promete ajudar gestores a detectar – e eliminar – as mentiras do local de trabalho. “Não existe uma receita de bolo para perceber que a pessoa conta inverdades. É necessária uma análise contextualizada”, relata o policial civil, que compartilhou com AMANHÃ alguns indicativos de quem está mentindo. Confira:

- Se o narrador relata um episódio que teve forte carga emocional, mas não se emociona, tome cuidado – é grande a chance de ele estar mentindo.
- Descrições genéricas de lugares e contextos, sem detalhes específicos.
-  Preste atenção na coerência entre as linguagens verbal e gestual. Não há como descrever ter sido atacado por um cão feroz com as mãos nos bolsos.
- A verdade é simples e objetiva: constantes correções, falta de linearidade e gagueira são indicadores de mentira.
- Fugir do contato visual pode ser um indicador de mentira.
- Se a resposta deveria ser “sim” ou “não” e vem acompanhada por uma explicação, desconfie.
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Comentários 

 
0 #7 2010-11-30 10:00
Já que a gagueira foi explicada com competência por fonoaudiólogas, quero lembrar que existem outras disfunções cognitivas que provocam dificuldade de expressão incluindo as expressões gestuais..Existem problemas psicológicos e ou neurológicos que devem ser levados em conta quando fazemos a observação de um individuo.Ao darmos um curso de observação comportamental precisamos ter conhecimento profundo de todas essas funções e disfunções para não estigmatizarmos pessoas que devem ser tratadas e não julgadas..
Atenciosamente,
Maria luiza scatena
Mediadora e Trainer _ Teoria da Modificabilidad e Cognitiva Estrutural pelo ICELP
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0 #6 2010-11-30 00:07
Antes de ministrar seus cursos, nos quais certamente utilizará todo o conhecimento adquirido ao longo de seus 32 anos de profissão, o profissional citado deve conhecer um pouco mais sobre as características que costumam acompanhar pessoas que mentem e certificar-se de que a gagueira, por ele citada, se trata de uma alteração de linguagem e não possui absolutamente nenhuma relação com o fato de o conteúdo uma mensagem ser ou não verdadeiro. Estudar um pouco antes de ensinar aos outros não faz mal a ninguém e garante a ausência de risco de preconceito
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0 #5 2010-11-28 23:33
Concordando com as mensagens acima e acrescento que, para ser mentiroso não é necessário ser uma pessoa que gagueja. Se assim o fosse, poderíamos identificar facilmente todos os mentirosos que andam pela vida pública, por exemplo.
Parece que o sr Thompson Cardoso, ou o tradutor da notícia, desconhecem as diferenças entre hesitar e gaguejar. Para tal, recomendo a leitura da tese de doutorado que, além de caracterizar gagueira como um distúrbio de linguagem, a diferencia das hesitações normais encontradas nas falas das pessoas, sejam elas fluentes ou não. Ver em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/21569/000730478.pdf?sequence=1

Dra Fga Anelise Junqueira Bohnen
CRFa 5587/RS
Diretora Educacional do Instituto Brasileiro de Fluência - IBF
www.gagueira.org.br
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0 #4 2010-11-28 04:55
Sou fonoaudióloga e gostaria de marcar que em 2010 realizamos em média 112 atendimentos fonoaudiológico s semanais no ambulatório de Transtornos de Fluência da Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ às pessoas que gaguejam de todas as idades e classe sócio cultural e econômica, oriundas de todo o Estado do RJ. Não atendo mentirosos, trabalho com pessoas que apresentam dificuldades com a sua fluência em diferentes graus, com sintomas que lhes impactam a vida do trabalho e experiências de sofrimentos com o bullying pelo contato com pessoas que não têm o mínino conhecimento a respeito do assunto. A causa da gagueira não é emocional ou comportamental, mas genética, neurofisiológic a. A divulgação do conhecimento sobre as gagueiras é crescente, é pública (Instituto Brasileiro de Fluência) e não cabe mais esse tipo de comentário pejorativo por quem quer que seja.
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0 #3 2010-11-27 23:03
Os 32 anos de profissão do policial Thompson Cardoso podem lhe autorizar a fazer muitas afirmações, mas não lhe permitem dizer qualquer coisa sobre gagueira, fenômeno que, a tomar pela sua afirmação de que quem gagueja mente, ele desconhece totalmente. O policial deveria visitar o site do IBF - Instituto Brasileiro de Fluência (www.gagueira.org.br) para tentar conhecer alguma coisa sobre o fenômeno que infelizmente enxerga de forma tão estereotipada e preconceituosa. O próprio AMANHÃ também deveria ir ao site, informar-se sobre as recentes descobertas sobre gagueira e publicar informações fidedignas sobre o assunto, como forma de retratar-se diante dos mais de dois milhões de pessoas que gaguejam no Brasil.
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0 #2 2010-11-27 14:57
Concordo com a mensagem da fonoaudióloga Sandra Merlo. A redação do texto foi muito infeliz. É preciso saber diferenciar as coisas.

Em pessoas que gaguejam, as interrupções na fala são involuntárias e não podem ser interpretadas como "indicadores de mentira".

Sem fazer essa importante ressalva, o texto se torna preconceituoso.

Cordialmente,
Juvêncio Martins Amorim
Empresário
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0 #1 2010-11-26 16:52
A afirmação de que a gagueira é um indicador de mentira não é apenas uma afirmação falsa, mas leviana.

Se o policial civil Thompson Cardoso estivesse mais bem informado, saberia que a gagueira é um transtorno da fluência da fala, incluída na “Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde” da Organização Mundial da Saúde, sob o código F98.5.

Atenciosamente,

Sandra Merlo

Pessoa que gagueja
Fonoaudióloga (CRFa 11.749/SP)
Diretora científica do “Instituto Brasileiro de Fluência – IBF”
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