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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Fusão ou confusão?
Christian Majczack, da consultoria paranaense Go4!,  acredita em uma onda positiva de fusões no Brasil. Mas faz um alerta: operações assim não vêm com o botão “desfazer”

Passamos 2009 sob o efeito de uma das maiores crises financeiras da história. Mesmo assim, terminamos o ano com um ritmo de recuperação capaz de apontar um crescimento de 7% no PIB em 2010. O câmbio percorreu uma impressionante travessia e, depois de pagar quase R$ 2,30 por um dólar no início de 2009, estamos achando R$ 1,80 caro demais.

Como se isso tudo ainda fosse pouco, encerramos a década com a conquista das históricas hospedagens da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Com um cenário propício, testemunhamos algumas das maiores fusões corporativas já feitas no Brasil. Vimos o Itaú se unir ao Unibanco depois de um namoro de uma década. A Sadia se fundiu com a arquirrival Perdigão, pressionadas pela crise financeira e pela loucura cambial. Sob as bênçãos governistas, a Oi se aliou à Brasil Telecom. Pelo bem da competitividade em tempos de turbulência, a Duratex absorveu a Satipel. Antes do encerramento de 2009, o país conferiu de perto a união da Casas Bahia com o Grupo Pão de Açúcar. No Paraná, o destaque ficou por conta de do setor de cooperativas agrícolas, com as fusões de Cocamar e Corol e Itambé e Confepar.

Com tantos movimentos importantes, fica a impressão de que toda e qualquer fusão parece ser um bom negócio. Mas será mesmo verdade? Em finanças corporativas, uma empresa tem várias opções:

1)    Adquirir todo o capital de outro empreendimento (aquisição total);
2)    Tornar-se sócia dessa outra pessoa jurídica (aquisição parcial)
3)    Ou, simplesmente, unir os dois capitais (fusão).


Cada uma das opções tem suas vantagens e desvantagens. Aquisição, por exemplo, invariavelmente vai envolver algum tipo de (direta ou indireta) desembolso. Portanto, risco maior para quem está investindo. Já uma fusão pode prevenir esse desembolso, funcionando como uma espécie de casamento: junto minhas coisas às suas e seremos felizes para sempre.

Mas é exatamente aí que começam os desafios. Quem ingressa em qualquer uma das operações, seja fusão ou aquisição, quer economizar tempo. Tempo que levaria para preparar e lançar novos produtos e serviços, tempo para ganhar market share, tempo para melhorar preços e ganhar escala... E não é nada simples a convivência inicial de duas culturas empresariais diferentes – principalmente com as inevitáveis medidas de downsizing e reengenharia. Por isso, é importante garantir a assertividade das premissas que motivaram a negociação: se a intenção for expandir o portfólio, primeiro tenha certeza de que não haverá concorrência interna. Se a intenção for ganhar escala, acelere a unificação e garanta que as equipes trabalhem em conjunto.
Quando se adquire o controle de uma empresa, o poder decisório de quem está comprando é inquestionável. Não existe diluição da propriedade, como acontece nas fusões.

E o cliente, o que pensa? Não há dúvida de que, quando acontece uma grande fusão, surgem inúmeros tipos de questionamentos por parte dos consumidores. “Vão mexer no produto que eu gosto? Vai custar mais caro? Será que a empresa está com problemas e vai fechar?”.

Muitas dessas questões são comuns tanto às fusões quanto às aquisições. Só que existe uma diferença fundamental entre os dois modelos: quando se adquire o controle de uma empresa, o poder decisório de quem está comprando é inquestionável. Não existe diluição da propriedade, como acontece nas fusões.

Já os participantes de uma fusão podem levar muito mais tempo para seguir adiante. Mas esse tipo de operação também tem vantagens. O processo de due dilligence, por exemplo, pode ser mais simplificado, já que o risco passa a ser compartilhado.

Então, pense muito bem nos movimentos estratégicos para que um possível processo de fusão não se torne uma grande confusão. Compare os prós e os contras com a opção mais simples: a de aquisição. Existem excelentes oportunidades, mas trata-se de uma estrada sem volta: se der errado, não será possível cindir e começar tudo de novo. Essa operação não vem equipada com um botão “desfazer”.
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