Para Jório Dauster, o Brasil está no alto de uma colina, aparentemente a salvo da crise que começa a varrer partes da Europa e ruma para os Estados Unidos. Mas até que ponto essa posição é segura?
“Outro dia vi um filme amador sobre o tsunami no Japão que me chocou pela lentidão – quase diabólica – com que as águas avançam, inexoráveis, destruindo uma vasta área coberta de casas, triturando sem pressa tudo que se interpõe a seu progresso destruidor”. É com essa frase que o diplomata Jório Dauster, ex-presidente da Vale e exímio observador da geopolítica global, ilustra o atual momento da economia brasileira em meio à crise que se avoluma nos Estados Unidos e em partes da Europa.
No vídeo (veja abaixo), as águas do tsunami varrem uma cidade inteira sob as lentes de um cinegrafista que se mantém em segurança no alto de uma colina. Metáfora ideal para Dauster descrever a situação do Brasil na crise. “Estamos numa colina onde a água não nos alcançará diretamente nos primeiros momentos”, diz ele. “Mas a vizinhança do caos não é o ambiente mais aconselhável para se criar uma nação forte”.
Na visão de Dauster, a crise alcançará os Estados Unidos como parte essencial do sistema financeiro. “Acho que, com a última e débil cartada do Fed, o croupier abandonou a mesa porque não pôde mais fugir ao reconhecimento de que os donos do cassino – nos dois lados do Atlântico – estão paralisados ou de todo enredados em seus liames paroquiais. Do ilusionista já não sobra nem a cartola de onde tirar um magro coelho ou dois pombos que desconhecem o caminho de casa”.