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Entenda por que os livros que prometem levar à felicidade e à autorrealização seduzem tantos leitores no país e saiba como aproveitar seus ensinamentos para buscar energia e inspiração – sem cair nas armadilhas tentadoras de um certo esoterismo Por Andreas Müller

O livro mais lido por empresários e executivos no Brasil não faz referências a métodos consagrados de gestão. Não menciona pesquisas científicas, não difunde nenhuma ferramenta de planejamento e ignora as cartilhas de Harvard e de outros templos da administração moderna. Mesmo assim, O Monge e o Executivo está longe de ser uma leitura descartável para quem vive o dia a dia dos negócios e, principalmente, carrega a responsabilidade de liderar outras pessoas. Lançado no Brasil, em 2004, o livro do consultor americano James Hunter já vendeu mais de 2,2 milhões de cópias, marca assombrosa para um país onde a tiragem média é de apenas 3 mil exemplares por título.
A história de John Daily, um executivo mal-amado que se refugia em um mosteiro em busca de paz espiritual, resume-se a propor uma reflexão sobre os princípios da boa liderança - como respeito, confiança, altruísmo e o perdão. Não tem, claro, a consistência teórica das obras de Peter Drucker ou Michael Porter, mas é útil e fácil de ler. E ainda proporciona algo que os grandes gurus raramente conseguem oferecer ao leitor: a capacidade de transmitir lições valiosas sobre a rotina corporativa de uma forma que não é chata. Obras como O Monge e o Executivo não têm a consistência teórica de Peter Drucker ou Michael Porter, mas são úteis e fáceis de ler. Essa fórmula, que ainda hoje mantém O Monge e o Executivo nas listas dos mais vendidos do Brasil, é também uma das razões para o sucesso cada vez mais candente dos livros do gênero de autoajuda - ou pelo menos da parte deles que vem pleiteando espaço nas prateleiras de negócios. Tal como James Hunter, há inúmeros autores fazendo fama e dinheiro com livros, DVDs, apostilas e palestras que diluem conceitos básicos de liderança, planejamento de carreira e outras disciplinas em textos de fácil digestão - muitas vezes, permeados de conselhos ligados à espiritualidade, ao amor, à busca da felicidade e a outras questões existenciais.
Um exemplo é o psiquiatra Roberto Shinyashiki, autor de diversos best-sellers de autoajuda, entre eles Você - A Alma do Negócio (Editora Gente). Seu livro mais recente, A Coragem de Confiar, foi escrito no embalo da crise financeira que sacudiu o mundo nos últimos dois anos. "A crise agravou a sensação de pavor que as pessoas têm: medo de perder o emprego, de ficarem sozinhas, de arriscar e não dar certo. O meu livro mostra que é um erro viver assim e que o medo não pode ser uma estratégia de vida", descreve Shinyashiki a AMANHÃ. Além de trazer mensagens que inspiram o otimismo e a confiança, o texto apresenta um "Programa de Ativação do Poder Interior", que é autoaplicável e tem o objetivo de fortalecer o leitor nas batalhas cotidianas contra o medo.
É claro que nem todo mundo aprecia essa espécie de sincretismo, muito menos na área acadêmica. Para muitos, a autoajuda é apenas um rótulo para livros com baixo valor literário e com benefícios ilusórios. O filósofo e consultor em educação Arquilau Moreira Romão, por exemplo, desenvolveu uma tese de doutorado sobre o consumo de autoajuda entre professores do ensino médio e superior e chegou a conclusões preocupantes. "Os livros do gênero ignoram as contradições históricas e tiram o indivíduo do seu contexto real. É como se tudo dependesse da boa vontade, do ‘poder interior', e não houvesse impedimentos externos ao sucesso de cada um", descreve. O resultado, alega, é que o próprio leitor acaba levando a "culpa" quando o método do livro não funciona - o que, em casos extremos, pode levar a uma estranha forma de dependência. "A pessoa se sente impelida a sempre buscar novos livros para resolver seus problemas e conseguir cumprir os receituários em que já fracassou anteriormente", ataca.
Críticas à parte, o fato é que a autoajuda vem atraindo cada vez mais adeptos no Brasil, inclusive nas rodas de negócios. Pelas estimativas da Câmara Brasileira do Livro (CBL), pelo menos um terço dos títulos do gênero se destinam ao segmento corporativo no Brasil. E não são poucos os que exibem tiragens bem acima da média. Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker, já vendeu 372 mil exemplares desde que foi lançado pela Sextante, em 2006. Outro best-seller da Sextante, Conversando com os Espíritos, de James Van Praagh, já tem 240 mil cópias vendidas. Isso sem contar os consagrados 7 Hábitos das Pessoas muito Eficazes, Arte da Guerra e o novato Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, que mantêm lugar cativo entre os best-sellers do gênero e já passaram, cada um, da casa do milhão de exemplares. Para Anderson Cavalcante, sócio diretor da Editora Gente, a grande aceitação é a prova definitiva de que a autoajuda realmente ajuda. "Ela vende muito porque oferece um benefício real às pessoas. Eu não consigo acreditar que um livro como o Casais Inteligentes pudesse ficar tanto tempo na lista dos mais vendidos sem dar uma contribuição verdadeira à sociedade", sustenta Cavalcante, ele próprio autor de cinco livros de autoajuda.
Mundo solitário
O que está por trás desse boom editorial, porém, é bem mais do que a capacidade de dialogar com o leitor de forma franca e amigável. Os estudiosos atribuem o fenômeno a uma série de transformações sociais que, dizem eles, vem deixando as pessoas mais solitárias, confusas e desamparadas. O local de trabalho, por exemplo, já não é mais aquele velho reduto de estabilidade e segurança financeira de outrora. Hoje, é um espaço de competição e, quase sempre, estresse. A medida de autorrealização de cada indivíduo também mudou: deixou de ser a solidez do lar e da família e se tornou a capacidade de gerar resultados e adquirir projeção sobre os outros.
Em uma sociedade onde importa a lei do "cada um por si", os livros de autoajuda oferecem um pequeno paliativo para quem busca afeto Fatalmente, as pessoas dedicam cada vez menos tempo ao convívio com os amigos e se distanciam das chamadas "instituições de pertencimento", como a Igreja, o clube social, a turma da academia e outros grupos que proporcionavam afeto e segurança nos momentos difíceis. "Vivemos uma época de franca expansão do individualismo, especialmente nas classes mais populares, que estão se inserindo na economia e começando a sofrer as pressões fragmentadoras do mercado de trabalho", diagnostica o sociólogo Francisco Rüdiger, autor de Literatura de Auto-Ajuda e Individualismo.
Essa é mais uma das razões do sucesso da autoajuda. Em uma sociedade onde impera a lei do "cada um por si", os livros do gênero oferecem um pequeno paliativo para quem busca afeto e calor humano. Com eles, ressurge a esperança de se ter uma vida plena de felicidade e sucesso em meio à solidão dos tempos modernos.
Obras como O Poder Infinito da Sua Mente, de Lauro Trevisan, ou O Poder Cósmico do Subconsciente, de Joseph Murphy, baseiam-se sempre na mesma premissa: a de que cada indivíduo detém, nas profundezas da própria mente, um poder adormecido e misterioso capaz de aproximá-lo das mais fantásticas realizações. "Sua realidade atual ou sua vida atual é resultado dos pensamentos que você tem. Tudo isso irá mudar quando você mudar seus pensamentos e sentimentos", apregoa a australiana Rhonda Byrne em O Segredo, um dos mais recentes blockbusters do segmento.
Quando não explora os poderes ocultos da mente, a autoajuda recorre à força da razão. É quando entram em campo as receitas, os métodos e mandamentos que devem ser observados pelo leitor ao perseguir seus objetivos pessoais e profissionais. São exemplos dessa escola A Lei doi Triunfo, de Napoleon Hill, As Sete Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak Chopra, e os vários títulos que se amparam no "como" - como passar no vestibular, como enriquecer fazendo o que você gosta, como largar o cigarro em dez dias etc. "No mundo empresarial, nós encontramos facilmente as duas vertentes: tanto a mais transcendental, que explora o poder misterioso que existe dentro de nós, quanto a mais secular, que se baseia no poder da razão, da disciplina e da perseverança", explica Rüdiger, que também é professor titular da PUC-RS.
Autoajuda, eu?
Muitas das controvérsias que rondam o tema são frutos não só de inconsistências lógicas e científicas de algumas obras, mas também de uma confusão conceitual. Ocorre que, no Brasil, os títulos que não se encaixam nos catálogos de ficção ou de não ficção caem em uma vala comum - a de "autoajuda e esoterismo". Assim, é comum ver livros focados em negócios e finanças pessoais disputando espaço com outros do quilate de Quem Me Roubou de Mim?, do padre-popstar Fábio de Melo, e Se Abrindo para a Vida, da médium Zibia Gasparetto, que afirma transcrever mensagens ditadas por espíritos. A confusão afugenta leitores do gênero e, muitas vezes, incomoda os próprios autores. James Hunter, por exemplo, mostrou-se surpreso ao saber que O Monge e o Executivo é uma referência de autoajuda no mercado brasileiro. "Nos Estados Unidos e em qualquer outro lugar do mundo, o livro é vendido na seção de negócios. Não entendo como ele foi entrar em uma seção diferente aí no Brasil", disse ele a AMANHÃ.
No Brasil, muitos autores gostariam de fugir de qualquer associação com as linhagens mais esotéricas do gênero. Nos Estados Unidos, as obras que tratam de conceitos de gestão empresarial com uma abordagem mais amigável recebem uma classificação específica - a de business light. É justamente nesse filão que muitos autores reivindicam lugar quando querem fugir da associação com as linhagens mais esotéricas do gênero. O consultor César Souza, por exemplo, costuma brincar dizendo que não escreve livros de autoajuda, e sim de "alta ajuda". "Eu escrevo para provocar a reflexão e expandir as fronteiras do management. Trato de assuntos sérios de uma forma accessível para uma parcela crescente dos profissionais, e não só para uma elite acadêmica ou executiva. Não se pode confundir isso com autoajuda", argumenta Souza, que é autor de seis títulos, entre eles Você É do Tamanho dos Seus Sonhos - em que mostra como aplicar conceitos de planejamento estratégico na carreira e na busca da realização pessoal.
Mas, afinal, como saber se a autoajuda realmente ajuda? A resposta depende de quem está com o livro nas mãos. Aqueles que conseguem se despir dos preconceitos e se deixar levar pela mão amiga do texto tendem a se sentir realizados. No ambiente de negócios, porém, a maioria dos empresários e executivos ainda prefere exercitar o espírito com os ensinamentos da Bíblia. E quem se atreve a dizer que a crença em Deus não traz nenhum benefício aos fiéis? "Eu sou um cara que acredito. Eu vivi e ainda vivo a experiência do cristianismo e da espiritualidade como algo real. É como o vento: você não pode vê-lo, mas pode senti-lo", conta Guido Bretzke, presidente da GPS Gestão Empresarial, que comanda as operações da Bretzke e da Sasse Alimentos, ambas de Jaraguá do Sul (SC).
Luterano praticante, Guido diz ler diariamente a Bíblia, que considera ser "o Manual do Proprietário do Ser Humano". Além disso, faz questão de intercalar os livros de negócios com outros que tratam das questões essenciais da espiritualidade. Uma de suas leituras mais recentes foi Ocupado Demais para Deixar de Orar, de Bill Hybels, que fala sobre a importância de se reservar um tempo entre os afazeres do dia para se dialogar com Deus.
A crença de que existe "algo mais" ditando os rumos da vida se fortaleceu em outubro de 2007, quando Guido foi vítima de um grave acidente. Durante um coquetel, um garçom foi recolocar álcool em um réchaud, mas se descuidou e provocou uma explosão. O herdeiro do Grupo Bretzke sofreu queimaduras em 15% do corpo e teve de passar 16 dias internado em um hospital. A fé, diz ele, foi decisiva na fase de recuperação. "Aquilo confirmou muitas coisas que eu já imaginava. Eu tinha convicção de que ia morrer, mas me recuperei e mudei minha agenda", conta.
Hoje, além de ser um líder menos centralizador, Guido se dedica aos mais variados tipos de leituras. O gênero preferido é o de biografias - acaba de ler Sete Homens e os Impérios Que Construíram, de Richard Tedlow. Mas a biblioteca também abrange livros de negócios e, por que não?, de autoajuda - embora ele próprio tenha ressalvas contra as publicações mais emblemáticas desse gênero. "Alguns livros exageram e ficam apenas enumerando meios de se atingir o sucesso, sem levar a uma reflexão", crítica ele. "Mas, com algum critério, sempre dá para se tirar algo de bom deles."
Forma e conteúdo
Livros de autoajuda jamais serão uma referência para quem busca um conhecimento consistente em qualquer área. Mas podem ser - e muitas vezes são - uma maneira de se refletir sobre hábitos e dogmas que já estão arraigados no nosso dia a dia. Em alguns casos, também funcionam como uma introdução a conceitos básicos de administração, tais como gestão do tempo, planejamento de carreira, networking e coaching, para ficar nos mais recorrentes.
Em Metanóia, por exemplo, o economista Roberto Adami Tranjan relata a história de Lucas, um empreendedor que se vê repentinamente em apuros depois de perder um contrato com seu cliente mais importante. Atrás de uma solução, o personagem começa a rever o modo como comandava o negócio - o que dá a deixa para Tranjan abordar conceitos como ponto de equilíbrio financeiro, empresa única, ciclo de sobrevivência, ciclo de prosperidade e outros. Para facilitar a leitura, tudo é apresentado em forma de romance. "O que eu pretendo é ser profundo no conteúdo, mas simples na forma. Não adianta só ter conteúdo. O Michael Porter fez livros fantásticos, mas dá para contar nos dedos as pessoas que leram Estratégia Competitiva do começo ao fim", sustenta Tranjan.
Muitos gestores buscam nos livros uma forma de difundir conhecimentos entre a equipe de maneira fácil e prazerosa. A sintonia fina entre forma e conteúdo também cai bem na hora de treinar e motivar funcionários. Hoje, muitos gestores buscam nos livros uma forma de difundir conhecimentos entre a equipe de forma fácil e prazerosa. Um exemplo é Eduardo Bresolin, superintendente da AGCO Finance, braço de financiamentos da fabricante de máquinas agrícolas AGCO. Recentemente, Bresolin decidiu que era hora de renovar os ânimos do pessoal do departamento comercial. Para isso, adotou uma medida simples, porém eficiente: distribuiu a cada funcionário da área um exemplar de Como Vender Qualquer Coisa a Qualquer Um, como é conhecida a autobiografia de Joe Girard, o incensado "maior vendedor do mundo". "Ele mostra que o negócio é ser simples e fazer as coisas acontecerem. Nós conseguimos difundir esse conhecimento para os nossos concessionários e o resultado foi muito bom", recorda Bresolin. O detalhe é que ele não lê livros de autoajuda. Prefere as biografias - já leu as de Jack Welch, Lee Yakoka e de Atílio Bilibio, entre outras. E reclama das livrarias que colocam a obra de Joe Girard nas estantes da autoajuda. "O livro conta a história de um vendedor de carros que adotou uma série de práticas bem-sucedidas. É uma história verdadeira e prática. Não há nada de mágico aí", argumenta.
Vaga no estacionamento
O fato é que seguir os "sete passos" do sucesso e da realização pessoal não faz mal nenhum - a não ser, é claro, nos casos em que o leitor carece de espírito crítico. Sem critério e uma boa dose de bom senso, os métodos tendem levar à frustração rápida. Para evitar perda de tempo, o ideal é manter distância de livros, CDs e programas de autoajuda que são excessivamente prescritivos - isto é, que trazem métodos prontos para a conquista de metas espirituais ou mundanas. "Há uma parte da autoajuda que é muito tutorial e manipuladora. Ela vende ilusões e tenta encaixar o indivíduo em um padrão predeterminado, sem deixar espaço para reflexão, questionamento e descoberta de novas visões de mundo. Esse é o tipo de autoajuda que atrapalha", resume Dulce Magalhães, diretora da consultoria Work Educação Empresarial e colunista de AMANHÃ.
Um dos títulos que costumam ser lembrados entre os maus exemplos é - olha ele aí de novo - O Segredo, de Rhonda Byrne. Lançado em 2007, o livro reúne os relatos de sete pessoas que testaram e comprovaram o poder do pensamento positivo. O segredo em questão é a chamada "Lei da Atração", segundo a qual os pensamentos positivos atraem outros pensamentos positivos - até o ponto em que começam a transformar o mundo para melhor. Segundo Rhonda, todas as grandes personalidades da história, de Shakespeare a Leonardo da Vinci, valeram-se da Lei da Atração em seus esforços para mudar o mundo. Verdadeira ou não, a tese já atraiu mais de 1,5 milhão de compradores no Brasil. Mas nem por isso caiu nas graças dos leitores mais críticos.
"Quer dizer, então, que se eu entrar no estacionamento do supermercado e imaginar que há uma vaga disponível lá na frente da portaria a vaga vai estar lá? É claro que isso é uma enganação. O que acontece se dez pessoas mentalizarem a mesma vaga?", questiona o empresário Beto Colombo, fundador da Anjo Química, de Criciúma. Formado em Filosofia, Beto é um devorador de livros - diz ler um por semana, em média. Prefere as obras de humanistas como Protágoras, Descartes e Karl Jung e a Bíblia. Eventualmente, entrega-se a leituras menos pretensiosas, tais como Shackleton, uma Lição de Coragem, de Margot Morrell e Stephanie Capparell. Mas rejeita terminantemente a autoajuda de viés esotérico. "Hoje, as pessoas não perguntam mais o porquê das coisas. Elas querem apenas seguir um guru e resolver os problemas da maneira mais fácil - e esses livros só agravam o processo", teoriza Beto.
Poder infinito
Há, no entanto, autores que se cercam das mais variadas referências científicas para dar sustentação à tese de que o poder da mente é não só uma crença, mas um método real e confiável para quem almeja mover montanhas. Um deles é o padre Lauro Trevisan, que vive em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. Formado em Filosofia e Teologia, Trevisan exibe diplomas de especialização em cursos como psicanálise, parapsicologia e jornalismo. Isso sem contar as extensões em áreas mais, digamos, exóticas: Análise Transacional, Método Chapiro de Administração, Controle da Mente e "Os Nove Domínios da Consciência".
É a essa bagagem para lá de eclética que ele recorre para afirmar que o poder da mente é algo mais do que uma crendice popular. "O poder da mente, longe de ser um oba-oba para motivar pessoas, é uma ciência que eu considero o caminho por excelência para a autorrealização pessoal", diz ele. Nos seus livros e conferências, Trevisan difunde os preceitos do poder da mente e relata alguns casos em que o pensamento positivo foi crucial para resolver problemas aparentemente insolúveis.
"Alguns anos atrás, eu desejava construir a nova sede do meu trabalho. Adquiri um terreno e mandei fazer o desenho do projeto, um prédio de cinco andares, inclusive com auditório", recorda Trevisan. O projeto, diz ele, só carecia de um pequeno detalhe: dinheiro. "Quando me perguntavam como iria realizar a obra, a resposta era que eu seguia a orientação de um grande ‘economista' chamado Jesus Cristo". No início, Trevisan só tinha dinheiro para erguer os fundamentos e o primeiro andar. Mesmo assim, com a força da fé, garante que não só realizou o sonho de construir a nova sede como acrescentou um andar extra ao projeto.
"E ainda terminei de pagar a obra antes que ela fosse concluída", garante. Hoje, o prédio abriga a Editora da Mente, empresa de Santa Maria responsável por editar e distribuir os livros de Trevisan - mais de 50, no total. Um deles é O Poder Infinito de Sua Mente, que ao longo de 180 páginas trata de temas tão variados quanto a força da fé, a cura pela palavra, a luta contra o hábito de beber, os mandamentos da harmonia sexual, a educação infantil e os mistérios da clarividência. Embora não existam números oficiais, o livro já vendeu 1,06 milhão de exemplares em todo o país, segundo Trevisan.
AUTOAJUDA OU AUTOATRAPALHA?
Não são poucas as controvérsias que cercam o filão da autoajuda. Quem gosta sustenta que estes livros apresentam preciosos conselhos para a realização pessoal – ou, pelo menos, um pouco de conforto para os momentos difíceis da vida. Já para os críticos, a autoajuda é reduto de livros de valor literário duvidoso e que oferecem ao leitor nada mais do que ilusões e frustrações. Veja, abaixo, quais são os argumentos que se equilibram em cada lado da gangorra: AJUDA
- O gênero torna acessíveis alguns conceitos de gestão empresarial, psicologia, medicina e outras áreas do saber sem cair no rigor científico e na linguagem – geralmente, chatíssima – dos livros técnicos e acadêmicos.
- Serve de estímulo para o leitor refletir sobre hábitos e dogmas que já estão arraigados no seu dia a dia – e que, muitas vezes, têm efeitos colaterais sobre a vida que sequer são notados.
- Nos momentos difíceis, a autoajuda oferece esperança, conforto e motivação – coisas que estão se tornando cada vez mais raras em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competição.
- Com uma boa dose de senso crítico, é possível escolher obras que inspiram novos insights para se viver e trabalhar melhor.
- Alguns livros classificados como autoajuda mantêm distância de qualquer abordagem esotérica e trazem dicas realmente úteis para quem deseja se “autoajudar”.
ATRAPALHA
- Quando é utilizada como a única referência de leitura. A autoajuda jamais será suficiente para proporcionar uma formação consistente em nenhuma área de conhecimento, muito menos nos negócios.
- Algumas obras são meramente prescritivas e tratam o leitor como se ele fosse o único responsável pelo seu próprio destino. Cuidado: estas receitas prontas tendem a gerar frustrações.
- Educadores alegam que a autoajuda cria uma espécie de atrofia crítica. As pessoas perdem a capacidade de tomar decisões por conta própria e passam a viver em função das receitas tiradas dos livros.
- Seguidos cegamente, os métodos de autoajuda descolam o indivíduo da realidade e o aproximam do fanatismo.
- Há livros que conquistam o leitor no impulso. Tome cuidado com títulos que prometem métodos fáceis para se alcançar a felicidade.
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