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Só falta falar

 
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Como as inovações tecnológicas estão beneficiando o meio ambiente e mudando a rotina de prédios e escritórios corporativos

A eterna rixa sobre a temperatura do ar-condicionado ou os boatos de quem deixou as lâmpadas acesas ao fim do expediente estão com os dias contados. O “culpado” é um pequeno computador, programado para manter a temperatura considerada ideal para um ambiente de trabalho (que geralmente varia de 20 a 23 graus) e responsável por ligar e desligar as luzes automaticamente, entre uma série de outras funções.

As tecnologias podem ser vistas no prédio do Centro de Integração Empresa-Escola do Rio Grande do Sul (CIEE-RS), localizado na capital gaúcha. Lá, a máquina também controla as cortinas e as lâmpadas, que funcionam em sincronia. Quando o dia está ensolarado, as luzes se apagam e a persiana é aberta. Se o tempo virar, cortinas são fechadas e lâmpadas com controle de intensidade são acesas, permitindo apenas a entrada da luz necessária para o trabalho. Tudo automático. “As salas contam com sensores que leem a quantidade de luz natural e a temperatura do local. Dessa forma, conseguimos controlar a incidência de luz por meio das persianas automatizadas, reduzindo o consumo de energia. A refrigeração e a iluminação acontecem de acordo com a necessidade”, descreve Newton Correa, controler do CIEE-RS.

Prédio do CIEE-RS, em Porto Alegre (RS): possui luzes e persianas automatizadas e sensores de temperatura.  
Prédio do CIEE-RS, em Porto Alegre (RS): possui luzes e persianas automatizadas e sensores de temperatura.  

A economia é grande. “Para trabalhar, precisamos de 500 lux (medida de luz). Um dia de verão, por exemplo, chega a ter 100 mil lux na rua. Precisamos aproveitar toda essa energia, que está à disposição de todos, sem custo algum”, comenta José Rocco, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto e pela assistência à obra, ao lado de Pedro Simch.

As preocupações com a natureza vão além. Ao passar pelo portão que dá acesso ao complexo, observa-se que o piso da praça é composto por placas removíveis. É pelas juntas das placas de concreto que a água da chuva é captada. A partir dali, ela é armazenada e reutilizada na irrigação das plantas e nos vasos sanitários dos banheiros. Apenas com essa iniciativa, são economizados 600 mil litros de água por mês.

O prédio, orçado em R$ 39 milhões (já com os móveis e equipamentos), ainda possui elevadores inteligentes, que ‘conversam’ entre si. “Nunca dois elevadores estarão no mesmo andar, ao mesmo tempo. Eles otimizam o percurso e economizam energia”, destaca Correa.
Outro empreendimento que segue a linha sustentável é a nova sede da Vonpar Refrescos. O prédio, que deverá ser inaugurado até o fim de 2010, terá luzes e persianas acionadas automaticamente, além de reaproveitar a água da chuva. Persianas externas protegerão o prédio antes mesmo de o calor entrar no empreendimento. “Elas funcionarão como uma barreira extra, defendendo o prédio dos raios ultravioletas e do calor”, explica o arquiteto Pedro Simch. Ao minimizar a passagem do calor, diminui-se o consumo de energia. E quando o ar externo estiver na temperatura considerada adequada (23 graus), o sistema de ventilação será virtualmente acionado.

CIEE-RS: a água da chuva é armazenada entre as placas do piso, sendo reutilizada na irrigação.  
CIEE-RS: a água da chuva é armazenada entre as placas do piso, sendo reutilizada na irrigação.
 

O grande destaque do prédio fica para o controle de qualidade do ar, que será feito em todos os pavimentos (no CIEE-RS, a tecnologia já está em uso, mas apenas no estacionamento). Um medidor calculará a quantidade de CO² em cada ambiente. Se o nível estiver alto, o sistema efetuará a renovação do ar de forma automática. “O CO² diminui a produtividade, dá sono e sensação de cansaço. Consequentemente, os funcionários rendem menos”, analisa Luis Wintter, gerente de Instalações Industriais da Vonpar Bebidas.

 

O VILÃO PERDE A FORÇA

A cada dia, crescem os exemplos de tecnologias que beneficiam a natureza. O maior consumidor de energia elétrica não poderia ficar de fora: o ar-condicionado. O sistema – chamado VRF (Variable Refrigerant Flow) – permite que um único aparelho externo comande mais de 20 equipamentos internos. O VRF é mais econômico, promete gastar até 30% menos energia, evita a poluição visual do prédio e é mais silencioso. No mercado, o produto só é disponibilizado por empresas especializadas, caso da Klift Serviços de Climatização, de Porto Alegre (RS). “A central mostra as informações de todos os aparelhos, como temperatura atual e peças que não estão funcionando bem. É possível programar a hora em que o equipamento vai ligar e desligar”, acrescenta Luiz Afonso Dias, diretor da Klift.


Além de ter os melhores equipamentos, é preciso projetá-los de forma inteligente e garantir um rígido cronograma de manutenções. Segundo Mario Alexandre Ferreira, diretor da Projetos Avançados, empresa especializada em projetos de ar-condicionado, esse é o principal segredo. “Não se pode pensar que os condicionadores de ar são todos iguais. A solução não é padronizada, como uma receita de bolo. Não existe um sistema que seja o mais econômico, ou mais eficiente. Depende de cada caso”. Para manter o aparelho em boas condições, é necessário fazer a manutenção, a limpeza e a reposição de peças com frequência. “Sem esses cuidados, é como ficar dez anos sem ir ao médico”, compara.
Além disso, a cada modificação de layout é preciso analisar possíveis mudanças no projeto do ar-condicionado. “Mal projetado, o aparelho vai desgastar mais rápido e gastar mais energia”, explica Ferreira, que faz um alerta. “A falta de manutenção pode até gerar doenças nos colaboradores. A qualidade do ar depende do bom funcionamento do processo de filtragem do aparelho, que elimina os poluentes”.

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