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Coadjuvante virou protagonista
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| ------ | Móveis e cadeiras contribuem para a saúde e para a produtividade do funcionário e permitem que, enfim, ambiente se adapte ao usuário – e não o contrário A falta de preocupação com as condições de trabalho de colaboradores custou caro a um grande banco brasileiro. Após 23 anos batendo ponto, uma bancária que desenvolveu lesão por esforço repetitivo (a temida LER) recebeu incríveis R$ 350 mil de indenização em 2010.
Para chegar ao valor quase milionário, foram consideradas a gravidade do dano e a média de vida da população brasileira. Longe de ser um evento isolado, o caso escancara problemas que algumas empresas, por absoluta má gestão do bem-estar organizacional, ainda enfrentam. De tempos para cá, o mobiliário deixou de ser um simples coadjuvante para se tornar um dos protagonistas dos novos conceitos de escritórios corporativos. “Hoje, trabalhamos com a ideia de que o ambiente (e tudo que o compõe) deve se adaptar ao usuário – e não o contrário”, defende Francisco César Groch, diretor de Marketing da Cavaletti, empresa que tem no conforto do usuário seu principal lema. “Não podemos nos abaixar na mesa, ou ficar curvados em uma cadeira. O móvel tem de se adequar a nossa postura e o encosto deve ter curvaturas que se adaptem às do meu corpo”, ilustra Cristiane Canele, ergonomista da empresa. De fato, muita coisa mudou. Antigamente, ao pensar na decoração de um escritório, os móveis eram fundamentais. As cadeiras? Pouco importavam. Hoje, as pessoas já têm outra visão. “A cadeira foi valorizada ao longo do tempo. Atualmente, ela é um fator decisivo. Afinal, é onde o funcionário permanecerá grande parte do tempo”, reforça Cristiane. O assento ideal depende do uso que terá – e de quem o utilizará. No primeiro caso, é necessário avaliar a sua função. “Para alguém que trabalha 8 horas diárias em frente ao computador, temos um tipo de demanda. Para uma pessoa que assistirá a uma palestra em um auditório, outra. E para um visitante que irá aguardar em uma sala de espera, uma terceira opção. Uma cadeira de cinema, por exemplo, é muito confortável. Mas ela não serviria para um escritório. O trabalhador pegaria facilmente no sono”, brinca a ergonomista da Cavaletti. Como não é possível fazer uma cadeira específica para cada funcionário, as regulagens cumprem esse papel “a la carte”. O objetivo é fazer com que elas se adaptem ao maior número de pessoas possíveis. “Quanto mais regulagens, maiores são as minhas chances de acerto”, afirma Groch.
DE DENTRO PARA FORA
Quem criou o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau” não conhecia a fábrica da Cavaletti. Lá, o exemplo acontece de dentro para fora. O cuidado com o conforto dos funcionários, tanto no setor administrativo quanto na fábrica, é intenso. Treinamentos sobre o uso das máquinas, programas diários de ginástica laboral, equipamentos e uniformes adequados e incentivos a pausas durante a jornada de trabalho são algumas das ações. Além disso, formou-se o Comitê de Ergonomia e Segurança do Trabalho, para que os funcionários fossem escutados pela diretoria. E é do chão de fábrica que nascem as melhores ideias. “Tentamos aplicar os recursos sugeridos pelos nossos colaboradores não só na nossa prática diária, mas também no desenvolvimento de nossos produtos”, afirma o diretor de Marketing da Cavaletti. Além disso, o primeiro teste das novas cadeiras é passar pelo aval criterioso dos colaboradores. “Toda semana temos uma cadeira nova para testar”, brinca.
A REGRA É CLARA Além do conforto dos usuários, também é necessário levar em conta a legislação trabalhista, que traz algumas exigências em relação às condições de trabalho. A Novara, por exemplo, é uma das três únicas fábricas de móveis que possuem a certificação da ABNT para call center no Brasil – uma norma que, curiosamente, entra em vigor só em 2012. A partir dessa data, as empresas de call center que trabalharem com móveis que não cumprem as regras serão multadas – e ainda poderão ser processadas por usuários que sofrerem LER. |
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