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O botox da arquitetura

 
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Com mais de 30 anos, o prédio da Gerdau em Sapucaia do Sul (RS) continua sendo um jovem atraente. Conheça o retrofit: a fonte da juventude das construções

Gerdau, em Sapucaia do Sul (RS): construído na década de 1970, passou por um retrofit em 2006.  
Gerdau, em Sapucaia do Sul (RS): construído na década de 1970, passou por um retrofit em 2006.  

Um prédio de salas amplas, extensa fachada de vidro e praticamente sem divisórias. O que parece a descrição de um moderno empreendimento comercial é, na verdade, um escritório da Gerdau projetado e construído em meados da década de 1970. Como um quarentão que fala a língua dos adolescentes, se manteve moderno e atual – mesmo com o passar dos anos.


Construído entre 1974 e 1975, e inaugurado no ano seguinte, o prédio da Unidade Siderúrgica da Gerdau, em Sapucaia do Sul (RS), passou por um retrofit em 2006 – técnica que busca adequar imóveis antigos às necessidades atuais, com pequenas reformas que atualizam o projeto sem manchar a planta original. A técnica é uma tendência mundial e vem sendo aplicada, principalmente, em grandes cidades que já sofrem com a falta de espaço – como Nova York, nos Estados Unidos, Londres, na Inglaterra, e Tóquio, no Japão.


Em meados da década de 1980, o complexo passou por uma pequena reforma. Mas foi em 2006 que o escritório de Simch, em parceria com a Arquitetônica, de José Rocco, resolveu renovar o empreendimento, utilizando o retrofit. Redistribuição do layout, colocação do piso elevado, substituição do mobiliário e eliminação de salas fechadas foram algumas das principais mudanças, que visavam uma  maior integração dos ambientes e a entrada de luz natural.


Considerado um projeto visionário, por inaugurar conceitos que só se tornariam populares décadas depois, o empreendimento da Gerdau passou por poucas (mas necessárias) mudanças. “Trata-se de uma planta de vanguarda, que se manteve moderna ao longo de todos esses anos. Por isso, de lá para cá, mexemos muito pouco no projeto original”, conta Pedro Simch, o idealizador do empreendimento. Hoje, os dois andares do prédio abrigam a Central de Serviços Compartilhados da Gerdau, responsável por prestar serviços a todas as unidades mundiais da companhia, e a Administração da usina.


O MUNDO EM SAPUCAIA


Quem entra no complexo, hoje, sobe uma escada que divide dois grandes salões. Neles, dezenas de colaboradores trabalham lado a lado. As poucas salas fechadas contornam as laterais do prédio. Os locais onde acontecem as reuniões são envolvidos por paredes de vidro – o que permite a entrada da luz natural até o centro do edifício. Como a maior parte das salas de reuniões está localizada nas extremidades, onde ficam as janelas, trata-se de uma solução que pode ser aplicada em diversas outras plantas.


Aos visitantes, chama a atenção o silêncio. Apesar de pessoas falando ao telefone, algumas digitando e outras caminhando, o ambiente é tão calmo quanto um templo budista. “Todos visitantes perguntam: o que fizemos para ter esse silêncio?”, conta Antonio Marques de Almeida, diretor de Serviços Compartilhados da Gerdau. Pedro Simch entrega o jogo: “O forro acústico absorve o ruído excessivo”.


O retrofit também traz uma importante economia para a empresa. Afinal, reformar apresenta um custo bem inferior, comparado à construção de um novo prédio. “O retrofit foi uma grande solução. Erguer um novo prédio teria um custo muito alto, que poderia até inviabilizar a implantação do Centro de Serviços Compartilhados”, revela Marques. O gestor também elogia a integração entre os setores. “Está cada vez mais clara a interdependência entre as áreas. A proximidade entre as pessoas acelera os processos e melhora a organização interna”, diz Marques.


Devido ao sucesso e à total satisfação dos funcionários da Unidade de Sapucaia do Sul da Gerdau, o mesmo conceito passou a ser aplicado em outras sedes do grupo – como na cidade de Tlalnepantla, no México. “Hoje, podemos segurar o mundo todo em uma única estrutura. Não precisamos construir mais nada”, finaliza Marques. E tudo isso, acreditem, feito com uma simples obra.

 
Ambiente interno da unidade do Grupo Gerdau: pequenas reformas atualizaram o projeto original.


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