| sexta-feira, 27 de julho de 2012 |
| Funcionário pode trabalhar usando piercing e tatuagem? |
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Nosso corpo é uma ferramenta poderosíssima para expressar quem a gente é e o que pensa Muitos empresários perguntam se funcionários tatuados ou com piercings podem comprometer a imagem da empresa, pois ficam na dúvida sobre como orientar o departamento de Recursos Humanos. Muitos acreditam ser mais seguro vetar qualquer manifestação mais ousada; mas será que a melhor solução é essa? As roupas, o corpo, a maneira como a gente se veste e se movimenta comunicam muito sobre o ser humano que está carregando isso tudo. A gente usa esses recursos para se expressar e se mostrar para o mundo; para marcar posição. Não custa lembrar, isso nada tem a ver com recursos financeiros. Sempro me lembro que uma das pessoas mais elegantes, dignas e com atitude profissional exemplar era uma varredora de rua que conheci; finíssima. E o programa “Mulheres Ricas” passou para provar que boas maneiras e elegância não estão à venda nas lojas para quem quiser comprá-las. Pois é, então nosso corpo é uma ferramenta poderosíssima para expressar quem a gente é e o que pensa; fato. Quando a pessoa faz uma tatuagem, há um monte de mensagens implícitas e explícitas sobre como ela vê o mundo (depende do desenho, do tamanho, do lugar, da quantidade, da postura e da roupa que vai junto, entre outras coisas).Geralmente quem faz uma tatuagem agressiva, usa um alargador na orelha ou um piercing no rosto, demonstra algum tipo de revolta com o estado vigente das coisas, algum inconformismo com as regras e “com tudo isso que está aí“. É também uma forma de se destacar na multidão, de mostrar que é diferente, de não ser “enquadrado” no sistema. Claro que essa é uma interpretação genérica e há quem faça tudo isso por uma questão estética, apenas porque acha bonito. Bom, o ponto em que eu queria chegar é que, quando a pessoa trabalha numa empresa, ela está sendo contratada para transmitir e compartilhar a identidade dessa empresa. E, como estou sempre repetindo, a organização tem que ter um discurso coerente e bem encaixadinho para ajudar a construir uma imagem de credibilidade. Pois então. Se a identidade da empresa também é de inconformismo, de mudança, de ousadia e de quebra de paradigmas, nada mais adequado do que contratar pessoas com um visual, digamos assim, mais alternativo. É mais que coerente; é desejável. Ficaria muito estranho um sujeito de terno azul marinho e gravata, todo lambidinho, trabalhando num estúdio de tatuagem ou numa sex shop, por exemplo. Mas um juiz de bermudão e com uma sereia na testa também não faz muito sentido (o trabalho dele é fazer com que as regras/leis sejam cumpridas; é uma incoerência da parte dele contestá-las). Resumindo: empresas mais ousadas têm maior probabilidade de lidar bem com esses acessórios; por outro lado, em organizações mais conservadoras e totalmente adaptadas às regras, um alargador do tamanho de uma argola de baiana do acarajé não se encaixa; é um ruído grave na sua comunicação. Então, a resposta é: conheça a identidade de sua empresa. Ela compra a maior parte das horas de quem contrata para ajudá-la a comunicar a identidade dela. Se todas as peças que ela distribui por aí forem ousadas e transgressoras, incentive seus funcionário a caprichar no visual hardcore e não contrate gente careta demais. Mas se a empresa for mais convencional ou é uma repartição pública, há duas opções: ou você contrata o profissional e solicita que ele esconda as manifestações mais radicais de sua arte corporal (não mata ninguém; conheço um monte de gente que tira o piercing para trabalhar numa boa) ou reavalie se há alguma outra alternativa no mercado mais adequada ao perfil da organização. Talvez o funcionário e a empresa não tenham um conjunto suficiente de atributos comuns para garantir a sintonia e a convivência pacífica; acontece. Nesse caso, melhor que o funcionário se mude para outra que seja mais compatível com sua identidade profissional. Quem contrata (no caso, o cliente) tem o direito de escolher como quer ser representado no mercado; quanto a isso, não há discussão. E perceba que não tem ninguém errado nessa história. É só uma questão de adaptação a cada caso. Curiosidade: Sim, essa tatuagem da foto é minha; ela é administrada conforme o cliente; na primeira reunião está sempre escondida por um lenço ou gola. Se tiver espaço e for conveniente, ela ganha autorização para aparecer em outras oportunidades. Porque, vamos combinar, algum lado rebelde todo mundo tem, não é? |



Não custa lembrar, isso nada tem a ver com recursos financeiros. Sempro me lembro que uma das pessoas mais elegantes, dignas e com atitude profissional exemplar era uma varredora de rua que conheci; finíssima. E o programa “Mulheres Ricas” passou para provar que boas maneiras e elegância não estão à venda nas lojas para quem quiser comprá-las. Pois é, então nosso corpo é uma ferramenta poderosíssima para expressar quem a gente é e o que pensa; fato. Quando a pessoa faz uma tatuagem, há um monte de mensagens implícitas e explícitas sobre como ela vê o mundo (depende do desenho, do tamanho, do lugar, da quantidade, da postura e da roupa que vai junto, entre outras coisas).


Comentários
Você tem toda a razão. Nas situações onde o uso é proibido por questões de saúde, nem se discute. Eu estava tratando mais da questão da identidade da empresa, nem me ocorreu questionar esse tipo de norma.
Obrigada pela contribuição!
Abraços,