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terça-feira, 12 de julho de 2011
Novos processos, velhas cabeças

Inovação em sistemas trazem mudanças e estas são ameaçadoras para as cabeças mais conservadoras e comodistas: “Para que mudar, se tudo está tão bom do jeito que está?”



Desde a antiguidade processos e sistemas fazem parte do mundo dos negócios. Foram os contadores que deram impulso à matemática e aos modelos administrativos, inventaram o zero e a lei das partidas dobradas: “Tudo que entra deve, tudo que sai tem a haver.” Mas foi a partir do início do século passado, com a aceleração da Revolução Industrial, com suas linhas de produção em massa e o varejo espalhando pontos de vendas por todos os lugares, que os processos e sistemas empresariais começaram a ser organizados em novos e sofisticados formatos. A necessidade da produção/venda em larga escala e de forma econômica trouxe o mundo acadêmico para dentro das empresas e este passou a estudar de forma sistemática o assunto; daí nascerem os consultores organizacionais. A partir de então, a cada necessidade do mundo empresarial, foi apresentada uma nova contrapartida em maneiras de se organizar trabalho e controle. O mundo dos negócios pensa rápido e se adapta com agilidade às circunstâncias.

explicacao-reuniao-350Normalmente, as novidades nascem no ambiente do exército: “A guerra é a mãe de todas as artes”, dizia Heráclito. As novidades inventadas cumprem as necessidades bélicas e depois passam com velocidade espantosa para o mundo da indústria e do comércio. As últimas grandes conquistas foram a internet e o GPS, que surgiram como instrumentos de comunicação militar. A indústria, como principal fornecedora das carências do “pessoal das armas”, sempre dará um jeito de adaptar aquilo que inventou para eles ao mundo civil. A busca pela riqueza é o primeiro impulso da criatividade humana.

Dezenas de processos nasceram assim, desde os testes psicotécnicos para saber o potencial de um soldado candidato a um cargo de chefia ou a uma promoção, até o gráfico Pert e os Escritórios de Projetos que ajudaram a levar o homem à Lua.

Quando uma empresa percebe que precisa de novos processos e de mudança de sistemas está um pouco atrasada na sua intenção. Buscam-se novidades e aparecem os consultores com suas perspectivas e ofertas: “Isto serve para controlar as vendas, este para o estoque, aquela para administrar a logística e este, infalível, administra fluxo de caixa e a folha de pagamento.”

Existem processos e sistemas para tudo; o freguês escolhe. Isso é mais que natural e necessário. Não fossem os profissionais que os montam, não saberíamos nem como começar o planejamento de um novo processo. É a experiência em trabalhar sempre com a criação e a aplicação dos mesmos, em diversos tipos de situações e contextos, que cria a expertise dos consultores.

A empresa escolhe o modelo que acredita ser o mais adequado à sua necessidade e entra na fase da implantação. Alguns demoram meses para começar a funcionar e exigirão mudanças substanciais nos espaços físicos, layouts e na área da computação. Ao mesmo tempo que se cria um clima de entusiasmo entre os responsáveis pelas mudanças, cria-se outro de apreensão entre muitos. O medo do desconhecido é um eterno parceiro dos homens.

Os novos processos e sistemas trazem mudanças e estas são ameaçadoras para algumas cabeças, as mais conservadoras e comodistas: “Para que mudar, se tudo está tão bom do jeito que está?”, contra-argumentam alguns. O medo da perda do cargo e do poder ameaça a implantação da novidade esperada. Resistências invisíveis, estas as piores, surgem aos poucos - o boicote e a rádio-peão correm soltos. Degolas de cargos são anunciadas aos sussurros pelos corredores. Em vez de estudar a mudança proposta e tirar proveito dela, alguns brigarão contra ela de forma agressiva, tanto contra a empresa quanto contra si próprio, somatizando o mal-estar da úlcera, da pressão alta e do estresse. Alguns perdem o sono e outros a libido.

Para atenuar as resistências entre os colaboradores, algumas empresas trabalham a cabeça deles muito antes de alguma mudança ser implantada, o que não garante o sucesso. Outras implantam as modificações goela abaixo e depois tentam arrumar a tropa, e algumas desistem e colocam a culpa, ora no consultor, ora na empresa contratada para a implantação, ora no sistema, mas nunca em si próprias.  

Implantar novos processos em velhas cabeças é como ensinar um truque novo para um cachorro velho. E difícil, mas tem de ser feito.
 

Comentários 

 
+3 #7 Patrícia Rossari 2012-04-27 16:34
Precisamos é de uma reestruturação, descentralizaçã o, uma possibilidade de inovar os sistemas organizacionais , permitindo uma perspectiva mais dinâmica e definitivamente mais atenta as necessidades de um mercado/cliente atento, exigente e em constante transformação.Investir em tecnologias e treinamentos é a prova de que a empresa esta aprendendo, buscando as soluções com o auxílio de quem executa o trabalho, ou seja, os profissionais, isso é participação.Gerenciar pessoas e processos requer uma prática inteligente, competitiva e não a adoção da idéia de que participação é a criação da ilusão de "poder ao funcionário" para distraí-lo e mantê-lo sob controle", manipulando as relações com o intuito de obter o resultado esperado.Qualquer profissional com o mínimo de conhecimento sobre o assunto sabe que as relações de negociação baseadas no ganha-perde não são eficazes,durado uras ou produtivas.
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0 #6 Eduardo L. 2012-03-21 18:50
Bom artigo. As pessoas que não entenderam a metáfora do cachorro velho e processos novos muito provavelmente nunca passaram por mudanças estruturais deste nível em suas empresas, ou, não souberam captar a mensagem.
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-1 #5 Henrique Gomes 2012-03-15 01:11
Infeliz a comparação do artigo com "cachorro velho". Embora muitos que escrevam e compartilham de tal atrocidade sejam realmente comparáveis a cachorros velhos por não terem a capacidade de perceber a diferença entre "cachorros" e humanos, onde esses últimos possui o que se chama de racionalidade e isso sim faz toda a diferença, até para perceber quando maus gestores e consultores interessados em manter seus honorários querem mais é encontrar "bodes expiatório" para justificar suas incompetências na condução de mudanças.
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0 #4 Gessilaine Cardoso 2012-01-27 11:51
O texto fala da realidade da implantação de novos processos em empresas conservadoras.Trabalhar com pessoas e mudança de comportamento é um desafio. Mexer em time, que entende: "Para que mudar, se tudo está tão bom do jeito que eta"? É uma missão para o consultor ou para a empresa; verdadeiramente é Construir na Adversidade.
Parabéns pelo artigo.

Gessilaine Cardoso
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0 #3 claudomir s.silva 2012-01-06 12:22
Questões de entendimentos em setores organizacionais ,são temerosos e implica na maioria das vezes mexer com quem se dizia intocaveis,traz endo com isso desagrados à maioria de grupos de uma empresa.
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0 #2 Luiz Antonio de Lace 2011-12-12 17:10
Concordo plenamente com o Sérgio da Rosa.
Além do artigo ser pobre, sem embasamento, acredito que o autor, generalista diga-se de passagem, deve ser um adepto da zona de conforto, e necessita aprofundar seus conhecimentos em TGO. Começe por Agnes Heller. Vai lhe fazer bem.
Generalizar, historiar com fábulas de cachorro, é ser desprovido de argumentos mais profundos; inculto.
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+1 #1 Sérgio P. da Rosa 2011-12-01 09:31
Olá!
Acho que esse papo de "velhas cabeças" é muito utilizado por gestores que não sabem como encaminhar as mudanças necessárias na organização e aí, quando dá errado e não acontece é muito mais fácil por a culpa nas "velhas cabeças" ao invés de envolve-las e aproveitá-las para impulsionar as mudanças necessárias.
PS.: Cachorro velho tb aprende!
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