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terça-feira, 16 de junho de 2009

Já pensou em ser glaciologista?

Heitor Kuser, presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social (IBDES), fala sobre algumas profissões que começam a despontar e destaca “a importância de se compreender um pouco de tudo”

Por: Ricardo Lacerda e Marcos Graciani / AMANHÃ
 Crédito: Unic Building Comunicações 
Heitor Kuser: especialistas em generalidades

Administrador de caos urbano, conselheiro de aposentadoria, analista de saúde humana, glaciologista. Incomuns hoje, estas são apenas algumas das "profissões do futuro", segundo Heitor Kuser, presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social (IBDES), que tem como missão promover o desenvolvimento das profissões. "O mais importante, na verdade, são as pessoas. Se o profissional for de fato profissional, certamente terá destaque em suas atividades", explica Kuser.

Para ele, as pessoas precisarão saber cada vez mais sobre vários assuntos. "Elas terão que ser especialistas em generalidades, entender e conhecer um pouco de tudo, e por um motivo simples: a informação, em si, está disponível, virou commodity", explica. Um dos temas que ele mais tem debatido diz respeito à sustentabilidade do planeta. "Todas as profissões em que as pessoas estiverem voltadas ao relacionamento institucional, ao compromisso com a sustentabilidade da família, da profissão e do planeta, terão seu espaço garantido", afirma.

Segundo Kuser, no futuro, os consumidores passarão a fazer exigências diferentes das que fazem hoje. Na indústria, por exemplo, a preocupação não será apenas com o produto final, mas também com a origem da matéria-prima. "Todas as áreas demandarão profissionais com essa visão e comprometimento. Não basta o engenheiro químico se preocupar com o que coloca nos produtos se o departamento de marketing da empresa encomendar uma embalagem não sustentável", diz Kuser.

Uma nova profissão que começa a despontar e está diretamente ligada à sustentabilidade é a dos glaciologistas, profissionais que estudam as calotas polares e os problemas ambientais relacionados ao aquecimento global. Entre outras funções também relacionadas a boas práticas ambientais está a do administrador de caos urbano, que trabalha com mobilidade de trânsito. Profissão que também ganha espaço é a do analista da saúde humana, cuja especialidade é ler e interpretar exames médicos para encaminhar o paciente ao profissional indicado. "Em Londres, isso já existe", comenta Kuser.

Enquanto nascem novas profissões, algumas outras - bastante tradicionais, por sinal - correm o sério risco de cair no ostracismo. Uma delas é a de relações públicas. "As empresas não sabem o que isso quer dizer. Contratando um vendedor, os empresários pensam que ele poderá fazer a função de RP, mas é claro que não terá a técnica necessária", explica. Kuser compara o definhamento do mercado de relações públicas com o de jornalismo. "Existe uma confusão entre marketing, comunicação e publicidade", critica. O especialista destaca, também, que os economistas têm carreiras que começam a entrar em declínio. "A década de 80 teve grande expressão dos economistas por causa da hiperinflação. Hoje, retomamos as profissões tecnológicas. Os economistas tiveram sobrevida na crise, mas com o enfraquecimento dela já estão saindo de cena."

Se, por um lado, existem profissões que começam a perder valor, muitas outras vão surgindo. Além das já mencionadas, Kuser aponta ainda oportunidades em mercados bastante incipientes. Entre eles, ganham destaque os de gestão de patrocínios, gestão de relações com clientes e fornecedores, conselheiro de aposentadoria, designer de games, profissionais de ensino à distância e especialista em segurança de internet.

 
14 pessoas comentaram este artigo

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  • Gabriela 07/12/2009 11:47

    Acho preocupante falar em definhamento de algumas profissões quando não se está informado da evolução nessas áreas. O ensino de jornalismo, relações públicas, economia(só para citar as áreas 'preocupantes' segundo este (desinformado) sr.) vem sendo atualizado constantemente, é só acompanhar as especializações que vem surgindo (Economia da Cultura(alguém falou em gestão de patrocínio?), Jornalismo Digital, Responsabilidade Social Empresarial(sustentabiliade aliada à gestão de relacionamentos diz algo?), etc.), além dos projetos de mestrado e doutorado. Ninguém está falando em ofensa às profissões, a crítica ao artigo é clara: o autor está desinformado, e na era da informação, isso sim é um problema!

  • Aurea de Albuquerque Gerum 23/06/2009 14:47

    Atrelar o declínio da carreira de economista com a diminuição e controle de ambientes hiperinflacionários é de uma miopia extrema... É ignorar as diversas vertentes que tal profissional possui numa sociedade e mercados cada vez mais complexos.

  • Denison Mendes 19/06/2009 14:07

    pessoal, o jornalismo, RP e a publicidade viraram extensões do marketing. daí a confusão do senso comum sobre as áreas. ninguém está ofedendo profissão alguma. o que o cara está dizendo é que se não houver mudança de como se vê, ensina, compreende, elabora, funciona, atua estas áreas da comunicação relacionadas com o mercado, elas estarão (como já estão) perdendo o seu motivo de existir. a pense nisso: a especialização é uma forma de dominação. abraços, denison

  • Daniela Mahmud 19/06/2009 11:24

    Sim, há muitos outros pontos importantes, mas que já foram citados nos comentários anteriores... Só mais um desabafo: e ainda falam que o diploma não é importante para ser jornalista... como se a divulgação de informações improcedentes e mal pesquisadas não trouxesse dano à coletividade.

  • Daniela 19/06/2009 11:20

    O que é gestão de patrocínio, relacionamento com clientes e fornecedores, se não relações públicas? Esse senhor está se contradizendo em seu artigo! Vou dar uma palhinha básica pra ti:Relações Públicas trabalha o relacionamento da empresa com seus mais diversos públicos e com o desenvolvimento da 'personalidade' organizacional. Clientes, funcionários, fornecedores, imprensa e outros são públicos de interesse da empresa. O patrocínio tem a ver com a associação da imagem corporativa e deve ser pensado também de acordo com o posicionamento, os valores e a missão da empresa, enfim, com a maneira integrada como ela deve se comunicar para seus públicos.

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Terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
 
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