A cena tem se tornado corriqueira: com as oportunidades cada vez mais escassas do mercado de trabalho, recém-graduados de todo o país prolongam ao máximo a vida acadêmica e buscam qualificação extra para se tornarem competitivos. MBA, especializações, mestrados profissionais, cursos de extensão e toda sorte de programas de ensino têm se transformado em uma forma de mostrar ao mundo corporativo que eles podem, sim, ocupar aquela vaga tão disputada. Mas o resultado desse investimento nem sempre é o que se espera. Sem regulação, o mercado da especialização prolifera de forma descontrolada e suscita uma questão: é esse o modelo de que precisamos?
É a pergunta que se faz a administradora Márcia Bronislawski. Formada pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) em 2008, a catarinense de 24 anos viu no MBA em Finanças da Univale (Universidade do Vale do Itajaí) uma saída para o desemprego e para a falta de experiência profissional - durante a graduação, Márcia fez apenas estágios. Recém-formada, decidiu então procurar alternativas de cursos que encurtassem o caminho para uma experiência corporativa e que coubessem no seu bolso. "Sei que um MBA não é garantia de emprego, mas pode ser determinante em uma seleção", avalia.
Assim como Márcia, uma legião de profissionais recém-egressos da universidade está alimentando um mercado que cresce a uma velocidade extraordinária. Pela falta de regulação, não há estatísticas sobre o número de cursos oferecidos no Brasil ou sobre o número de alunos. Nem a Associação Nacional dos MBA - a Anamba - arrisca um palpite. "É impossível qualquer nível de precisão a esse respeito porque não há uma agência que regule ou classifique os cursos disponíveis. Mas são milhares", espanta-se o professor Adalberto Fischmann, secretário executivo da Anamba. O Ministério da Educação tampouco tem registros. O diretor de regulação e supervisão do ensino superior, Paulo Wollinger, diz que o órgão não tem atribuição legal sobre as especializações. "Fazemos apenas o reconhecimento dos certificados", diz.
O que, na prática, tem se mostrado um problema. O executivo da Anamba, por exemplo, critica a proliferação de programas e diz que houve uma banalização do conceito de MBA "Virou grife. O pessoal pega três letrinhas para fazer propaganda e gera uma tremenda confusão no mercado. É uma irresponsabilidade dizer que um MBA não tem contraindicação. Tem sim", critica Fischmann. Por "pessoal" entenda-se os cursos que não seguem as rígidas orientações da Anamba sobre a qualidade dos MBA, que incluem um número mínimo de 480 horas de aula, uma seleção rigorosa dos alunos e um corpo docente composto por pelo menos 75% de doutores e mestres.
O descontentamento com a desregulamentação e com a consequente proliferação da oferta de cursos de especialização é explícito. "Poderia haver mais clareza sobre o tipo de programa que determinadas instituições oferecem. Tenho a sensação de que muitos alunos não sabem o que é um MBA e tampouco desconhecem que seu certificado não será aceito em algumas circunstâncias", defende o coordenador-geral de MBA do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Sílvio Laban. O Insper, atual denominação do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), está qualificado pela revista Você S/A como um dos cinco melhores MBA em Finanças e Marketing do Brasil. Mas o galardão tem seu preço: um curso no Insper não sai por menos de R$ 44.870,00 - se o pagamento for à vista.
A réplica vem na mesma moeda. "Nossa missão é resgatar as classes C e D", sustenta o professor Edgar Falcão, diretor de pós-graduação da Anhanguera Educacional. A universidade, com sede em Valinhos (SP), tem 30 mil alunos nas suas 34 especializações - sete classificadas como MBA. Nenhum aluno paga mais do que R$ 229 mensais para cursos de um ano, o que dá um total de R$ 2.748,00. "Reconheço que nossos MBA não têm o nível de excelência dos bons programas do mercado. Mas nossos alunos saem daqui melhor do que entraram", justifica Falcão.
A seguir, quatro ilusões que você não deve ter a respeito dos MBAs.
1. MBA não é treinamento
Nem todo programa de especialização pode ser chamado de MBA. Sigla de Master of Business Administration (Mestre em Administração de Negócios), MBA é um tipo de curso que alia conhecimento acadêmico com vivência em gestão de empresas. Ou seja, vale muito mais pela experiência dos participantes na solução de problemas - sejam eles professores ou alunos - do que pelo conteúdo teórico ou prático. Esse modelo começou a ganhar forma ainda no século 19, graças ao businessman norte-americano Joseph Wharton. Foi dele a ideia de fazer um programa de bacharelado em negócios na Universidade da Pensilvânia, em 1881. O grau de mestre só seria oferecido a partir de 1900, quando a Dartmounth College (de New Hampshire) estendeu por mais um ano a formação desses novos graduados como forma de aprofundar os conteúdos em gestão. O primeiro MBA foi criado por Harvard em 1908. Mas só a partir de 1925, com o desenvolvimento de um curso parecido pela Universidade Stanford, é que os programas começaram a se disseminar pelas universidades americanas. Classificar uma especialização em logística ou em gestão hospitalar como MBA, portanto, pode ser um equívoco.
Essa, pelo menos, é a convicção do professor Márcio Campos, coordenador do programa de MBA da Fundação Dom Cabral (FDC) - a saber, outra instituição entre as cinco mais bem avaliadas pelo ranking da revista Você S/A. Com 12 anos de estrada e 59 turmas já formadas, Campos diz que a FDC é rigorosa na abordagem dos programas de ensino justamente para manter a essência de um MBA. Os cursos da fundação, por exemplo, exigem pelo menos cinco anos de experiência profissional dos candidatos a uma vaga - de preferência em funções gerenciais. As turmas são formadas a partir da indicação de empresas, ou seja, ter um vínculo profissional é uma condição essencial para ser aluno. A média de idade dos estudantes é de 37 anos e os programas incluem noções gerais de operações, marketing, estratégia, relações internacionais, inovação. E muita troca de informações entre os participantes. "O nosso grande problema hoje é fazer uma composição de experiências com o objetivo de constituir um grupo homogêneo, que tenha vivência profissional, domínio de outras línguas e até experiências no exterior", sustenta Campos. A cada processo seletivo aberto pela FDC, segundo Campos, há três candidatos por vaga.
A febre dos cursos de especialização no Brasil começou a se desenhar ainda nos anos 80, quando o empresário Ricardo Semler, CEO da Semco, escreveu Virando a Própria Mesa e relatou a sua busca por conhecimento executivo mesmo estando no ambiente de uma empresa familiar - teoricamente mais propenso à aprendizagem prática. Editado pela primeira vez em 1988, o livro relata como Semler alcançou a presidência da Semco aos 21 anos de idade e como conseguiu ingressar nos disputados cursos de MBA da Harvard depois de criticar publicamente a instituição por não aceitá-lo como aluno regular. Virou uma bíblia. Uma década depois, a enxurrada de programas de formação de executivos era uma realidade irreversível no país.
A vulgarização do conceito, porém, virou um problema. Um dos teóricos mais importantes da atualidade critica a falta de foco dos MBA. "Usar a sala de aula para ajudar a desenvolver gente que já exerce a gerência é uma ótima ideia, mas pretender formar gerentes a partir de pessoas que nunca gerenciaram nada é pura fantasia", escreve o professor norte-americano Henry Mintzberg. Ele é autor de MBA? Não, Obrigado (Bookman, 2009), um compêndio de valiosas regras sobre o que não fazer em um curso de especialização executiva. Seu objeto, claro, são as tradicionais escolas de administração americanas que ajudaram a popularizar, em escala mundial, a tese de que é possível formar gerentes apenas com teoria. Não é. Segundo o professor, 1 milhão de portadores de um título de MBA invade o mercado dos Estados Unidos todos os anos - a maioria com escasso conhecimento sobre clientes, produtos e processos. "Via de regra, os MBA convencionais treinam pessoas erradas, de maneira equivocada e com consequências inadequadas", dispara Mintzberg.
2. MBA não garante emprego
Semler é representante de uma era econômica que não existe mais - hoje, mesmo as empresas familiares buscam executivos no mercado para profissionalizar sua gestão. Mas fazer um MBA não garante emprego para ninguém, assegura o headhunter Celso de Camargo Campos, diretor da Apex Executive Search, com sede em Joinville (SC). Pode, quando muito, dar uma mãozinha. "Um MBA só é determinante em casos muito específicos", diz o consultor. Para ele, a variedade da oferta é o principal entrave e contribui para uma visão crítica em relação aos profissionais egressos das especializações. "É muito fácil fazer um curso hoje e exibir um certificado. Mas quando demandados a praticar os conhecimentos adquiridos, poucos profissionais vão mostrar a qualidade que o mercado busca", sentencia Campos.
Os primeiros MBA do país, criados a partir de 1985, direcionavam seu aprendizado para questões de administração e finanças. Só que o movimento natural em direção à profissionalização, registrado com mais força nos últimos 15 anos, foi seguido de perto por uma oferta crescente de cursos de capacitação para inúmeras áreas, desde suprimento até meio ambiente, passando por comunicação e direito. Hoje, há MBA para tudo: de gestão de projetos a auditoria, de agronegócio a recursos humanos. "Resultado de uma época em que as empresas colocaram todo mundo a fazer MBA", diz Marco André Ferreira, superintendente executivo de recursos humanos do Santander Brasil.
No Santander, um MBA só é levado em consideração para efeito de contratação se tiver impacto efetivo na capacidade do indívíduo. Ou seja, se o estudante tiver ido além do simples certificado. "Fazer por fazer não agrega valor à carreira de ninguém", avança Ferreira. Mas, estando em posição de comando, o aperfeiçoamento é recomendável. Nesse caso, o Santander investe pesadamente em qualificação: as pós-graduações no Brasil (MBA incluídos) beneficiaram 170 funcionários em 2009; para estudar no exterior, o banco designou - depois de uma seleção extremamente rigorosa - oito pessoas em 2009 e prepara mais oito para o ano que vem. O funil, porém, é grande: para selecionar esses 16, o Santander eliminou outros 114 funcionários no processo de seleção.
O administrador Leandro Vieira sentiu na pele a falta de foco de boa parte dos MBA oferecidos hoje pelo mercado. Ao concluir a graduação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Vieira ingressou no MBA do Instituto Português de Administração em Marketing. "Foi uma experiência muito rica, mas a falta de base nos conteúdos técnicos me levou a buscar apoio em um mestrado profissional", diz ele. Vieira tem certeza de que o MBA é incapaz de substituir uma graduação se o objetivo é preparar um profissional para a gestão de empresas. "Mas o networking possível de ser formado no curso é fundamental para a carreira", completa.
O problema da especialização se agravou porque a legislação liberalizante admitida para o setor, aliada à demanda por profissionais com capacitação teórica, abriu as portas para um negócio promissor: nenhum curso de especialização classificado como lato sensu no Brasil precisa de autorização legal para funcionar. Basta ser oferecido por uma instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) ou credenciada especialmente para esse fim. A única exigência é que a instituição ofereça cursos na área em que possui competência - ciências exatas, por exemplo - e que seja diretamente responsável por eles, não podendo chancelar ou validar certificados emitidos por terceiros nem delegar essa atribuição a outra entidade. Cursos a distância também são admitidos, desde que incluam provas presenciais e um trabalho de conclusão defendido pelo aluno em uma banca.
Outros dois requisitos do MEC dão conta do perfil do corpo docente e da quantidade de aulas necessárias. Pela resolução 001/2007, do Conselho Nacional de Educação, os cursos de especialização devem ter uma carga horária mínima de 360 horas e 50% dos professores precisam ser titulados como doutores ou mestres. A outra metade deve ser obrigatoriamente constituída por docentes com formação mínima de especialização. Os cursos têm de ser concluídos com a realização de uma monografia final - embora não seja difícil comprar um trabalho de conclusão, inédito e elaborado de acordo com as regras da ABNT, para a área que se desejar (veja reportagem à página 46). Os certificados, por outro lado, devem conter todo o histórico do aluno, com a lista de disciplinas cursadas, o professor ministrante e as notas obtidas para a colação de grau.
O mercado é pragmático. Segundo Alfredo Assumpção, da agência Fesa Global Recruiters, o mais importante para uma empresa é o desempenho do profissional, independentemente de ter certificados ou não. Até porque a oferta de certificados, segundo ele, cresceu cinco vezes nos últimos dez anos. "O mundo corporativo busca desempenho. Tanto isso é verdade que 60% dos CEOs listados pela revista Forbes como os melhores do mundo não têm um MBA", informa o headhunter, autor do recente Fraldas Corporativas (Saraiva, 2009) - que trata justamente da imaturidade de muitos jovens executivos para assumir funções de liderança.
3. MBA não é a única opção
O MEC decidiu transformar os mestrados profissionais em centros de excelência para a formação de gestores - e não mais para o direcionamento de profissionais a carreiras acadêmicas. Isso pode ajudar na recuperação do prestígio dos MBA, já que os mestrados executivos, que até então se alinhavam aos cursos de pós-graduação stricto sensu (veja quadro abaixo), devem ganhar espaço nas instituições de ensino superior. "O mestrado profissional vai competir com os MBA, o que deve aumentar a pressão por qualidade", informa o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães. A agência governamental, que regula as pós acadêmicas em todo o país, decidiu flexibilizar o modelo: as regras de avaliação levarão em conta os aspectos práticos do programa, como a solução de problemas, as propostas de inovação ou a carreira profissional. A Capes, por exemplo, vai permitir que executivos com vasta experiência profissional, mas sem formação adequada, reforcem os programas de especialização. "Nossa avaliação [dos mestrados executivos] era muito criticada pelo seu viés excessivamente acadêmico", diz Guimarães.
A expectativa é de que essa flexibilização ajude a criar mais programas de mestrado profissional no Brasil, sobretudo em universidades privadas de ótimo nível. O que, de certa forma, ajudaria a elevar o nível dos MBA. Mas, para os executivos da Associação Nacional dos MBAs (Anamba), ainda é pouco. Adalberto Fischmann, secretário executivo da instituição, diz que é necessário alinhar os conteúdos dos programas de ensino brasileiros aos padrões internacionais de qualidade, como forma de garantir a consistência do que é ensinado. "Isso significa muito mais do que as 360 horas recomendadas pelo MEC", critica. A Anamba recomenda um mínimo de 480 horas de aula.
O coordendor executivo de MBA da Unisinos, de São Leopoldo (RS), Éder Paulo Miotto, também é cético em relação a mudanças. "O MEC dá nota para tudo quanto é curso, menos para as especializações lato sensu. Eu gostaria de saber por quê", provoca o professor. Segundo ele, é inútil pressionar a oferta de cursos por meio de medidas pontuais, já que o quesito custo continua sendo crucial. "Enquanto não houver uma regulamentação, a pressão dos cursos mais baratos vai continuar", diz.
4. MBA não é para todos
Outro problema que ronda o mercado de MBA no Brasil é estabelecer um parâmetro para definir quem é quem. Assim como os cursos do Insper/Ibmec - que têm certificação internacional e respeitam as normas rígidas da Anamba - se declaram MBA, os programas da Anhanguera Educacional igualmente reivindicam a titulação, reconhecida mundialmente como sinônimo de qualidade executiva. A mensagem desse raciocínio, apesar de rude, é simples: MBA não é para todos.
Isso inclui alunos e também as instituições de ensino. "MBA não pode ser sinônimo de massificação", sentencia o coordenador-geral dos MBA da Insper/Ibmec, Sílvio Laban. Para ele, os programas "enlatados" feitos para atender à demanda por formação específica dificilmente podem garantir aspectos de qualidade essenciais em uma pós-graduação, como bibliotecas equipadas, orientação docente e avaliações rigorosas. "As franquias são muito indesejáveis. São cursos padronizados, que não têm como dar certo", avalia.
É o caso do MBA em Gestão Pública do Isulpar (Instituto Superior do Litoral do Paraná), com sede em Paranaguá. Com R$ 75 mensais durante um ano é possível cursar o programa na sede de Curitiba, na turma que está sendo formada a pedido da prefeitura da cidade. As aulas são às sextas à noite e aos sábados pela manhã. A mensalidade da Isulpar, na verdade, custa R$ 150, mas o subsídio dado pela administração pública de Curitiba vale para qualquer aluno, independentemente de ele ser funcionário ou não da prefeitura. A taxa de matrícula custa R$ 50 e não há qualquer critério de seleção. Na grade curricular, 12 disciplinas de 30 horas/aula cada - necessárias para fechar a conta de carga horária exigida pelo MEC. O certificado de MBA, nesse caso, sai por R$ 950.
O instituto foi fundado no ano 2000 pela professora Rosí Teresinha Bonn, que não atendeu aos pedidos de entrevista feitos pela reportagem de AMANHÃ. Também oferece graduações em administração, direito, geografia, pedagogia, turismo, sistemas de informação e jornalismo, além de pós em áreas como psicologia, meio ambiente e informática.
A liberalidade do modelo pode ser um problema para os estudantes. O consultor Celso de Camargo Campos, da Apex Executive Search, recomenda que os candidatos a um MBA façam uma pesquisa exaustiva nas instituições de ensino para checar dados importantes de qualidade, como titulação dos professores, bibliotecas, laboratórios e valor da mensalidade. "Não adianta se iludir: o preço é sem dúvida um referencial de qualidade", ensina. Segundo ele, o fato de os certificados serem reconhecidos pelo MEC não agrega muito valor a determinados cursos. "Se o mercado não aceita, não adianta ter carimbo", avalia.
O professor Éder Paulo Miotto, coordenador executivo dos MBA da Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), também critica essa falta de regras. "Sofremos muita pressão de instituições que não têm qualificação alguma para certificar seus alunos", afirma Miotto. Segundo ele, a agressividade de algumas instituições é predatória. "Não fosse por isso, podíamos ter o dobro dos 700 alunos [de especialização] que temos", lamenta.
Realidade muito diferente se observa na Anhanguera Educacional, que abriga 30 mil alunos apenas nos seus cursos de especialização. O diretor de pós-graduação Edgar Falcão defende a massificação do ensino especializado. Segundo ele, a universidade tem como objetivo suprir as necessidades regionais e locais - a instituição tem unidades em cidades do interior, especialmente em São Paulo. "Nosso público é o gerente do supermercado local. Diretores de multinacionais buscam outro tipo de formação", reconhece Falcão. O raciocínio não deixa de ter lógica. Segundo ele, as necessidades de conhecimento são diferentes para cada público - assim como as soluções apresentadas pelos gestores. O professor diz que a Anhanguera Educacional se dirige ao "pessoal de meio", que não precisa ter uma visão estratégica mas que necessita, por outro lado, privilegiar uma preocupação com o campo tático do negócio. "Nosso objetivo é replicar as melhores práticas, respeitando as capacidades locais", explica.
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LATU SENSU
Especialização Curso com carga horária igual ou superior a 360 horas/aula, é destinado ao aperfeiçoamento profissional e tem uma abordagem específica. Para obter o diploma, o aluno precisa apresentar, ao final do curso, uma monografia ou um trabalho de conclusão
MBA Júnior O MBA Júnior é destinado a pessoas que estão saindo da universidade e precisam associar o conhecimento teórico à pratica profissional. Algumas instituições oferecem estes cursos em dois anos - o primeiro deles quando o aluno ainda está no último período
MBA Destinado a profissionais interessados em aprofundar seus conhecimentos na área de gestão empresarial. A diferença em relação aos cursos de especialização está na metodologia adotada, uma vez que o MBA abrange várias áreas do conhecimento. Os MBA norte-americanos equivalem a um curso de mestrado, por se enquadrarem na categoria stricto sensu. No Brasil, compõem a grade de lato sensu.
Strictu Sensu
Mestrado Profissionalizante Curso menos teórico que o acadêmico e voltado para o mercado de trabalho. O aluno deve apresentar uma dissertação - monografia - em forma de projeto ou estudo de caso para obtenção de titulação.
Mestrado Acadêmico Pós-graduação voltada para o ensino e a pesquisa. Oferece o título de mestre em determinado campo do saber. Portanto, é um curso direcionado a quem deseja seguir carreira como pesquisador ou professor em uma universidade. Para a obtenção do título é necessária a preparação de dissertação.
Doutorado Curso voltado para a formação de pesquisadores, dedicado exclusivamente à vida acadêmica e que busca o aprofundamento intenso em determinado campo do saber. Para obtenção do título é obrigatória a defesa de uma tese elaborada originalmente pelo estudante, com pesquisa de campo.
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No mercado, trabalho de conclusão de MBA custa R$ 9,9 mil
Utilizando um personagem fictício, AMANHÃ negociou por e-mail a compra de um trabalho de conclusão de curso (TCC) para um MBA na área de finanças. Alertada por professores, a reportagem investigou o mercado de produção e venda de TCCs para cursos de especialização e chegou a pelo menos duas empresas que comercializam livremente seus produtos pela internet. Um TCC original, com todos os parâmetros exigidos pela ABNT, foi orçado em R$ 9,9 mil.
O trabalho foi oferecido a AMANHÃ pela equipe do professor Celso Jorge de Godoy Júnior, em São Paulo. Além de TCCs, Celso também oferece trabalhos de graduação, teses de mestrado e doutorado, projetos de iniciação científica e outros de nível universitário. No dia 4 de agosto, a reportagem enviou uma mensagem eletrônica de um personagem fictício solicitando um trabalho de conclusão para um MBA em finanças. O orçamento foi remetido no dia seguinte, 5 de agosto.
O valor de R$ 9,9 mil valia para depósito à vista, a ser feito no mesmo dia. A reportagem tentou negociar um parcelamento, mas foi informada de que só para clientes de São Paulo era possível trabalhar com cheques pré-datados. O pagamento deveria ser feito diretamente no caixa, preferencialmente em dinheiro. O professor recomendou que não fosse utilizada transação on-line nem documento bancário.
"Nós vamos fazer o TCC com o compromisso de você ser aprovado no seu curso", escreveu Celso. Perguntado sobre o risco de responsabilização criminal no caso de a fraude ser descoberta, o professor foi taxativo. "Definitivamente, não. Nem eu nem você", garantiu Celso Jorge. Um aluno que apresenta uma monografia comprada comete crime de falsidade ideológica, com pena de um a cinco anos. A instituição também pode enquadrar o caso como estelionato.

O Portal AMANHÃ está reproduzindo a série "O melhor de AMANHÃ" com reportagens e artigos publicados ao longo de 2009 na Revista AMANHÃ. A reportagem acima foi capa da edição 256, de agosto.
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