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30/06/2009 21:37
Falta um pé no tripé da sustentabilidade
É o que afirma um professor de Stanford em artigo que denuncia a desvalorização do "fator humano"
Jeffrey Pfeffer é conhecido por sua afeição à polêmica. Professor de Stanford, ele já publicou uma série de artigos esbofeteando os principais dogmas e práticas da gestão empresarial. Em março deste ano, ele voltou ao ataque com o artigo Building Sustainable Organizations: The Human Factor – ou "Construindo Organizações Sustentáveis: O Fator Humano", em tradução livre. O alvo da vez: empresas que ignoram o "fator humano" na busca de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
No artigo, Pfeffer conta a história de Doug McMillon, o CEO que promoveu uma mudança no design dos vasilhames de leite utilizados pelo Sam''s Club, um braço de serviços do Walmart. Por um lado, o novo formato ajudou a mitigar o prejuízo ambiental das atividades do empresa. Por outro lado, alega Pfeffer, o Walmart continuou pagando salários baixíssimos – e obrigando milhares de funcionários a recorrer a serviços públicos de saúde.
Onde Pfeffer quer chegar? Simples: para ele, as empresas ignoram o fator humano – ou, no mínimo, supervalorizam os fatores ambiental e financeiro – ao buscar o desenvolvimento sustentável. "Por que vasilhames de leite são mais importantes do que pessoas?", questiona ele, no artigo. É uma boa pergunta.
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22/06/2009 17:53
Líder bem-sucedido é o chato
Pesquisas mostram que a eficiência ainda é mais importante do que uma personalidade encantadora
"Os CEOs deveriam ler romances?".
Esta é a pergunta com que David Brooks, um dos colunistas do NY Times, abre um ótimo editorial sobre quais características são decisivas para o sucesso de um líder. No texto, que foi publicado originalmente em maio, Brooks compila uma série de pesquisas para chegar a uma conclusão curiosa: os CEOs mais bem-sucedidos não são nada carismáticos, extrovertidos ou exuberantes. Muito ao contrário: tendem a ser humildes, reservados e até mesmo tediosos. "Embora seja importante a pessoa ser sensata e equilibrada, o mercado realmente não se importa com isso", escreve Brooks.
Na última semana, o Estadão publicou a versão traduzida do texto, conforme a dica que nos foi passada pelo André D''Angelo, do blog Sr. Consumidor. Vale a pena ler.
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29/05/2009 03:58
Direto da reunião de pauta
Será que a crise vai abalar a credibilidade dos planejamentos estratégicos?
Foi numa reunião de pauta no início desta semana. Estávamos discutindo os assuntos que entrariam na próxima edição de Amanhã quando o Felipe Polydoro, nosso editor executivo, levantou o debate:
– Depois dessa crise, que pegou quase todo mundo desprevenido, será que os velhos métodos de planejamento estratégico não perderam um pouco da credibilidade que costumavam ter?
Ninguém respondeu. Porque perguntas desse tipo não podem ser respondidas assim, em uma simples reunião. É preciso ir para a rua, falar com quem efetivamente domina o assunto, ponderar as opiniões e deixá-las decantar até formarem uma conclusão razoável. Senão, fica-se no achismo. O próprio Felipe sabe disso – não foi à toa que fez o questionamento durante uma reunião de pauta.
Há, no entanto, algumas pistas que já podemos seguir desde já. A primeira delas é que os métodos de planejamento estratégico nunca foram perfeitos. Muito ao contrário: todas as principais escolas de pensamento sobre estratégia estão sujeitas a críticas – até mesmo a badalada "escola racionalista", do guru Michael Porter.
Embora seja utilizado por quase todas as multinacionais do planeta e tenha se tornado be-a-bá de nove a cada dez MBAs, o planejamento a la Michael Porter costuma ignorar questões básicas. Entre elas, a possibilidade de uma ingrata surpresa (como a crise) arruinar tudo que havia sido planejado previamente. "As coisas costumam ter resultados um tanto quanto inesperados, se comparados com o plano. E existe muita incerteza no que diz respeito a sua implementação, mesmo que no final das contas o plano tenha sido [feito de um jeito] totalmente certo", critica o estrategista Kees van der Heijden, no livro "Planejamento por Cenários", que acaba de chegar a sua segunda edição em português pela Bookman.
Heijden, aliás, é defensor de uma escola alternativa de planejamento estratégico, conhecida como "processual". Diferentemente de Porter, que incita as empresas a buscar a melhor estratégia possível para competir, Heijden acredita que o importante, mesmo, é ter foco na maneira como as estratégias são elaboradas. O ideal, nesse caso, é ter um excelente "processo estratégico". Assim, se um evento inesperado arrasar o cenário econômico, a empresa terá mais agilidade para refazer seus planos de voo.
Na prática, o planejamento estratégico - seja qual for o seu método - não serve tanto para se prever o futuro. Serve, isso sim, para gerar um maior nível de conhecimento sobre a empresa e seu posicionamento no mercado. E para dar um pouco mais de segurança aos gestores na hora em que eles têm de tomar suas principais decisões de longo prazo.
Temos uma boa pauta aí, não?
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19/05/2009 03:34
Quando o silêncio é a melhor resposta

Certo dia, um garoto descobre que é possível transformar um singelo pacotinho de balas de açúcar em um divertidíssimo cigarro de brinquedo. Basta abrir uma das pontas do pacotinho, esfarelar levemente o açúcar e "tragá-lo" como se fosse o mais doce e inofensivo de todos os Marlboros. Pronto: em contato com a saliva, o farelo de açúcar se condensa e produz um efeito semelhante ao da fumaça de um cigarro. Uma diversão só.
O garoto, é claro, espalha a descoberta entre seus amiguinhos da escola, que se encarregam passar a novidade adiante. Em poucos dias, um deles produz um vídeo a respeito e decide postá-lo no Youtube. E é assim que uma brincadeira infantil se transforma, finalmente, em um dos casos mais curiosos sobre o poder destrutivo da web para as marcas.
A brincadeira em questão se tornou febre virtual em março deste ano e teve como “vítima” a Ce De Candy, fabricante das balas Smarties, uma das mais tradicionais do mercado norte-americano. Em pouco tempo, os vídeos com instruções para “fumar” Smarties estavam em toda a parte da web – e com altíssima audiência...
A Ce De Candy bem que tentou evitar que os vídeos se tornassem um viral às avessas. Primeiro, emitiu notas à imprensa nas quais desaconselhava a brincadeira. Depois, estudou a possibilidade de retirar alguns vídeos do Youtube. Em vão: os esforços só aumentaram a procura pelo material. Ainda hoje, o termo “smoking Smarties” gera 174 resultados – entre eles, o do exemplo abaixo – no mais popular portal de vídeos do planeta.
Sem muitas alternativas, a Ce De Candy reconheceu a derrota. Esclareceu, em seu site, que as balas Smarties não faziam mal à saúde e se resguardou ao silêncio. Curiosamente, foi aí que a brincadeira começou a perder o apelo entre as crianças...
Não é a primeira vez que o uso de um produto escapa do controle de seu próprio fabricante. Em 2006, tornaram-se célebres os vídeos que ensinavam os internautas a fabricar bombas a partir de uma improvável mistura de Coca Diet com pacotes de Mentos. A Coca-Cola nunca se pronunciou a respeito. Mas os vídeos continuam disponíveis para quem quiser vê-los.
Como se vê, às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
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17/04/2009 17:42
Planejamento estratégico na ponta do mouse
Eis aí uma boa dica para quem está disposto a conhecer um pouco mais sobre algumas práticas básicas de planejamento estratégico: desde o ano passado, a McKinsey – sempre ela – vem elaborando uma série de animações que ajudam a entender os conceitos básicos por trás de ferramentas como a Matriz GE-McKinsey (exemplo abaixo), os 7-S e a clássica curva de custos da indústria.

O mais legal é que as animações também mostram a cronologia dessas ferramentas. E assim ficamos sabendo, por exemplo, que a grande maioria dos métodos de planejamento estratégico pertencem a uma geração de não mais do que 30 anos.
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17/04/2009 17:41
Quando um serviço é barato demais

Michael Porter, o guru da competição, costuma dizer que há duas maneiras de se construir uma vantagem real e permanente sobre a concorrência. Uma delas é perseguir a liderança em custos baixos - o que significa apostar numa operação altamente eficiente combinada com a capacidade de vender produtos e serviços em escalas faraônicas. A outra é buscar a liderança em diferenciação - que pode ser vista como a capacidade de entregar produtos e serviços com qualidade, prestígio e rentabilidade insuperáveis.
Porter afirma que essas duas estratégias de competição são incompatíveis. Uma empresa focada na vantagem do baixo custo dificilmente consegue se destacar pela qualidade e complexidade de seus produtos ou serviços. O contrário também é verdadeiro: quem busca o caminho da diferenciação é obrigado a arcar com custos mais altos, independentemente do patamar de eficiência em que se encontra.
Há empresas que levam o dilema de Porter às últimas consequências. Uma delas é a Ryanair, a mais famosa companhia aérea de baixo custo da Europa. Voar pela Ryanair é ridiculamente barato - algumas passagens chegam a custar apenas 1 libra. Em compensação, a qualidade do serviço é tão baixa que, às vezes, provoca revolta. Recentemente, o jornal The Times, de Londres, publicou uma impagável lista dos 20 motivos para jamais subir num avião da Ryanair. O primeiro deles: voos de 1 libra jamais custam apenas 1 libra de fato.
O curioso disso tudo é que Michael O''Leary, presidente da Ryanair, não faz questão nenhuma de rebater as "acusações". O serviço da Ryanair pode ser precário, mas continua sendo, bem, ridiculamente barato - e isso faz toda a diferença numa época de crise.
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19/03/2009 17:00
Sob as lentes da crise
O Boston Globe produziu um ensaio com as fotos que melhor traduzem os efeitos da crise financeira global. A maioria delas foi tirada nos Estados Unidos e na China. Mas o ensaio também conta com imagens do sul do Ásia e do Leste Europeu. Selecionei algumas para facilitar a vida dos internautas mais apressados (veja abaixo). Para ver as demais imagens em tamanho maior, basta visitar a galeria completa do Boston Globe.
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Cancelas trancadas isolam o pátio da uma revendedora da Chevrolet que foi desativada em San Rafael, na Califórnia. |
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Milhares de chineses desempregados se acotovelam em uma feira de empregos em Wuhan, na província de Hubei, China. |
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Cartaz improvisado na porta de uma concessionária da GMC: "Lamento informar que a GMC Freemont Pontiac foi fechada permanentemente". |
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Um loteamento residencial jaz abandonado sob uma tormenta que começa a se formar em Rancho Cucamonga, na Califórnia. |
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Acampamento na cidade de Sacramento, também na Califórnia: população dos sem-teto nos Estados Unidos é cada vez maior. |
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16/03/2009 18:59
A voz do povo é a voz...
...dos internautas que participam das comunidades de crowdsourcing
Uma empresária está apostando em um método atípico para ajudar a Irlanda a sair do atoleiro econômico: o crowdsourcing. Aileen O''Toole – este é o nome dela – criou o portal The Ideas Campaign, no qual os internautas podem sugerir soluções para atenuar a onda de desemprego que abala a Irlanda desde a metade do ano passado. As melhores ideias desse imenso brainstorm virtual passam pelo crivo de um grupo de economistas, empresários e outros especialistas. Aquelas que são realmente plausíveis chegam, então, às mãos do governo irlandês.
O crowdsourcing não é um conceito novo. Há tempos que as empresas vêm utilizando o "trabalho em comunidade" para resolver problemas e desafios de forma rápida e barata. Um exemplo é o portal holandês RedesignMe.com, que permite às empresas buscar críticas e ideias de melhorias para seus produtos a partir da interação com uma comunidade de mais de 3.000 designers. Basta publicar o "desafio" – imediatamente, as sugestões, boas ou ruins, começam a pipocar na tela. O que garante a repercussão é simples: dinheiro. Os autores das melhores ideias são recompensados com créditos para realizar compras na loja virtual do RedesignMe.com.
Mas nem sempre o crowdsourcing tem um objetivo nobre. No portal SideTaker, por exemplo, a "sabedoria coletiva" é utilizada para julgar brigas entre casais. Cada cônjuge expõe seu lado no site. A partir daí, os demais integrantes se encarregam de "julgar o caso" e derrubar a máxima de que em briga de homem e mulher não se mete a colher. Além de palpitar, a comunidade pode votar em quem está certo ou errado em cada ronha conjugal. Já no RestyleMe.com, o objetivo é meramente estético: o usuário publica o próprio retrato os demais participantes apontam o que ele deve fazer para melhorar o visual.
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13/03/2009 18:24
Peter Drucker adere ao Twitter
Sensação entre as redes sociais, o serviço de microblogs Twitter está sendo utilizado para os mais diversos fins – tanto os inúteis quanto os mais nobres possíveis.
Barack Obama, por exemplo, cansou de publicar pequenos recados – o limite de cada postagem é de 140 caracteres – dizendo o que estava fazendo e como estava se saindo na sua campanha rumo à Casa Branca. Depois dele, diversas outras personalidades e empresas aderiram à onda. Hoje, o serviço é uma ferramenta de relacionamento amplamente utilizada por marcas como Dell, Ford, Adobe, Rede Globo e outras, muitas outras.
Por outro lado, chama a atenção a profusão de perfis falsos no Twitter. Alguns são feitos apenas para arranhar a imagem de artistas, atletas, líderes políticos, etc. Mas muitos fazem uma homenagem – quase sempre, bem-humorada – a essas personalidades. É esta segunda alternativa que explica como Peter Drucker veio a se tornar um dos mais novos "participantes" do Twitter...
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12/03/2009 15:51
Penso, logo serei contratado
Na era da gestão por competências, as empresas deixam de contratar funcionários somente pelo diploma que eles ostentam. Cada vez mais, o que conta são as qualidades pessoais de cada candidato – isto é, seus conhecimentos, experiências, perfil de comportamento, capacidade de resolver problemas, etc. Até aí, nada de novo.
A novidade é que, por causa disso, a Filosofia está se tornando um diferencial de empregabilidade. Os empregadores acreditam que essa disciplina ajuda a formar profissionais mais completos, com uma visão mais clara das coisas – independentemente de sua especialidade. Pelo menos é o que mostra esta matéria publicada no Times Higher Education, do Reino Unido.
Barry Smith, diretor do Instituto de Filosofia da Universidade de Londres, explica na reportagem que "filósofos são bons em apontar falhas de raciocínio e, geralmente, têm melhores condições do que a maioria das pessoas para detectar bobagens". Lembra, ainda, que a atual crise financeira foi provocada por pessoas que não "souberam pensar nas consequências de seus atos" e garante: "Cada vez mais, os empregadores inteligentes vão buscar pessoas que saibam olhar para frente".
Dominar os métodos filosóficos é uma boa vantagem nesse cenário...
Não por acaso, a demanda pelos cursos de Filosofia no Reino Unido cresceu 10% entre 2002/2003 e 2006/2007. No mesmo período, a empregabilidade dos diplomados nessa área aumentou 13%.
A dica vem do professor e consultor Marcelo Träsel, do blog O De Sempre Nunca.