Novidades no pódio

A Bunge ultrapassa a BRF como a maior empresa de Santa Catarina, e numa demonstração de força do agronegócio a Aurora toma a vaga da Eletrosul entre as cinco primeiras no ranking

De seu posto, como coordenador do Observatório da Indústria Catarinense, Sidnei Rodrigues arrisca um prognóstico otimista. “Somos o estado que vai sair mais rápido da crise”. Convém não duvidar, à luz dos resultados desta edição de 500 MAIORES DO SUL. As 100 grandes empresas catarinenses apresentaram evolução em indicadores importantes como soma de receitas e, principalmente, média de rentabilidade (veja gráficos a seguir). E isso em um ano difícil – em 2017, o PIB brasileiro se moveu timidamente, mal chegando a 1% de crescimento.

A razão de Rodrigues para acreditar na retomada catarinense é a composição da matriz econômica do estado, e é aí que residem novidades importantes do ranking de AMANHÃ e PwC. A começar pelo agronegócio.

Maior exportadora de grãos do Brasil, a Bunge se tornou a maior empresa de Santa Catarina, desbancando a BRF, agora vice-líder. Fez mais: ao alcançar uma receita 8,4% superior em 2017, totalizando R$ 38,8 bilhões, a Bunge acabou ultrapassando em faturamento a gaúcha Gerdau , que ainda é a maior empresa da região Sul pelo critério de Valor Ponderado de Grandeza (VPG). Aliás, pelo mesmo critério de VPG, que pondera faturamento, receita e lucro, a Bunge tomou o lugar da BRF como segunda maior empresa da região Sul. Não são tempos fáceis para o novo CEO global da BRF, Pedro Parente. Operando no vermelho desde 2016, a dona das marcas Sadia e Perdigão amargou em 2017 um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão. Mas ainda é a número 1 de Santa Catarina em patrimônio líquido.

Ainda no campo do agronegócio, uma novidade importante é o ingresso da Coopercentral Aurora no grupo das cinco maiores de Santa Catarina. A grife agrícola do oeste catarinense expandiu em 13% a sua receita líquida em 2017, faturando R$ 1,8 bilhão. Assumiu o 5º lugar, deixando para trás a Eletrosul, que viu sua receita líquida encolher mais de 30% e, em 2018, amargou outra má notícia: a perda da concessão para a construção e operação de novas linhas de transmissão no Rio Grande do Sul.

Nas páginas seguintes, há outros casos de empresas que despontam no ranking catarinense. A Parati, tradicional fabricante de biscoitos, apresentou um salto de 96 posições em 500 MAIORES DO SUL. É um reflexo do novo momento vivido pela companhia, que foi adquirida pela norte-americana Kellogg, em outubro de 2016. A Agemed também se fortaleceu entre as 500, avançando 77 posições. A propósito, Santa Catarina aparece com destaque no topo da vitrine corporativa do Sul. Com a queda do paranaense Kirton Bank (Ex-HSBC) da sexta para a 16ª colocação, Santa Catarina passa a ter quatro empresas entre as dez primeiras colocadas no ranking das 500. Ocupando o décimo lugar, a Engie é a mais nova representante do grupo, fazendo companhia a Bunge (2ª colocada ), BRF (3ª) e Weg (6ª).